Economia

Funcionários dos Correios não aceitam nova proposta salarial e TST decidirá o acordo

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IDIANA TOMAZELLI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Os trabalhadores dos Correios recusaram a nova proposta de acordo coletivo de trabalho feita pela empresa durante a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Agora, a negociação seguirá para o dissídio coletivo, que é uma ação judicial usada quando o empregador e os funcionários não conseguem chegar a um acordo sobre as condições de trabalho. Na prática, isso significa que o TST definirá quais condições estarão presentes no acordo coletivo.

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do TST, convocou os ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos para estarem prontos a julgar o caso rapidamente, mesmo durante o recesso do Judiciário, devido à importância e urgência do assunto.

Há preocupação de que uma possível greve, mesmo que restrita a algumas regiões do Brasil, possa afetar os serviços dos Correios durante um período importante para o país, como as festas de fim de ano.

Em votação recente, a maioria dos sindicatos representando os empregados dos Correios rejeitou a proposta e aprovou a greve nacional, com 18 sindicatos contra a proposta e 16 favoráveis, sendo um sindicato que rejeitou sem aprovar formalmente a greve.

Os Correios informaram aos funcionários que, com esse resultado, encerram as negociações diretas e que a discussão do acordo passará a ser tratada legalmente, garantindo a continuidade do processo.

Antes das assembleias, a diretora de Gestão de Pessoas dos Correios, Natália Mota, gravou um vídeo pedindo que os empregados tomem uma decisão consciente, ressaltando os riscos que uma paralisação poderia trazer para a operação e para a recuperação da empresa.

A proposta feita foi a melhor possível dentro da situação atual, de acordo com Natália. Ela destacou que, embora não seja uma proposta ideal, foi um esforço real para proteger direitos importantes e garantir condições para a empresa se recuperar.

O acordo proposto prevê o fim do ponto por exceção para os carteiros a partir de 1º de agosto de 2026. Atualmente, essa regra garante pagamento de hora extra quando ultrapassam a jornada de trabalho, mas não exige compensação quando saem mais cedo.

A empresa argumenta que essa regra dificulta o controle da produtividade, pois não é possível saber se as correspondências não entregues são por ausência dos destinatários ou porque os carteiros não cumpriram toda a jornada.

Outra mudança na proposta é o fim do pagamento de hora extra tripla aos domingos e feriados, reduzindo para o valor legal de 100% de adicional a partir de agosto de 2026. A bonificação anual conhecida como “vale-peru” no valor de R$ 2.500 não está incluída na proposta, o que desagradou os funcionários.

Por outro lado, os Correios mantiveram o pagamento do adicional de 70% sobre as férias, acima do que a lei exige.

O reajuste salarial proposto é de 5,13% a partir de abril de 2026, com efeito retroativo a janeiro do mesmo ano, e um novo reajuste será aplicado em agosto de 2026, baseado na inflação acumulada nos 12 meses anteriores a julho. Caso aprovado, o acordo teria validade de dois anos.

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