Economia
Como algoritmos afetam preços e ofertas no comércio eletrônico
No mundo digital, o valor de um produto ou serviço pode mudar em poucos minutos, influenciado por fatores como demanda, horário e estratégias comerciais das empresas, que analisam informações individuais dos consumidores.
No comércio eletrônico, algoritmos detectam o comportamento dos clientes e podem alterar ofertas e condições de compra por meio da precificação dinâmica, que ajusta preços em tempo real conforme diversas variáveis.
Com um mercado que movimentou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, entender o funcionamento, critérios e limites dessa tecnologia é fundamental para consumidores que querem comprar de forma consciente e informada online.
De acordo com Édrio Carvalho, desenvolvedor de software e CEO da VM Code, startup focada em tecnologia para comércio digital, o processo é parecido com observar um consumidor em loja física. O sistema monitora cliques, tempo na página, produtos no carrinho e compras anteriores para identificar padrões.
Édrio Carvalho detalha como algoritmos e inteligência artificial influenciam recomendações, preços e ofertas nas compras online.
A personalização determina quais produtos aparecem primeiro, anúncios mostrados e sugestões feitas ao consumidor. A precificação dinâmica altera preços conforme demanda, horário ou perfil do comprador.
Segundo Carvalho, é possível que consumidores vejam condições diferentes para o mesmo produto: um pode ter frete grátis, outro, em local distinto, não; também há condições exclusivas para clientes fiéis.
Um exemplo da consumidora Daniela Amorim revela essas variações. Usando o aplicativo Skyscanner, notou preços menores ao consultar direto o site da companhia aérea. Além disso, em navegação privada encontrou preços mais baixos que em sua conta logada.
“Quanto mais transparente for para o consumidor, mais difícil fica para lojas controlarem os dados de forma indevida”, afirmou Daniela Amorim, destacando a importância de comparar preços e buscar transparência online.
O problema surge quando a personalização explora fragilidades ou critérios discriminatórios.
Para o advogado Joaquim Pessoa Guerra Filho, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-PE, não há lei que proíba a precificação dinâmica ou personalização por algoritmos, mas existem obrigações de transparência, boa-fé e não discriminação.
Guerra Filho aponta que dados sensíveis como saúde e origem não devem ser usados para preços discriminatórios. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento dessas informações.
Joaquim Pessoa Guerra Filho esclarece os direitos dos consumidores frente à precificação por algoritmos.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a LGPD agem juntos: o CDC protege o consumidor vulnerável, e a LGPD regula o uso dos dados pessoais.
As empresas devem manter registros, auditar algoritmos e oferecer meios para contestar decisões automatizadas.
O consumidor pode notar produtos recomendados repetidamente, mas a personalização oculta, como a ordem de exibição dos produtos, é menos perceptível.
Carvalho alerta que a inteligência artificial deve aumentar a eficiência sem manipular o consumidor, evitando práticas abusivas.
Além da personalização de preços, o aumento do comércio eletrônico torna essencial a atenção contra fraudes. Em 2025, foram 2,3 milhões de tentativas de fraude e perdas médias de R$ 740 por vítima em golpes.
O Procon-PE recomenda desconfiar de ofertas enviadas por WhatsApp, SMS e redes sociais; sempre acessar o site oficial da empresa diretamente.
Atenção especial para lojas que aceitam só Pix ou boleto, pois ausência de cartão de crédito pode ser suspeita.
Para reduzir riscos, especialistas indicam comparar preços em várias plataformas, guardar evidências e ter cuidado com mensagens que criam urgência sem clareza.
Eliminar cookies pode ajudar, mas não elimina a personalização, que usa vários dados para direcionar ofertas.
Em caso de irregularidades, o consumidor deve registrar provas e procurar órgãos de defesa como o Procon.
O direito de arrependimento existe para compras online: sete dias após receber o produto ou contrato para desistir.
À medida que a inteligência artificial avança no comércio online, o equilíbrio entre conveniência, personalização e transparência é fundamental. Entender que cada clique alimenta sistemas de recomendação é essencial para compras conscientes.
Economia
Lojas de Recife passam por inspeção contra incêndios
Comércios localizados no Centro de Recife serão inspecionados preventivamente pelo Corpo de Bombeiros para orientar os lojistas sobre práticas de segurança contra incêndios. A ação ocorrerá de terça-feira (11) a quinta-feira (13), iniciando no Bairro de São José e continuando nos bairros Santo Antônio e Boa Vista.
De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL Recife), nos últimos dois anos, três incêndios ocorreram na área, afetando estabelecimentos comerciais e causando prejuízos às atividades locais.
Organizadas pela CDL Recife, as inspeções serão conduzidas pelo Comitê de Ações Preventivas do Centro do Recife em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE). O objetivo é detectar riscos e apoiar medidas de prevenção de acidentes.
O diretor institucional da CDL Recife, Paulo Monteiro, explica que a ação tem caráter educativo e não punitivo. Após a vistoria, cada estabelecimento receberá um Relatório de Orientação Preventiva com recomendações técnicas para aprimorar a segurança.
