Mundo
Guerra na Ucrânia não faz sentido, mas acordo ainda está longe
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quinta-feira, 23, que o governo americano está disposto a ajudar a acabar com o conflito sem propósito na Ucrânia, embora reconheça que um acordo não será alcançado rapidamente. Ele ressaltou que a diplomacia demandará esforço constante e novas abordagens. Rubio, que teve uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que tanto Moscou quanto Kiev precisam ter motivos para encerrar esse combate sangrento que tem causado devastação em ambos os lados.
O secretário mencionou o impasse nas negociações lideradas pelos EUA, classificando-as até agora como infrutíferas ou, no mínimo, improdutivas. Mesmo assim, ele reforçou que o presidente americano, Donald Trump, permanece dedicado a essa missão, desde que as condições e circunstâncias mudem de modo a viabilizar um acordo.
“O desafio tem sido encontrar um desfecho que ambas as partes possam aceitar. Tentamos e continuaremos tentando identificar um meio-termo que funcione. Estamos prontos para atuar nesse processo caso surja a oportunidade”, disse Rubio aos jornalistas.
Rubio também encontrou-se com Lavrov e outros líderes, incluindo o ministro das Relações Exteriores da China, durante o encontro anual dos chanceleres da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila. Ele enfatizou que os EUA continuam focados na Ásia, mesmo enquanto enfrentam o Irã, buscam soluções para a guerra Rússia-Ucrânia e pressionam Cuba para promover reformas.
O evento da Asean abordou temas como o aumento da violência no Oriente Médio e tensões no Mar do Sul da China, onde um confronto ocorreu nesta quinta-feira, 23. Rubio destacou que, apesar da preocupação de os EUA estarem concentrados demais em uma região, Washington mantém o comprometimento diário com a Ásia, reforçando suas parcerias e laços econômicos.
Após o encontro, Lavrov evitou responder perguntas dos jornalistas. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou que o chanceler ressaltou a Rubio a rejeição a novos envios de armas à Ucrânia e acusou países europeus de buscarem a derrota estratégica da Rússia.
De acordo com o ministério russo, Lavrov reafirmou a disposição da Rússia para uma solução política e diplomática do conflito, reiterando o compromisso com acordos firmados na cúpula entre o presidente Vladimir Putin e Trump, no Alasca, no ano passado.
Rubio declarou que será necessário apresentar propostas novas e aceitáveis para ambos os lados, a fim de possibilitar um acordo de paz. Ele também disse que o apoio militar dos EUA à Ucrânia permanece inalterado, com armamentos sendo comprados por parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e enviados ao país afetado pela guerra.
Os esforços americanos para mediar o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia foram ofuscados pelo início do conflito com o Irã no início deste ano. Desde que um cessar-fogo provisório desmoronou, os ataques entre Washington e Teerã intensificaram-se novamente.
“O custo continuará aumentando a cada noite enquanto não houver uma retomada do bom senso”, afirmou Rubio. Segundo ele, Teerã está clamando por negociações, mas Trump não vê sentido em responder, pois o Irã aparentemente não está preparado para um acordo que esteja disposto a cumprir.
Trump advertiu o Irã de que os EUA podem destruir infraestruturas importantes, como pontes ou usinas de energia, caso o país ataque navios no Estreito de Ormuz. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a doutrina de defesa de seu país segue o princípio de “olho por olho”. Rubio comentou: “A política do presidente é cabeça por olho. Eles pagarão um alto preço pelas ações deles.”
Mundo
Milei acusa Lula de corrupção e roubo
O presidente da Argentina, Javier Milei, reafirmou neste domingo (2) suas acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o como corrupto e ladrão, uma semana após suas declarações causarem um atrito diplomático entre as maiores economias da América do Sul.
Milei declarou em uma entrevista à emissora LN+ que Lula foi condenado por crimes de roubo e corrupção, tendo cumprido pena, o que justifica chamá-lo de preso. Ele ainda ressaltou que a soltura de Lula decorreu de um erro administrativo no processo, e não por inocência.
