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Direita confunde-se com extrema direita e precisa refletir para superar crise, afirma historiador

Arthur Guimarães de Oliveira
São Paulo, SP (FolhaPress)

O Brasil enfrenta uma crise no campo da direita. Os conservadores tomaram um caminho radical, adotando discursos da extrema direita e acabaram confundindo sua própria identidade política com essa vertente extrema.

Segundo Odilon Caldeira Neto, professor de história contemporânea na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), a única maneira de superar essa situação é com uma autocrítica profunda.

Em entrevista à Folha, o especialista em neofascismo e extrema direita no Brasil explica os símbolos usados por esses grupos para se comunicar, comenta sobre o possível surgimento de figuras digitais como o influenciador Pablo Marçal nas eleições de 2026 e defende a ampliação do entendimento e da resposta institucional para essas organizações antidemocráticas.

O que é a extrema direita e como ela aparece no Brasil?

A extrema direita é caracterizada pelo culto à autoridade, xenofobia, valorização do passado e defesa de uma nacionalidade específica. Essa ideologia, além de programática e discursiva, é antidemocrática e busca destruir a democracia, não reformá-la. No Brasil, isso ficou evidente recentemente.

O fenômeno conhecido como bolsonarismo, associado a Jair Bolsonaro, começou com sua eleição, mas depois buscou romper com a democracia. Assim, embora existam nuances, Bolsonaro inicialmente pode ser colocado na direita radical, mas se caracterizou como extrema direita ao longo do tempo.

O bolsonarismo é um conceito válido para explicar essa realidade?

Acadêmicos ainda debatem, mas o termo bolsonarismo é útil para compreender como Bolsonaro uniu diferentes grupos dentro da extrema direita, conservadores religiosos, militares, setores do agronegócio, e grupos antifeministas. É um fenômeno que representa a extrema direita no país.

É mais produtivo pensar em categorias amplas como extrema direita para entender essas dinâmicas do que em termos ligados a figuras individuais.

Com Bolsonaro preso, essa postura extremista pode mudar para algo mais moderado?

O extremismo não pode ser normalizado. Para que a direita moderada possa surgir, é fundamental que esse campo faça uma autocrítica profunda, entendendo a radicalização que veio antes e depois do bolsonarismo. Hoje, a identidade da direita no Brasil muitas vezes se confunde com a da extrema direita.

Essa crise só será resolvida com reconhecimento dos erros passados e vontade de mudança.

Figuras como Pablo Marçal têm chance nas eleições de 2026?

Embora seja uma tendência que candidatos disruptivos digitais apareçam, é improvável que tenham força majoritária. Bolsonaro e seus aliados procuram manter controle e coesão política. No entanto, em níveis estaduais e federais, podemos ver uma maior diversificação de discursos dentro da extrema direita, incluindo o ultraliberalismo e pautas conservadoras morais e religiosas.

Símbolos usados pela extrema direita são muitos e podem estar fora do radar público?

Sim, há um uso diversificado de símbolos por grupos neofascistas que rejeitam o sistema democrático e buscam referências no nazismo, fascismo e integralismo. Esses símbolos podem ser emojis como caveiras, espadas, relâmpagos, que remetem a esses movimentos.

Esses signos são difíceis de identificar para o público geral, pois ficam fora do mainstream político.

Além da suástica e símbolos nazistas, que outros símbolos a legislação deveria considerar?

A legislação brasileira deve ser atualizada para abranger uma gama maior de símbolos usados pela extrema direita, incluindo aqueles que vêm surgindo recentemente. A questão vai além do aspecto jurídico: é preciso ampliar o entendimento e monitoramento desses grupos para melhor prevenção e resposta institucional, aprendendo com experiências internacionais.

Sobre Odilon Caldeira Neto

  • Historiador, professor de história contemporânea na Universidade Federal de Juiz de Fora, pesquisador do CNPq, coordenador do Observatório da Extrema Direita e do Laboratório de História Política e Social da UFJF. Autor de “Neofascism and the Far Right in Brazil” (Cambridge University Press, 2025) e coautor de “O Fascismo em Camisas Verdes” (FGV Editora, 2020).
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Cidades

Polícia Civil de Pernambuco ganha 24 veículos novos

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A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) foi beneficiada nesta segunda-feira (3) com a chegada de 24 veículos SUV, modelo Spin. A entrega foi realizada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS/PE), nas dependências do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com o objetivo de expandir a frota destinada à segurança pública do Estado.

