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Em dois anos, Lira troca discurso contido por defesa da democracia e da independência entre Poderes

Na primeira vitória, as palavras mais usadas pelo presidente da Câmara foram termos como ‘Casa’, ‘plenário’ e ‘deputado’; desta vez, ele preferiu ‘Brasil’ e ‘política’

(Pablo Valadares/Agência Câmara)

Em 2021, Arthur Lira (PP-AL) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados no esteio do tensionamento da relação entre a Casa, antes comandada por Rodrigo Maia (ex-DEM-RJ, hoje PSDB-RJ), e o então presidente Jair Bolsonaro. Aposta do ex-chefe do Executivo para evitar novas derrotas e fazer avançar pautas conservadoras, o expoente do chamado Centrão superou Baleia Rossi (MDB-SP) com uma margem confortável — 302 a 145 votos —, mas apostou em um discurso da vitória em tom contido, voltado para o apaziguamento interno e medidas de combate à pandemia da Covid-19. Reeleito nesta quarta-feira, Lira, se não abandonou a postura conciliadora, também optou por encampar uma mensagem mais enfática com foco na defesa da democracia e na independência entre os Poderes, além de recados direcionados ao Judiciário.

“Há duas tribunas, uma à esquerda e outra à direita. Ambas as tribunas estão à mesma altura e devem ser vistas com o mesmo distanciamento e ouvidas com a mesma proximidade”, disse o presidente recém-vitorioso em 2021, pouco depois de pedir um minuto de silêncio para as vítimas do coronavírus, em um aceno para todo o espectro ideológico da Casa. Apesar de críticas sutis a Rodrigo Maia, tratado por ele como autoritário — “temos de deixar de ser a câmara do EU e sermos a câmara do NÓS”, afirmou —, Lira elogiou Baleia Rossi e até o antecessor: “Nenhuma diferença ou discordância de nossa parte nunca será maior do que os pontos que nos unem e nossas convergências em torno daquilo que todos desejamos para um Brasil mais justo e melhor para a nossa gente”.

O discurso voltado para o público interno naquela ocasião é reforçado por uma análise dos termos mais usados no pronunciamento. As palavras mais frequentes foram “presidente” (15 vezes), sempre se referindo ao próprio posto, “Câmara” (13), “Casa” (12), “plenário” (nove) e “deputado” (oito). A mudança de tom na comparação com o momento pós-reeleição é nítida: desta vez, ele preferiu usar os termos “Brasil” (15 vezes), “democracia” (dez), “política” (oito), “Casa” (sete) e “brasileiro” (seis).

Cacifado pela votação recorde (464 votos de 513 possíveis) e mais de 50% maior do que na disputa anterior, Lira optou, agora, por tratar com mais ênfase da situação geral do país. Apoiado tanto pelo PL de Jair Bolsonaro quanto pelo governo Lula, ele recriminou veementemente os atos golpistas ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro, protagonizados justamente por apoiadores do ex-presidente e aliado:

“Esta Casa não acolherá, defenderá ou referendará nenhum ato, discurso ou manifestação que atente contra a democracia. Quem assim atuar, terá a repulsa deste Parlamento, a rejeição do povo brasileiro e os rigores da lei. Para aqueles que depredaram, vandalizaram e envergonharam o povo brasileiro haverá o rigor da lei”, assegurou Lira, que prometeu medidas para que “o fatídico 8 de janeiro não venha a acontecer nunca mais”.

