Economia
Déficit no BRB gera críticas contra governadora do Distrito Federal em debate na TV
Os candidatos ao governo do Distrito Federal (DF) intensificaram as críticas à atual governadora Celina Leão (PP) neste domingo, 9, durante o primeiro debate da corrida eleitoral de 2026, promovido pela Band. O principal tema foram os problemas financeiros no Banco Regional de Brasília (BRB), incluindo os escândalos ligados ao Banco Master de Daniel Vorcaro.
Celina destacou repetidamente que assumiu o governo no Palácio do Buriti há apenas quatro meses, após a saída do então governador Ibaneis Rocha (MDB), e que recebeu uma crise grave na instituição financeira.
“Não sou responsável pelos erros do Ibaneis, mas sou responsável pela minha administração, que começou há quatro meses”, afirmou a governadora do DF.
Mesmo com esses argumentos, os adversários destacaram a ligação entre Celina Leão e Ibaneis, de quem foi vice-governadora, dizendo que representam uma mesma gestão e referindo-se ao governo como sendo de ambos.
Sob pressão, Celina chegou a criticar o ex-governador ao responder ao candidato Kiko Caputo (Novo), que, assim como Ibaneis, presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF).
“O último governador era da OAB. Acho que o Distrito Federal dificilmente elegirá novamente um presidente da OAB”, declarou a governadora.
Kiko Caputo afirmou que o governo atual lembra muito as gestões de esquerda e que Brasília está envolvida no maior escândalo financeiro já registrado na região.
A candidata Paula Belmonte (PSDB) fez duras críticas a Celina, questionando sua alegação de desconhecimento sobre irregularidades no BRB e desaprovação da compra do Banco Master.
“Cadê a leoa e a botina que não estavam no Palácio do Buriti?”, indagou a tucana, numa alusão ao apelido político de Celina, apelidada de “leoa de botina” por seus aliados.
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), segundo nas pesquisas recentes, adotou um tom mais moderado em suas críticas, inclusive reconhecendo a possibilidade eleitoral da governadora, mesmo após críticas que recebeu dela.
Os candidatos de esquerda, Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT), também reprovaram a atual governadora, com Cappelli chamando-a de “camaleoa” por mudar de posicionamento a cada eleição.
Após o debate, Celina informou à Coluna do Estadão que ainda não decidiu se participará dos próximos debates, considerando ter sido atacada por todos os adversários.
No evento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve presente acompanhada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada Bia Kicis (PL). A governadora Celina Leão, que busca reeleição, participou ativamente do confronto promovido pela Band.
Damares compartilhou nas redes sociais registros do encontro entre as aliadas, afirmando que estava entre amigas assistindo ao debate, mostrando Michelle e Bia Kicis.
Também foram mencionados outros nomes do Legislativo, incluindo Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro.
A presença de Michelle acontece durante as negociações para sua possível candidatura nas eleições deste ano. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, anunciou a postulação da ex-primeira-dama ao Senado Federal, apesar de sua ausência em um evento partidário em Brasília, atribuída a uma crise de enxaqueca.
Este momento com Michelle ocorre no Dia dos Pais. Mais cedo, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo emocionado, em que escreve uma carta ao pai, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter negado um pedido para que o ex-presidente Bolsonaro, em prisão domiciliar, recebesse visita dos filhos.
Economia
Setores afetados por tarifas relatam desafios a ministro em evento da ApexBrasil em São Paulo
Setores produtivos do Brasil que foram impactados diretamente pelas tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos participaram para apresentar suas demandas e compartilhar os efeitos dessas tarifas durante a apresentação do Plano de Diversificação de Exportações, realizada nesta terça-feira (11), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
O encontro aconteceu no WTC Events Center, situado em São Paulo, em um evento organizado pela agência.
Conforme a lista de participantes, estiveram presentes representantes de vários segmentos, desde bens de consumo e produtos manufaturados até alimentos, rochas ornamentais e cadeias industriais.
Entre os setores participantes estavam: Abest, Abiepan, Centrorochas, Abiarroz, Abicab, Abicalçados, Abimapi, Abimo, Abiótica, Abit, Abrava, Anfacer, Apla, BFBA, CICB, Abiquifi, Abinee, Abra, Abihpec, Abimaq, Abimovel, Abipesca, Ibrac, Consevits-RS, IBGM, INP, Sindipeças e Abrafrutas.
A apresentação do plano teve como principal objetivo expandir destinos alternativos para as exportações brasileiras e diminuir a dependência comercial, principalmente diante do aumento das barreiras nos Estados Unidos. O formato do evento proporcionou espaço para que os setores expusessem os impactos sofridos nas vendas, contratos e as expectativas relacionadas ao acesso aos mercados.
Economia
BNDES libera R$ 54 milhões para atualizar Agrovale no Vale do São Francisco
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu dois financiamentos que totalizam R$ 53,99 milhões para a Agro Indústrias do Vale do São Francisco S.A. (Agrovale). Esses fundos, provenientes do Programa Fundo Clima, serão aplicados na modernização dos sistemas de irrigação e de geração de energia na unidade industrial da empresa em Juazeiro, Bahia.
