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Conflito na Etiópia aumenta com combates e queda da internet
O Exército Etíope e os insurgentes do Tigré se enfrentaram em pesadas batalhas noturnas na área de Afar, conforme relatou uma fonte humanitária nesta sexta-feira (25), além de terem sido registrados cortes de internet no norte do país.
Os combatentes da Frente Popular de Libertação de Tigré (TPLF) já travaram uma guerra civil contra o governo entre os anos de 2020 e 2022, conflito que causou aproximadamente 600 mil mortes, segundo dados da União Africana.
A TPLF esteve no comando de toda a Etiópia de 1991 a 2018, até ser excluída do poder com a ascensão do atual primeiro-ministro, Abiy Ahmed Ali.
Conflitos ocasionais nas últimas semanas aumentaram o receio de um novo confronto. As tropas federais também se deslocaram para a fronteira com Tigré e têm realizado dezenas de ataques usando drones desde agosto.
Recentemente, os rebeldes, que formaram uma coalizão com mais seis grupos armados, assumiram o controle de aeroportos locais e invadiram os estados limítrofes de Afar e Amhara, declarando estar em “guerra total” contra o governo central.
A população de Tigré teme um novo colapso nas comunicações, semelhante àquele ocorrido durante a guerra civil de 2020-2022.
O site de monitoramento NetBlocks informou na sexta-feira (25) uma queda no serviço de internet no norte da Etiópia, o que confirma relatos sobre o bloqueio das redes de comunicação em Tigré.
Fontes da AFP não conseguiram contato telefônico com representantes na região.
Uma fonte humanitária baseada em Afar relatou que ocorreram “batalhas intensas durante a noite” próximas à cidade de Abala, que faz fronteira com Tigré. “As forças federais conseguiram impedir a entrada dos insurgentes na cidade”, afirmou a fonte, destacando que o Exército usou drones no confronto.
Em Tigré, os preços dos produtos essenciais dispararam, levando moradores a fazerem compras em grande volume devido ao receio de falta de suprimentos.
O conflito corre o risco de se expandir para uma crise regional.
Alguns especialistas indicam que os rebeldes do Tigré têm apoio da Eritreia, que teme que a Etiópia, um país sem saída para o mar, tenha planos de avançar sobre seu território para ganhar acesso ao Mar Vermelho.
O conflito começou em 2020, quando o governo mobilizou as forças armadas para derrubar a administração regional que vinha desafiando sua autoridade há meses e, segundo o Executivo, havia atacado bases militares na área.