Mundo
Trump diz que EUA e Irã retomam negociações na segunda
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, conforme reportado pela Al Jazeera, que Washington está em diálogo com autoridades iranianas para discutir os termos das negociações bilaterais. Segundo a emissora, as conversações estão previstas para iniciar na noite de segunda-feira.
Até o momento, não houve nenhuma declaração por parte de Trump em sua conta na Truth Social.
Anteriormente, a agência estatal IRNA comunicou que as tratativas entre o Irã e Omã para criar um protocolo de navegação no Estreito de Ormuz estão na etapa final.
O propósito dessas negociações é desenvolver procedimentos para monitorar e coordenar o tráfego marítimo, assegurando a passagem segura dos navios pelo estreito.
Mundo
Famílias marroquinas ainda esperam por notícias dos familiares que tentaram chegar a Ceuta
Na cidade marroquina de Castillejos, aproximadamente 30 pessoas permaneciam presas a uma cerca que bloqueia o acesso ao mar e à fronteira, ansiosas por informações sobre seus parentes que cruzaram ilegalmente para o território espanhol de Ceuta neste domingo (2).
Abdellatif, trabalhador rural oriundo de Moulay Bousselham, situado a cerca de 200 km de Castillejos, está angustiado pelo desaparecimento de seu irmão mais novo, de 17 anos, que na quinta-feira entrou no mar acompanhado de dois amigos para tentar alcançar Ceuta nadando.
Mais de 60 mil migrantes conseguiram entrar no enclave nos últimos dias, porém a maioria foi rapidamente devolvida a Castillejos, de onde são transportados de ônibus até suas cidades de origem.
As autoridades espanholas relatam pelo menos 72 mortes, enquanto a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) estima cerca de 130 vítimas e várias pessoas desaparecidas.
Abdellatif relatou à AFP que dois amigos do irmão disseram na sexta-feira que partiram um dia antes, mas que ele sofreu uma lesão muscular ao nadar e acabou separado deles. O jovem de 27 anos se questiona se o irmão ainda está vivo, especialmente porque os dois companheiros retornaram.
Medo de voltar sem notícias
Ele teme retornar sem seu irmão e estranha o silêncio das autoridades. Abdellatif manifestou indignação com o governo por não alertar os jovens sobre os perigos da migração irregular, especialmente com a influência prejudicial das redes sociais.
O aumento do fluxo migratório ocorreu após boatos de que a fronteira estava aberta, alimentados por imagens de jovens celebrando a chegada a Ceuta.
Próximo à cerca, familiares mostram fotos em seus telefones para as pessoas que retornam do enclave espanhol. Uma mãe se tranquiliza ao ouvir que seu filho foi visto em Ceuta no sábado.
No entanto, Rachida Mamakh, de 48 anos, com os olhos vermelhos pelo choro, pergunta para cada pessoa se há alguma notícia de Zuhair, seu filho de 23 anos. Ele informou que havia deixado sua motocicleta em Castillejos e que chegou a Ceuta, mas desde então não atende mais o telefone.
Ela pede a Deus pela segurança do filho e clama às autoridades e ao rei Mohammed VI para que façam tudo o que for possível para trazer os jovens de volta. Zuhair terminou o ensino médio, está desempregado, aprendeu alemão em escola particular e, apesar da situação financeira da família ser razoável devido ao trabalho do pai como taxista, sonhava em ir para a Alemanha em busca de uma vida melhor.
Fadoua Allam, residente em Castillejos, passou por um momento terrível quando, ao voltar para casa na madrugada de sexta-feira após o trabalho, não encontrou seus dois filhos, uma menina de 13 e um menino de 8 anos.
Desesperada, ela tentou nadar em direção a Ceuta para procurá-los. A filha foi encontrada em um centro de acolhimento, mas o menino foi devolvido a Castillejos. Ela, exausta e incapaz de caminhar, passou a noite na casa de uma amiga no enclave.
Mohamed, encanador de 27 anos, está preocupado com o desaparecimento de dois primos de 18 e 22 anos. Na última comunicação, pediu que se entregassem às autoridades para repatriação, mas desde então não teve mais notícias.
Ele viajou à fronteira para tentar encontrá-los, não entendendo a decisão dos primos, já que suas famílias possuem terras agrícolas e vivem bem.
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