Paulo enfatiza que a iniciativa visa proteger o comércio, fortalecer o ambiente de negócios e preservar o patrimônio, sendo o primeiro passo de um projeto que será ampliado para Santo Antônio e Boa Vista.
O Comitê envolve membros do CBMPE, da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) por meio do 16º Batalhão, Neoenergia Pernambuco, Prefeitura do Recife, Defesa Civil do Recife, representantes dos lojistas de São José, Crea-PE e CDL Recife.
Incêndios recentes causaram danos significativos: em outubro de 2024, fogo afetou uma loja infantil perto da Praça Dom Vital e do Mercado de São José; em maio de 2025, o antigo prédio do Cine Glória foi tomado pelas chamas, impactando 13 estabelecimentos próximos; e em maio deste ano, um incêndio de grande proporção destruiu cerca de quatro lojas na região.
Economia
BC analisa formas de evitar xingamentos e ameaças em mensagens do Pix
O Banco Central está considerando novas ações para impedir o uso inadequado do campo de mensagens nas transações feitas pelo Pix, conforme divulgado no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, lançado nesta segunda-feira.
De acordo com o BC, originalmente o campo de mensagens foi criado para que quem realiza o pagamento pudesse deixar informações objetivas relacionadas à transação. Contudo, tem sido utilizado em algumas ocasiões para enviar mensagens ofensivas, ameaçadoras ou intimidadoras, frequentemente vinculadas a transferências de valores muito baixos.
Para encontrar soluções para esse problema, o BC formou um grupo de trabalho dentro do Fórum Pix, que agrega associações representando instituições financeiras e entidades da sociedade civil para debater o tema.
A intenção é discutir alternativas e encaminhamentos que preservem a integridade do Pix e garantam uma boa experiência aos usuários, sem alterar as características fundamentais do sistema.
“Com base nas conclusões desse grupo, o BC vai avaliar e poderá estabelecer, se necessário, novas regras para evitar o uso indevido do campo de mensagens”, informou o órgão no relatório.
O relatório também aborda o futuro do Pix, mencionando que o Banco Central está estudando a possibilidade de permitir pagamentos via Pix sem conexão de internet para o pagador, além de aprimoramentos no Pix automático e o desenvolvimento do Pix garantia, que permitirá o uso de fluxos de pagamentos futuros como garantia para empréstimos, especialmente para empresas.
O órgão regulador financeiro está considerando ainda um conjunto de medidas para aumentar a segurança do sistema, incluindo a criação de critérios claros para identificar operações suspeitas de fraude e a obrigatoriedade de alerta contra golpes pelas instituições financeiras.
Segundo o relatório, em 2025 foram realizadas quase 80 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 35 trilhões; aproximadamente 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas usaram o Pix para enviar ou receber pelo menos uma transação.
Esse número de pessoas corresponde a cerca de 86% da população adulta no Brasil. Atualmente, existem mais de 920 milhões de chaves Pix cadastradas, pertencentes a mais de 162 milhões de pessoas físicas e a mais de 16 milhões de empresas.
Economia
Exportação para União Europeia cresce 4% em 60 dias do acordo Mercosul-UE, diz Alckmin
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, 10, que existe um “protecionismo oculto” em algumas nações fundamentado em questões sanitárias. Alckmin não especificou quais países, mas o Brasil enfrenta obstáculos com a União Europeia na exportação de carnes.
A União Europeia suspendeu a importação de carne bovina e de frango do Brasil a partir de 3 de setembro. Segundo o bloco, isso se deve à ausência de comprovação das novas normas sobre o controle de antimicrobianos na pecuária brasileira.
“A fiscalização sanitária é crucial. Após 18 anos, quase mil profissionais foram mobilizados para reforçar essa vigilância. Atualmente, o Brasil exporta carne sem vacinação contra febre aftosa e está livre de influenza aviária, tendo controlado um surto em 28 dias. É necessário avançar, pois há um protecionismo velado relacionado à questão sanitária”, destacou o vice-presidente na abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
Mesmo diante dessas dificuldades, Alckmin ressaltou o aumento das exportações brasileiras à União Europeia nos últimos dois meses, após a entrada provisória em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Ele apontou um crescimento próximo a 4% nas exportações e afirmou que esse tipo de contrato tem auxiliado o Brasil a alcançar recordes, apesar dos desafios comerciais com os Estados Unidos.
Alckmin também reafirmou o compromisso do país em continuar negociando com os Estados Unidos, garantindo que o Brasil não abandonará as conversações.
“Estamos dedicados às negociações e não vamos sair da mesa. Continuaremos insistindo e evidenciando as injustiças”, disse ele. “Essa situação é injustificável e trabalharemos com firmeza para corrigir essa disparidade e reconquistar o mercado americano, que atualmente impacta 15% das nossas exportações, prejudicando significativamente a indústria.”
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