Economia
FMI recomenda que Argentina leve benefícios do crescimento aos trabalhadores
A Argentina deve continuar seus esforços para estabilizar a economia e promover o crescimento, mas é fundamental que esses benefícios cheguem aos trabalhadores, afirmou a porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Julie Kozack, nesta quinta-feira (1º).
Os diálogos entre o governo de Javier Milei e o FMI seguem em andamento. Uma missão técnica recente realizou encontros em Buenos Aires no final de setembro, conforme explicou a porta-voz.
A Argentina, maior devedora junto ao FMI, firmou em 2025 um programa de crédito com o órgão no valor de 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 110 bilhões na cotação vigente), com duração de quatro anos. Até o momento, o FMI já completou duas revisões do progresso desse acordo.
“As negociações continuam e vão prosseguir nas próximas semanas” para a terceira análise, declarou a porta-voz. Durante essas conversas, ambas as partes concordaram que “o trabalho para fortalecer a resistência da Argentina deve ser mantido”, ressaltou.
O FMI prevê um crescimento econômico de 3,5% para a Argentina em 2026.
“É fundamental assegurar que o crescimento, que até agora ocorreu principalmente nos setores de energia, mineração e agricultura, seja expandido e distribuído de maneira mais justa entre os diferentes segmentos da economia, assim como entre os trabalhadores”, explicou.
O FMI reconhece que a Argentina “alcançou progressos consideráveis na recuperação da estabilidade macroeconômica mesmo em um cenário bastante desafiador”, segundo a porta-voz.
Javier Milei conseguiu superávit nas contas públicas e diminuiu a inflação, que estava na casa dos três dígitos na taxa anual quando assumiu a Presidência em 2023, para os atuais 33,5%. Entretanto, a pobreza e a extrema pobreza voltaram a subir no primeiro semestre de 2026 após dois anos de estabilidade.
Críticos do governo de Milei destacam que aproximadamente 30 mil empresas encerraram suas atividades desde que ele assumiu o poder.