Em 2021, a única referência mais direta às relações entre Poderes veio no contexto da Covid-19. “O país atravessa a mais cruel, devastadora e feroz pandemia do último século, o povo sofre com seus efeitos e mais do que nunca precisa que os poderes da República atuem com harmonia e responsabilidade, sem abrir mão de sua independência”, discursou. Na reeleição, a mensagem relativa ao tema foi mais objetiva, com direito a um pedido por “cada um no seu quadrado”:

“É hora de desinflamar o Brasil. Distensionar as relações. E os Poderes da República, pilares da nossa democracia, devem dar exemplo. É hora de ver cada um no seu quadrado constitucional, para voltarmos a ver os Poderes articulando, interagindo com a clareza exata de onde termina o espaço de um e começa o do outro”, cobrou o presidente da Câmara, que pregou contra a “judicialização” excessiva da política. “Não dá mais para usurpar prerrogativas, interferir em decisões amplamente debatidas, votadas e aprovadas. O Legislativo é o poder moderador da República e assim continuará sendo. Não dá mais para que as decisões tomadas nesta Casa sejam constantemente judicializadas e aceitas sem sustentação legal.”

Em outra referência clara ao Judiciário, tema quase inexistente na vitória anterior, Lira também fez críticas duras à Lava-Jato, ainda que não tenha citado nominalmente a operação.

“O processo de criminalização da política, iniciado há quase uma década, abalou a representatividade de diversas instituições e seus representantes. Transformaram denúncias, que deveriam ser apuradas sob o manto da lei, em verdadeiras execuções públicas. Empresas foram destruídas, empregos foram ceifados, reputações jogadas na lata do lixo. Esses atos, muitas vezes, burlaram as leis, o direito à defesa, e foram o estopim para um clima hostil em relação à política. E aqui não faço a defesa do mal feito. Quem faz algo errado deve pagar, responder por seus delitos, ou provar inocência e ter o direito de seguir em frente, de cabeça erguida.”

Por fim, Lira deu recados, mesmo que sutis, sobre a atuação recente do Supremo Tribunal Federal (STF) — embora não tenha, novamente, mencionado diretamente a Corte ou tratado de decisões específicas. Ao abordar a “liberdade de expressão de cada parlamentar”, o presidente da Câmara sinalizou a uma pauta cara ao bolsonarismo, cujos expoentes vêm sendo alvo de medidas frequentes de bloqueio de redes sociais e exclusão de conteúdos considerados falsos ou de teor golpista.

“Seguiremos devotos da democracia e, para tanto, serei uma voz firme a favor das prerrogativas e liberdade de expressão de cada parlamentar, porque precisamos exercer nosso mandato de maneira plena”, disse Lira.

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Idosa de 72 anos desaparece na Madrugada na Madalena; Família Implora por Ajuda

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A família de Vanúsia Costa Carvalho, de 72 anos, está mobilizada na Zona Norte do Recife em busca da idosa desaparecida na madrugada da última sexta-feira (31). Ela saiu sozinha por volta das 1h da manhã do prédio Edifício San Vitorio, localizado na Rua Jaguaribe, bairro da Madalena, Zona Oeste da capital.

Segundo relatos, Vanúsia foi vista pela última vez pela filha Ana, que mora no mesmo prédio, na noite anterior. Na manhã de sexta, Ana notou a porta do apartamento da mãe aberta e a ausência dela.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o genro Victor Pedrosa explicou que, ao obter imagens das câmeras de segurança do condomínio, descobriram que Vanúsia, diagnosticada com transtorno bipolar e início de demência, saiu sozinha de madrugada.

O comportamento registrado chamou atenção: morando no sexto andar e com dificuldades de mobilidade, ela evitou usar o elevador, desceu pelas escadas, passou pela área do estacionamento, e abriu o portão de veículos para sair à rua, talvez tentando evitar câmeras de segurança.

Nas imagens, Vanúsia aparece vestindo calça preta, tênis, blusa azul e casaco verde com capuz, cobrindo a cabeça, além de carregar uma mochila. Ao vistoriar o apartamento, a família percebeu falta de documentos, cerca de R$ 200 em dinheiro e possivelmente uma muda de roupas.

Vanúsia deixou seu celular, que já não usava há semanas, e não houve movimentações no cartão bancário dela.

A ausência de autonomia e o quadro de saúde da idosa tornam a busca urgente para a família, que iniciou ações próprias enquanto aguarda envolvimento policial.

