Economia
Governo procura novos mercados e aguarda decisão dos EUA sobre taxa extra de 12,5%
O governo está aguardando a decisão dos Estados Unidos sobre uma sobretaxa adicional de 12,5% aplicada a produtos de diversos países, incluindo o Brasil, para identificar os setores mais prejudicados por essa e outras tarifas, e assim finalizar um plano de ação para buscar novos mercados. A expectativa é que os detalhes dessa tarifa adicional seja divulgada na sexta-feira, podendo ser somada à tarifa de 25% já vigente.
Os Estados Unidos analisam essa nova taxa no contexto de uma investigação sobre possíveis falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.
O plano para diversificar mercados será apresentado no começo de agosto em São Paulo pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex). Além das ações internacionais, serão organizados eventos no país para atrair novos compradores.
Os especialistas da Apex estão aguardando o anúncio da nova tarifa para entender sua abrangência, se será cumulativa e se haverá exceções.
O programa de diversificação de mercados contará com R$ 130 milhões, valor que deve aumentar com a participação de setores privados envolvidos em projetos em parceria com a agência.
Os principais mercados-alvo são países europeus, beneficiados pelo acordo com o Mercosul, e países asiáticos.
Plano de apoio
Para minimizar os impactos das sobretaxas, o governo lançou um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros reduzidos para ajudar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pela instabilidade internacional.
— A linha três do programa Brasil Soberano vai atender não só os que já enfrentavam dificuldades devido a conflitos geopolíticos e tarifas existentes, como também as que serão atingidas pela nova taxa prevista para sexta-feira relacionada ao trabalho forçado — afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, ao citar a nova tarifa.
Essa nova fase do Brasil Soberano foi criada para apoiar empresas impactadas pela possível tarifa de 12,5%, vinculada à investigação das irregularidades no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
De acordo com Elias Rosa, espera-se que a taxação referente ao trabalho forçado seja aplicada universalmente a todos os setores. O governo brasileiro entende que essa tarifa tem a intenção de substituir a taxa global implementada em fevereiro, após a Suprema Corte dos EUA suspender a tarifa baseada em leis de emergência.
— Estamos solicitando que não haja cobrança cumulativa junto à seção 301 anunciada na semana passada. A situação ainda é incerta. A provável ausência de exceções é esperada, mas caso haja cumulatividade a tarifa poderá alcançar 37,5%, o que é um cenário incerto — detalhou o ministro.
A sobretaxa de 25% adotada pelo governo de Donald Trump deve afetar 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Além das companhias prejudicadas pelo tarifaço, as linhas de crédito beneficiarão:
- Empresas atingidas pelos conflitos internacionais, principalmente as que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
- Setores considerados estratégicos pelo governo para a balança comercial e para a segurança produtiva nacional, incluindo fertilizantes, minerais críticos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.