Os veículos serão alocados em delegacias circunscricionais e especializadas da Região Metropolitana do Recife, abrangendo as cidades de Abreu e Lima, Paulista, Igarassu, Moreno e Itapissuma, além de postos nas regiões do Recife (Ibura, Jardim São Paulo, Mustardinha, Várzea, Alto do Pascoal, Água Fria, Espinheiro, Casa Amarela e Ipsep), Jaboatão dos Guararapes (Prazeres, Piedade, Cavaleiro e Muribeca), Olinda (Peixinhos e Rio Doce) e Paulista (Engenho Maranguape).

O investimento mensal dos veículos locados soma R$ 149.751,36, totalizando mais de R$ 1,7 milhão ao ano.

O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, ressaltou a relevância da renovação da frota: “Cada veículo entregue simboliza uma equipe policial com maior agilidade na resposta e melhores condições para garantir a segurança do povo pernambucano e intensificar o enfrentamento da criminalidade”.

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Economia

Início das obras da Transnordestina pode acontecer em janeiro, diz superintendente da Sudene

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A Ferrovia Transnordestina voltou a ser destaque na reunião extraordinária promovida pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), na manhã desta segunda-feira (3). Durante o evento, o Superintendente da Sudene, Francisco Ferreira, afirmou que as obras têm grande chance de começarem em janeiro.

“Estamos projetando que em janeiro, provavelmente, iniciaremos os trabalhos, instalando o canteiro de obras na ferrovia. Até lá, vamos continuar atentos e esperançosos, pedindo apoio e acompanhando de perto”, afirmou o superintendente.

Em julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) já tinha aceitado parcialmente os recursos apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Infra S.A., permitindo a retomada das licitações para o trecho Salgueiro–Suape da ferrovia.

No entanto, a execução física das obras no trecho pernambucano permanece suspensa pelo tribunal.

Ferreira declarou que deve se reunir com o ministro do TCU e relator do caso, Jhonatan de Jesus, na próxima semana para tentar acelerar a liberação das obras.

“Vou discutir novamente com o ministro a questão do prazo, já que ele é responsável por decidir e emitir a nova resolução. Quero discutir a relevância da ferrovia para o estado e todos os benefícios que ela trará”, explicou.

O impasse sobre o trecho pernambucano começou em maio, quando o TCU suspendeu novos compromissos financeiros para retomar as obras entre Salgueiro e o Porto de Suape.

Naquela ocasião, o tribunal considerou que o projeto estava sem estudos atualizados que comprovassem a viabilidade econômica e social do investimento, além de apontar necessidade de análises técnicas, ambientais e operacionais mais detalhadas.

Desde então, o governo federal e a Sudene colaboram para cumprir as exigências do tribunal. Em junho, foi enviado um estudo sobre o trecho Salgueiro-Suape ao tribunal, que estimou um retorno social de R$ 4,7 bilhões, levando em conta impactos no emprego, renda e desenvolvimento regional.

Esse documento faz parte dos argumentos para justificar a retomada da obra. Apesar do progresso nas negociações, ainda não há uma decisão final sobre o início da construção.

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Mundo

Projétil atinge navio de carga no Estreito de Ormuz, diz agência britânica

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Um projétil de origem não identificada atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz, conforme informou a agência marítima britânica UKMTO na madrugada desta terça-feira (4), sem detalhar se houve feridos ou danos.

O navio, cujo nome permanece confidencial, comunicou à UKMTO que foi “atingido por um projétil desconhecido”, conforme divulgado pela organização. O incidente aconteceu a aproximadamente 37 quilômetros da cidade omanense de Al Khasab.

Na segunda-feira, o presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos estão em negociações com o Irã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, que tem afetado a passagem pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de hidrocarbonetos.

Trump afirmou que estas conversas representam a “última chance antes de uma ação severa contra” a república islâmica. Por sua vez, Teerã negou recentemente estar dialogando com Washington.

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