Cultura
Fernanda Montenegro: curiosidades e fatos marcantes sobre sua vida e carreira
De Zulmira em “A falecida” a Dora de “Central do Brasil”. De Nossa Senhora em “O auto da Compadecida” a Dona Picucha de “Doce de mãe”. De Charlô em “Guerra dos sexos” a Bia Falcão em “Belíssima”. Estes são apenas alguns dos muitos personagens inesquecíveis interpretados por Fernanda Montenegro em uma carreira de oito décadas nos palcos, TV e cinema. Ainda ativa, com diversos projetos a caminho, a atriz celebra seus 97 anos.
O Globo preparou uma lista com 97 fatos e curiosidades sobre a vida da grande dama do teatro e da televisão brasileira. Confira abaixo.
Início da Caminhada
- Arlette Pinheiro Monteiro é o nome de nascimento de Fernanda Montenegro, nascida no bairro Campinho, Zona Norte do Rio, em 16 de outubro de 1929.
- Estreou nos palcos aos 8 anos, participando de uma peça na igreja.
- Admiradora de cinema, frequentava as sessões até três vezes por semana na adolescência e era fã de Lucille Ball.
- Aos 15 anos, começou a trabalhar na Rádio MEC como redatora, locutora e radioatriz.
- Na rádio, destacou-se pela voz marcante e criou o nome artístico Fernanda Montenegro.
- Fez sua estreia como radioatriz em “Sinhá Moça chorou” de Cláudio Fornari.
Um Romance nos Bastidores
- Conheceu seu futuro marido, Fernando Torres, durante a gravação de um jingle em 1948.
- Reencontrou Fernando em 1950 durante ensaios da peça “Alegres canções nas montanhas”.
- Embora a peça tenha sido mal recebida, marcou a estreia dela nos palcos e o começo do relacionamento.
- Casaram-se em 6 de abril de 1953, na igreja de São Cristóvão.
- Na cerimônia, utilizou um vestido de noiva emprestado por Eva Todor.
- Fernanda revelou ter se casado virgem por escolha pessoal.
- O casal esteve unido por 56 anos, até o falecimento de Fernando em 2008.
- Adotou após o casamento o nome Arlete Pinheiro Monteiro Torres, porém era conhecida profissionalmente como Fernanda Montenegro.
- O casal teve dois filhos: o diretor Cláudio Torres e a atriz Fernanda Torres.
- Cláudio nasceu de parto normal em 1962, Fernanda em 1965 por cesariana.
- Em 1959, fundaram a companhia Teatro dos Sete, no Rio.
Trajetória no Teatro
- Com uma carreira que ultrapassa 77 anos nos palcos, Fernanda é uma lenda viva do teatro brasileiro.
- Antes de ter sua própria companhia, integrou grandes grupos como Companhia Maria Della Costa e o Teatro Brasileiro de Comédia.
- Foi dirigida por notáveis nomes do teatro nacional, incluindo Henriette Morineau, Gianni Ratto, Paulo José, Augusto Boal, entre outros.
- Sobre sua arte, o diretor Zé Celso Martinez Corrêa destacou seu corpo como uma verdadeira inscrição do teatro.
- Interpretou textos de Arthur Azevedo, Bernard Shaw, Miguel de Cervantes, Samuel Beckett, Chico Buarque, entre outros.
- Era fã do trabalho de Nelson Rodrigues e Simone de Beauvoir.
- Atuou em peças emblemáticas como “O beijo no asfalto” (1961).
- Nelson Rodrigues escreveu peças pensando nela, como “Toda nudez será castigada”, mas ela não participou das montagens.
- Em 2009, estrelou o monólogo “Viver sem tempos mortos”, de Simone de Beauvoir.
- Entre 2023 e 2025, planeja retornar aos palcos com leituras de textos da autora.
Na Televisão
- Foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi em dezembro de 1950.
- Participou de mais de 80 teleteatros entre 1951 e 1953.
- Na TV Tupi participou do programa “Grande Teatro Tupi” com mais de 300 peças encenadas.
- Em 1963 estreou na TV Rio com a telenovela “A morta sem espelho”.
- Trabalhou em adaptações de obras de Nelson Rodrigues e José de Alencar.
- Em 1965 fez sua estreia na TV Globo com “Quatro no teatro”.
- Atuou em novelas na TV Excelsior no fim dos anos 60, como “A muralha”.
- Em 1979 tornou-se a atriz mais bem paga da TV brasileira na emissora Bandeirantes.
- Seu contrato com a Globo durou até 2022, apresentando performances memoráveis em muitas novelas.
- Participou também de minisséries de sucesso como “O auto da Compadecida” e “Hoje é dia de Maria”.
- Cenas com Paulo Autran em “Guerra dos sexos” e ocasiões marcantes em “O dono do mundo” ficaram famosas.
Cinema
- Estreou nas telonas com “A falecida” (1964), papel marcante de Zulmira.
- Retornou a esse papel em curta-metragem em 2012.
- Trabalhou em filmes importantes como “Tudo bem”, “Eles não usam black-tie”, “Central do Brasil” e “A vida invisível”.
- Após “Central do Brasil”, recusou outras propostas internacionais por questões de estereótipo.
- Participou do projeto internacional “O amor nos tempos do cólera”.
- O filme “O auto da Compadecida” foi um enorme sucesso de público.
- Não participou da segunda parte do filme, sendo substituída por Tais Araújo.
- Primeira brasileira indicada ao Oscar de melhor atriz em 1999.
- Concorrera com atrizes como Cate Blanchett e Meryl Streep naquele ano.
- Recebeu elogios de colegas internacionais apesar de não ter vencido.
- Dentre suas entrevistas de destaque está uma com David Letterman, onde se apresentou de forma descontraída.
Curiosidades
- Casa da atriz foi assaltada várias vezes na Lagoa.
- Duas salas de cinema levam seu nome no Brasil.
- Recebeu o apelido de “Judi Dench latina” por críticos americanos.
- Foi editora por um dia do caderno cultural do jornal O Globo em 2009.
- Tem forte ligação com escolas de samba, especialmente a Mangueira.
- Compartilha técnicas vocais aprendidas com a amiga Bibi Ferreira.
- Fez uma manifestação pública polêmica beijando a atriz Camila Amado em um prêmio.
- Inspirou o compositor Milton Nascimento.
- Fez parcerias artísticas com sua filha Fernanda Torres e outros familiares em várias produções.
- Lançou seu livro de memórias em 2019.
- É membro da Academia Brasileira de Letras desde 2022.
- Recebeu várias homenagens e prêmios ao longo da carreira.
Vida Política e Reconhecimento
- Foi convidada a assumir o Ministério da Cultura em duas ocasiões, recusando.
- Recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito em 1999.
- Defende frequentemente políticas culturais e a Lei Rouanet.
- Faz críticas ao governo brasileiro em discursos públicos quando acredita ser necessário.
- Expressou apoio ao presidente Lula nas eleições de 2022.
- Recebeu diversos prêmios importantes, incluindo o Emmy Internacional em 2013.
Principais prêmios
- Revelação pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais em 1953.
- Melhor atriz no Festival de Brasília por “A falecida”.
- Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por “Central do Brasil”.
- Prêmios do jornal O Globo em várias ocasiões.
- Emmy Internacional de melhor atriz pelo especial “Doce de mãe”.
Fernanda Montenegro é uma referência nacional e internacional na arte da atuação, cuja trajetória é marcada por talento, dedicação e uma vida cheia de histórias memoráveis.