Brasil
Deputada eleita Ana Elisa relata ameaças na campanha
Ana Elisa Santos Silva, deputada federal eleita por Minas Gerais, revelou que enfrentou graves ameaças de morte e violência sexual durante sua campanha eleitoral.
A jovem parlamentar, de 21 anos, afirmou que as mensagens recebidas continham ataques machistas, racistas e ameaças de estupro.
Além disso, informações pessoais como endereço, telefone e documentos foram divulgados, levando o partido a contratar proteção armada para ela.
“Quando chegar a Minas Gerais, já terei escolta”, comentou Ana Elisa.
Ela também compartilhara em suas redes sociais prints de um e-mail recebido em 5 de setembro, no qual o autor alegava pertencer ao grupo supremacista branco Ku Klux Klan, declarando intolerância contra mulheres negras em cargos de poder e descrevendo planos para violentá-la.
Mulher mais jovem eleita
Ana Elisa conquistou 524.219 votos, ficando como a segunda deputada federal mais votada em Minas Gerais na eleição de 2026, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).
Ela é a mulher com maior votação na história do estado para a Câmara dos Deputados e a deputada federal eleita mais jovem do país.
Nascida em Divinópolis, região centro-oeste mineira, Ana Elisa estuda Direito e atuava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
Seu interesse pela política começou ao frequentar um sindicato com a mãe. Tornou-se conhecida nas redes sociais por produzir vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação, acumulando seguidores que ultrapassam 3 milhões no Instagram.
Aumento da violência política contra mulheres
No final de setembro, entidades civis apresentaram ao Tribunal Superior Eleitoral uma série de denúncias sobre violência contra mulheres candidatas em 2026, incluindo agressões físicas e verbais, além de ameaças.
Dados do TSE apontam que casos de violência política de gênero aumentaram onze vezes entre 2022 e 2026.
Como denunciar e buscar ajuda
Mulheres vítimas ou testemunhas de violência política podem buscar auxílio em vários órgãos do governo e da Justiça, como:
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, oferecendo atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas por dia via telefone, WhatsApp, e-mail e videochamada em Libras;
- Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público;
- Procuradoria-Geral Eleitoral, por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal;
- Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça;
- Polícia Federal, pelo canal Comunica PF e nas delegacias estaduais;
- Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União, para apoio jurídico e orientação.
Em situações de urgência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.