Brasil
Disputa sobre Nossa Senhora Aparecida movimenta fim da campanha eleitoral
Uma controvérsia em torno de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, está agitando a campanha eleitoral a seis dias da votação. O tema destaca a competição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu oponente Flávio Bolsonaro (PL) pela preferência do eleitorado cristão do país.
No domingo (27), Lula mencionou circulações nas redes sociais sugerindo que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa católica a condição de padroeira nacional. O candidato de direita refutou a acusação.
O Brasil possui a segunda maior população cristã do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme estudo do Pew Research Center divulgado em 2025.
De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 86,9% da população brasileira se identifica como cristã, sendo 56,75% católicos e 26,9% evangélicos, grupo que tem crescido rapidamente nos últimos anos.
“Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável (…) Não sei se isso é fake news, o fato é que essa ideia está fortemente presente nas redes sociais. (…) Ela continuará sendo padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e acredita”, afirmou Lula em entrevista à Band.
Essa declaração ocorreu após Flávio negar qualquer plano para retirar o título da santa, acusando o governo de espalhar desinformação.
“Todos sabem que sou uma pessoa que respeita todas as religiões”, declarou ele.
Pesquisa do instituto Quaest mostra que, entre os católicos, 48% pretendem votar em Lula, contra 29% em Bolsonaro. Entre os evangélicos, a tendência é inversa: 46% apoiam o candidato de direita e 27% optam por Lula.
A controvérsia teve início após reportagens indicando uma suposta preocupação da Igreja Católica com o status da santa.
Simpatizantes da esquerda trouxeram à tona nas redes sociais um projeto arquivado de 2007, apresentado pelo então deputado federal Victorio Galli (PP-MT), que visava tirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O projeto foi arquivado em 2008. Em 2019, Galli foi nomeado assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro.
Rapidamente, surgiram rumores sobre possíveis intenções atuais de Flávio Bolsonaro, embora ele não tenha se manifestado publicamente sobre o assunto.
Lula mantém ligeira vantagem nas pesquisas para o primeiro turno em 4 de outubro, mas aparece empatado com Flávio em um eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro.