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Eleições 2026: Nossa Senhora Aparecida vira foco de polêmica nas redes sociais

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O suposto apoio do candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, à proposta de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil dominou o debate digital nesta sexta-feira. Pesquisa da Palver, empresa de análise do ambiente digital, revela que o tema viralizou nas redes sociais e aplicativos de mensagem, com pico de 735 menções a cada 100 mil mensagens na tarde de hoje. Flávio Bolsonaro negou ter dado apoio à proposta.

A Palver monitorou mensagens nas redes sociais (Instagram, X, Facebook, TikTok e Youtube) e nas plataformas de mensageria (WhatsApp e Telegram) entre os dias 24 e 25 de setembro, relacionadas à possível retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

Nas plataformas de mensagem, o pico foi de 15 menções a cada 100 mil mensagens. “O tema tem relevância política pois envolve diretamente a disputa pelo eleitorado católico, grupo estratégico na campanha presidencial de 2026, além de reacender a polarização entre grupos religiosos em um momento eleitoral delicado”, afirma o instituto.

O levantamento apontou que 73% das mensagens nas redes sociais eram críticas ao senador Flávio Bolsonaro, enquanto 23% manifestavam apoio. Já nas plataformas de mensageria, as críticas representaram 60% das menções, e o apoio, 40%. Segundo a Palver, esse movimento indica a atuação de grupos bolsonaristas na disseminação de desmentidos nesses canais.

De acordo com a Palver, a principal narrativa foi de indignação entre católicos e pedidos para não votar em Flávio Bolsonaro, correspondendo a cerca de 37% das mensagens clasificadas. “A maior consequência política é o risco de queda no apoio católico à candidatura do senador, mesmo após o desmentido do próprio e a retratação da GloboNews”, destaca o instituto.

O projeto que deu origem ao boato é o de número 2.623/2007, apresentado pelo ex-deputado e pastor da Assembleia de Deus, Victorio Galli, que propunha mudar o título de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado em 2008.

“O boato ultrapassou as divisões partidárias e alcançou grupos religiosos, onde a checagem dos fatos é mais lenta e o impacto emocional maior. A rápida viralização indica possível amplificação organizada, talvez com uso de redes de distribuição coordenada”, afirma a Palver.

Flávio Bolsonaro negou a intenção de promover alteração. “É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil. Respeito todas as religiões. Jamais vou dizer como a Igreja Católica deve atuar, isso não é função do Estado, ao contrário do que faz o presidente Lula“, disse a jornalistas, após cerimônia da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Apesar da negativa, o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, publicou vídeo no X defendendo as tradições católicas, afirmando que enquanto ele e Lula estiverem no poder, as tradições religiosas serão protegidas.

Recentemente, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, determinou que as plataformas Meta, X, TikTok e YouTube removam imediatamente publicações sobre essa narrativa falsa. Na decisão, o ministro reconhece que é inverídico que Flávio Nantes Bolsonaro ou sua família tenham proposto, apoiado ou pretendam promover a retirada da condição de padroeira do Brasil.

Nas eleições de 2022, Nossa Senhora Aparecida também foi motivo de debate, com grupos políticos disputando a presença dos candidatos nas festividades de 12 de outubro. Na ocasião, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o uso político da fé.

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