Victor relatou que o contato com a polícia indicou que novas medidas somente seriam tomadas a partir da segunda-feira (3), o que levou os parentes a organizarem voluntários por meio de grupos de WhatsApp e buscarem imagens em câmeras de prédios vizinhos na região da Torre.

Considera-se que Vanúsia poderia estar a caminho do antigo apartamento no bairro da Torre, perto da Ponte da Capunga, onde morou até menos de um ano atrás, ou ainda na cidade de Olinda, onde cresceu e viveu com a mãe.

Para fortalecer a procura, familiares pedem que moradores e síndicos da Rua Jaguaribe e arredores busquem registros de câmeras por volta das 1h da madrugada do dia 31 para identificar se a idosa caminhou em alguma direção ou entrou em algum veículo, como táxi.

Segundo Anna Dolores Rangel, servidora pública e vizinha, Vanúsia esteve saudável e independente até o final do ano passado, quando passou por internação na UTI devido a infecção urinária, o que agravou seu quadro clínico e emocional.

Anna participou da distribuição de panfletos em pontos estratégicos da cidade, incluindo terminais, aeroporto e táxis, para ampliar as chances de localização.

A família reforça que a idosa tem diabetes e transtorno bipolar, passando por uma crise de mania de perseguição, e acredita que ela saiu com medo, precisando de cuidados médicos urgentes para estabilização.

Quem tiver informações pode entrar em contato pelo telefone (81) 9.9147-6664, ajudando a reunir pistas para o retorno seguro de Vanúsia Costa Carvalho.

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Tributo a Luiz Gonzaga reúne fãs e artistas no Recife

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Na tarde deste domingo (2), fãs e artistas locais percorreram as ruas do Bairro do Recife para homenagear os 37 anos desde o falecimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga do Nascimento, considerado um ícone pernambucano do século XX.

O evento, chamado II Tributo a Luiz Gonzaga, iniciou com um cortejo musical que saiu do Armazém do Campo, na Rua da Moeda, seguindo até o Teatro Mamulengo, na Praça do Arsenal.

No local, a programação incluiu apresentações de música e cultura popular, celebrando a obra de Luiz Gonzaga durante o 3º Grito Musical do Movimento Rebuliço Cultural.

Idealizado pelos jornalistas Márcio Maia, Ildefonso Fonseca e Rui Sarinho, o tributo visa fortalecer as raízes culturais e oferecer maior visibilidade aos músicos locais, além de ressaltar a importância de transmitir essa tradição para as novas gerações.

Márcio Maia explicou que o movimento surgiu da insatisfação com os cachês elevados pagos a artistas de fora durante o São João, enquanto os músicos locais, especialmente sanfoneiros, recebem valores muito menores e pagos com atraso.

Além de marcar a data da morte do cantor e compositor, falecido em 2 de agosto de 1989, Márcio destacou o propósito de conscientizar sobre a relevância e o valor da cultura pernambucana.

“Esperamos que as pessoas reconheçam o valor da nossa cultura. Pernambuco tem uma riqueza cultural imensa, desde o artesanato até a música e as artes plásticas”, acrescentou o jornalista.

Rui Sarinho ressaltou a importância da união dos artistas para conquistar seus direitos, afirmando que a mobilização coletiva é fundamental para serem ouvidos e respeitados.

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Gilson Machado e Gilson Filho participam da convenção de Raquel Lyra

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Gilson Machado e Gilson Filho são os principais representantes da Direita em Pernambuco e candidatos a postos legislativos. Gilson Machado concorre a deputado federal, enquanto Gilson Filho disputa uma vaga para deputado estadual, ambos pelo partido Podemos, que apoia Raquel Lyra.

Sem lançar candidato próprio para o governo do estado, a Direita viu Gilson Machado e Gilson Filho migrarem do PL para o Podemos com total liberdade para suas candidaturas. Esta movimentação demonstra a confiança e o alinhamento estratégico dentro da base de apoio a Raquel Lyra.

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