Economia
Governo Lula mantém diálogo sobre tarifaço, mas vê avanço só após eleições no Brasil e EUA
Embora preveja a retomada das negociações com os Estados Unidos depois do dia 29 de julho, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva espera um progresso significativo somente a partir do final do ano. Até, pelo menos, novembro, a avaliação é que o Brasil estará vulnerável devido às eleições presidenciais, enquanto o governo de Donald Trump estará focado nas eleições intermediárias, que renovarão a Câmara e parte do Senado dos EUA, podendo alterar o equilíbrio político americano.
Nesta quarta-feira, Lula afirmou que ele e seus ministros tentaram diversas vezes negociar com os americanos para impedir a aplicação do tarifaço, mas nunca houve “reciprocidade” nas discussões. Ainda assim, reforçou que o Brasil “não vai deixar a mesa de negociação”.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, declarou que as conversas devem ser retomadas após o dia 29, data limite para que produtos brasileiros em trânsito para os EUA entrem no país sem a taxa adicional de 25%. No entanto, ressaltou que existem várias formas de negociação, desde mensagens por celular até encontros bilaterais.
Fontes próximas às negociações informam que as conversas continuarão constantemente, mas todos reconhecem que a melhor janela de negociação será daqui a cinco meses. A recente declaração do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicando que Lula não negociou de “boa fé” e priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo, evidenciou que a agenda americana para o Brasil é atualmente política e eleitoral.
Nenhum argumento econômico tem funcionado até agora. Um membro do governo comenta que as exigências americanas, como a abertura total dos setores automotivo, químico e aeroespacial sem contrapartidas, indicam falta de disposição para diálogo. Essa estratégia tem sido aplicada a todos os países, como mostra a taxa de 50% sobre vários produtos do Canadá.
Além disso, o governo Trump está preocupado em manter maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro. Se perder o controle, as condições de negociação para o Brasil e o mundo podem melhorar; se vencer, a geopolítica comercial pode se tornar ainda mais complexa.
Plano de auxílio
Para amenizar os impactos das sobretaxas, o governo anunciou um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para apoiar as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pelas incertezas externas.
A taxa extra de 25% imposta pelo governo Donald Trump deve atingir cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA, equivalente a US$ 5,8 bilhões em 2025, conforme dados do MDIC.
Além das companhias prejudicadas pelo tarifaço, o auxílio beneficiará:
- Empresas afetadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
- Setores estratégicos para a balança comercial e segurança produtiva do Brasil, incluindo fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.