Essas operações tiveram como estruturação o Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com apoio da Gerência Nordeste do banco. Os investimentos visam reduzir o desperdício de água, aumentar a eficiência no uso dos recursos hídricos e ampliar a utilização do bagaço de cana-de-açúcar como fonte renovável de energia.
Uma das operações, no valor de R$ 39,27 milhões, será empregada para substituir o sistema de irrigação por gravidade por um sistema localizado por gotejamento em cerca de 490 hectares de cana-de-açúcar. Essa alteração permitirá um controle mais preciso da aplicação da água, diminuição das perdas hídricas e maior precisão na fertirrigação, mantendo a área irrigada.
Com essa modernização, espera-se atingir uma eficiência operacional de cerca de 95% e reduzir as perdas de água para menos de 5%. O projeto inclui a instalação de estação de bombeamento, sistemas de filtragem, tubulações, válvulas de controle, automação hidráulica e emissores gotejadores, além de melhorias na infraestrutura elétrica e hidráulica.
A segunda operação, no valor de R$ 14,72 milhões, será destinada à atualização do sistema de geração térmica a biomassa da unidade industrial, incluindo melhorias na caldeira, sistemas de combustão, automação, instrumentação, monitoramento e controle.
Objetiva-se, assim, aumentar a eficiência energética da planta e ampliar o uso do bagaço de cana como combustível renovável. O Fundo Clima do BNDES apoia projetos que modernizam sistemas de irrigação para reduzir o consumo de água e promovem soluções para conversão de biomassa em energia.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, destacou que esses investimentos estão alinhados às ações para adaptação às mudanças climáticas e redução dos impactos ambientais.
“O financiamento para modernizar os sistemas de irrigação e o aproveitamento energético da biomassa apoia o objetivo do Fundo Clima de incentivar a adaptação climática, promovendo maior eficiência produtiva e tecnologias de menor impacto ambiental”, afirmou Mercadante.
Juliana Alves, superintendente Administrativa Financeira da Agrovale, ressaltou que a modernização faz parte da estratégia de sustentabilidade da empresa considerando o clima semiárido da região.
“Sustentabilidade é fundamental na estratégia da Agrovale. Produzir no semiárido requer uso eficiente e responsável da água, energia e demais recursos naturais”, declarou Juliana.
Ela complementou que os recursos possibilitarão a incorporação de novas tecnologias nos sistemas de irrigação e geração de energia, aumentando a eficiência operacional da fábrica.
“O apoio do BNDES, via Fundo Clima, e a estruturação pelo Bradesco viabilizam investimentos para modernizar a irrigação e aumentar a eficiência energética da nossa indústria”, afirmou Juliana.
Segundo Marina Gravina, diretora de Global Trade & Finance do Bradesco, esse financiamento reforça o papel do crédito para modernizar empresas e incentivar práticas sustentáveis.
“Essa operação evidencia o crédito como instrumento para apoiar investimentos que unem ganhos operacionais e sustentabilidade”, declarou Gravina.
A Agrovale atua há mais de 50 anos no Vale do São Francisco, área que destaca-se pela agricultura irrigada no semiárido. A empresa produz açúcar, etanol e bioeletricidade e investe em eficiência no uso da água e na utilização do bagaço de cana como fonte de energia renovável. Atualmente, a companhia gera cerca de 3 mil empregos diretos.
Economia
Efeito do El Niño na inflação dos alimentos é incerto, diz Ibge
O El Niño e as alterações climáticas constituem um risco significativo para a evolução futura dos preços dos alimentos no Brasil, conforme afirmou o gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, ao comentar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho, divulgado recentemente.
O pesquisador ressaltou que ainda não há condições para estimar com precisão o impacto no IPCA. De acordo com ele, o fenômeno provoca mudanças nos padrões de chuva e temperatura, o que pode afetar as plantações dependendo das regiões que sofram excesso ou falta de precipitação.
Gonçalves destacou a importância de acompanhar o desenvolvimento do evento, explicando que as alterações climáticas podem influenciar a produção agrícola e, consequentemente, a oferta de alimentos. “O El Niño modifica os padrões de chuva”, afirmou.
Ele mencionou que, em anos recentes, como 2024, também ocorreram eventos de El Niño, com impactos na alimentação, afetando itens como café e carnes em certos períodos.
Para o ciclo atual, a previsão é de um El Niño intenso, e o monitoramento contínuo será essencial para avaliar se a atual redução nos preços de alguns alimentos poderá perdurar ou se haverá reversão.
“No momento, qualquer previsão seria apenas especulação”, finalizou.
Em julho de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67%, contribuindo para um IPCA mensal de 0,07% e fazendo com que a inflação em 12 meses retornasse abaixo do teto da meta após dois meses acima.
Esse resultado foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que caiu 1,14%, enquanto a alimentação fora do domicílio aumentou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.
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