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Fraude em pagamento de fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos EUA, diz delator

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Antônio Carlos Freixo Júnior, empresário que fez delação premiada, afirmou à Polícia Federal que houve irregularidade na transação financeira envolvendo o pagamento de 12,3 milhões de dólares para um fundo aberto nos Estados Unidos, vinculado a um advogado de Eduardo Bolsonaro. Inicialmente, ele acreditava estar investindo em um empreendimento imobiliário no exterior.

Freixo, dono da Entre Investimentos, explicou que foi ele quem transferiu os recursos após um acordo feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O combinado teria a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, biografia audiovisual do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, só depois Freixo tomou ciência desse objetivo.

Tanto Flávio quanto Eduardo Bolsonaro são alvo da investigação. A Polícia Federal encaminhou os documentos coletados ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para continuar a investigação e obter mais provas. Também foi pedido ao ministro André Mendonça uma prorrogação do inquérito por mais 90 dias.

Este é o primeiro depoimento público que Antônio Carlos Freixo Júnior oferece após firmar acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele entregou documentos que comprovariam que os recursos usados nos pagamentos para o fundo ligado ao filho do ex-presidente provinham do Banco Master, no Brasil. Após enviar os valores para o exterior, ele recebia quantias no Brasil para reembolsar as remessas realizadas.

Freixo alegou que só soube que o dinheiro seria destinado ao financiamento do filme “Dark Horse” após os fatos. Ele explicou que realizou os pagamentos a pedido do dono do Banco Master porque houve problemas numa conta no exterior de seu cunhado, Fabiano Zettel, e que as cotas do investimento imobiliário seriam transferidas a Daniel Vorcaro depois da regularização.

“Em nenhum momento me informaram que os recursos seriam usados para financiar o filme ou uma cinebiografia, e eu jamais teria aceitado participar de uma operação com esse risco para minha reputação”, afirmou no depoimento. Ele ressaltou que a subscrição feita em nome da Entre Investimentos baseava-se na confiança com Vorcaro e na perspectiva informal de transferência futura das cotas, sem que isso fosse formalizado.

Os documentos apresentados confirmam pagamentos ao fundo Havengate entre fevereiro e setembro de 2025, totalizando 12,3 milhões de dólares. A polícia aponta que foram enviados ao exterior 72 milhões de reais, enquanto Freixo recebeu cerca de 90 milhões de reais no Brasil.

Ele declarou que realizou os aportes através da subscrição em um fundo imobiliário e que só descobriu o uso real do dinheiro para a produção audiovisual após reportagens na imprensa. Por isso, solicitou a devolução dos valores, mas não obteve retorno.

“Somente tomo conhecimento do verdadeiro propósito do fundo e da destinação dos recursos para o filme após a divulgação pela imprensa. Diante disso, adotei medidas formais como investidor e enviei notificações por e-mail solicitando o resgate integral dos valores e a apresentação dos demonstrativos financeiros do fundo, sem conseguir resposta dos administradores”, comentou.

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