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Flávio busca apoio da direita no segundo turno; Lula quer ampliar vantagem no Nordeste
Após conquistar a primeira posição no primeiro turno, Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, concentra esforços para angariar votos dos eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), concorrentes derrotados. Paralelamente, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva visa ampliar sua vantagem no Nordeste e aumentar o protagonismo do vice, Geraldo Alckmin, na tentativa de conquistar o eleitorado de centro.
A estratégia de Flávio continua a explorar o sentimento antipetista, as bandeiras de segurança pública, o aumento do custo de vida e busca integrar aliados que obtiveram bom desempenho nas urnas. Com 47% dos votos no primeiro turno contra 45% de Lula, a campanha mantém a linha atual, focando na expansão do eleitorado sem mudar o discurso que o colocou na liderança.
O principal objetivo está nos eleitores do centro e da direita. Somados, Renan, Caiado e Zema reuniram 5,6 milhões de votos. Espera-se que Zema e o Novo anunciem apoio a Flávio em breve. Apesar da indecisão de Caiado, a campanha aposta em capturar parte dos seus 2,6 milhões de votos. Renan, que obteve 2,67 milhões, provavelmente não apoiará oficialmente nenhum candidato, preferindo o voto nulo, mas a equipe acredita que muitos eleitores deste segmento podem migrar para Flávio.
Mais desafiador é alcançar os 3,4 milhões de eleitores de Augusto Cury e os que não votaram no primeiro turno. A tática inclui enfatizar a insatisfação com a atual gestão, abordar questões econômicas que impactam o dia a dia, especialmente preços e poder de compra, e não depender exclusivamente da identificação ideológica com a direita. Também se pretende atrair eleitores abstenções, brancos e nulos, considerados fundamentais para o pleito.
A mobilização tem um componente geográfico importante. A campanha pretende focar nos três principais colégios eleitorais, aproveitando aliados vitoriosos como Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo; Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito em Minas; e Nikolas Ferreira (PL), que conquistou mais de 3 milhões de votos para deputado federal. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) também deve integrar as ações.
Além disso, tais lideranças serão mobilizadas além dos limites estaduais conforme o público-alvo desejado. Tarcísio já se dispôs a participar de compromissos fora de São Paulo, e Nikolas Ferreira, que esteve ao lado de Flávio no primeiro turno, continuará em jornadas voltadas especialmente para jovens e eleitores cristãos.
Nesta segunda-feira, Flávio se reúne com sua equipe para alinhar detalhadamente a estratégia para os próximos 19 dias, intensificando sua presença também no Nordeste para tentar diminuir a vantagem de Lula na região.
Por sua vez, Lula enfrenta o desafio de uma virada inédita, já que nenhum candidato que chegou ao segundo turno atrás conquistou a vitória. Isso exige uma mudança de estratégia focada em ampliar os votos no Nordeste — onde o PT reelegeu três governadores — e reduzir a abstenção, que foi recorde no primeiro turno com mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
Internamente, Lula reconheceu a necessidade de corrigir os rumos da campanha. A prioridade é fortalecer o apoio nos estados onde o PT já demonstrou força e ampliar a votação em Minas Gerais, onde venceu em 2002 mas foi derrotado recentemente.
Além disso, o vice Alckmin ganhará maior protagonismo para conquistar eleitores de centro, aproveitando seu histórico na gestão de São Paulo e sua credibilidade em temas fiscais, que o próprio Lula destacou.
Setores do governo e da campanha reconheceram que Alckmin teve participação limitada no primeiro turno, mas agora será mais visível, inclusive no horário eleitoral. Nesta segunda-feira, o presidente deve se reunir com sua coordenação de campanha e aliados para definir os próximos passos do segundo turno.