Mundo
Com alto custo de guerra, Rússia planeja aumentar impostos sobre empresas e mais ricos
Guerra da Rússia contra a Ucrânia custará ao bolso da população local; país sofre com dívida profunda por causa de conflito

Economia da Rússia sofre com os efeitos da guerra contra a Ucrânia. (Kutay Tanir/Getty Images)
A Rússia anunciou que planeja aumentar os impostos sobre empresas e pessoas ricas à medida que a invasão da Ucrânia pressiona as finanças do governo, de acordo com informações da Bloomberg. O plano do Ministério das Finanças introduziria um novo imposto de renda progressivo. Além disso, a alíquota do imposto sobre lucros corporativos subiria para 25% dos atuais 20%, a partir de 2025, conforme relatado pela Interfax. As taxas de extração de minério de ferro, potássio e fertilizantes fosfatados também aumentariam.
O pacote completo arrecadaria 2,6 trilhões de rublos (R$ 151 bilhões) adicionais em 2025, com mais da metade desse valor vindo do aumento do imposto sobre lucros corporativos. O Ministério das Finanças disse em um comunicado que as propostas foram submetidas ao gabinete e poderiam ser aprovadas na câmara baixa do parlamento antes do recesso de verão. O imposto de renda pessoal progressivo afetaria cerca de 2 milhões de pessoas, ou 3,2% da força de trabalho total, disse o Ministro das Finanças Anton Siluanov em um comunicado. As alíquotas variariam dos atuais 13% para aqueles que ganham até 2,4 milhões de rublos (R$ 140 mil) por ano a até 22% para aqueles que ganham mais de 50 milhões de rublos (R$ 2,9 milhões).
A Rússia tem registrado um déficit orçamentário desde o final de 2022, refletindo os altos custos da invasão da Ucrânia por Putin em fevereiro daquele ano. Os gastos com o Ministério da Defesa e o setor de segurança da Rússia estão se aproximando de 6,7% do produto interno bruto, níveis alcançados pela União Soviética no auge da Guerra Fria nos anos 1980, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, no início deste mês, segundo a Interfax.
Rússia com dívida profunda
O Kremlin aumentou os gastos fiscais após a reeleição do presidente Vladimir Putin em março, colocando o orçamento de volta em um profundo déficit, apesar do aumento nas receitas do petróleo. O déficit foi de 1,5 trilhão de rublos (R$ 7,7 bilhões) no acumulado do ano até abril, mais que o dobro do mês anterior, disse o Ministério das Finanças na segunda-feira. Embora não tenha detalhado os totais mensais, cálculos da Bloomberg mostram que o orçamento entrou em déficit de 877 bilhões de rublos (R$ 5,5 bilhões) em abril, após um superávit em março.
Os gastos estão aumentando rapidamente à medida que a guerra contra a Ucrânia absorve cada vez mais fundos. As despesas em abril aumentaram em um quarto em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo cálculos da Bloomberg, atingindo o nível mensal mais alto deste ano. A Rússia gastou 128 bilhões de rublos por dia em abril (R$ 7,7 bilhões) – contra 102 bilhões de rublos (R$ 5,9 bilhões) em março – um aumento acentuado que o Ministério das Finanças atribui a grandes pagamentos antecipados.
A generosidade compensou o aumento das receitas do petróleo em abril, que mais que dobraram em relação ao ano anterior. Apesar das sanções internacionais destinadas a limitar o fluxo de dinheiro para financiar a guerra na Ucrânia, a Rússia conseguiu contornar ou, pelo menos, atenuar as restrições. A Rússia tem registrado um déficit orçamentário desde o final de 2022, refletindo os altos custos da invasão da Ucrânia por Putin em fevereiro daquele ano. O governo está injetando recursos em indústrias cruciais para o esforço de guerra, garantindo crescimento de dois dígitos em setores que produzem bens usados pelos militares. A Rússia tem como meta um déficit orçamentário de 0,9% do produto interno bruto este ano.
Impacto na guerra Rússia-Ucrânia
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 desencadeou o pior colapso nas relações com o Ocidente em 60 anos, e a crise está escalando para o que diplomatas dizem ser sua fase mais perigosa até agora. A invasão causou a morte de dezenas de milhares de civis ucranianos, forçou milhões a fugir para o exterior e reduziu bairros e cidades inteiras a escombros.
A Rússia, que controla 18% da Ucrânia, está avançando e abriu uma nova frente na região de Kharkiv, desencadeando um debate no Ocidente sobre o que mais pode ser feito após dar a Kyiv centenas de bilhões de dólares em ajuda, armas e inteligência. Líderes ocidentais e a Ucrânia minimizaram os avisos da Rússia sobre o risco de uma guerra mais ampla envolvendo a Rússia, a maior potência nuclear do mundo, e a OTAN, a aliança militar mais poderosa do mundo liderada pelos Estados Unidos.
A Ucrânia diz que deve ser capaz de atacar além das linhas russas, incluindo o território soberano russo, para se defender. Mas os oficiais russos dizem que a paciência de Moscou está se esgotando após repetidos ataques ucranianos a cidades russas, refinarias de petróleo e, nos últimos dias, até mesmo contra elementos de seu sistema de alerta nuclear. Questionado pela televisão estatal russa sobre a legitimidade do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Putin disse que a única autoridade legítima na Ucrânia agora era o parlamento e que seu chefe deveria receber o poder. Zelensky não enfrentou uma eleição, apesar do término de seu mandato devido à lei marcial imposta após a invasão.
Mundo
Lula critica ONU por espalhar falsas informações em vez de resolver conflitos
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou em entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21) que os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) se concentram em disseminar desinformação ao invés de buscar soluções para conflitos armados.
“Esses países possuem as maiores economias, a tecnologia mais avançada, os maiores exércitos, marinhas e forças aéreas, além do maior arsenal nuclear – eles têm tudo. Deveriam ser os responsáveis por acabar com as guerras e promover a paz, mas fazem o contrário, apenas espalham mentiras”, afirmou Lula.
Sobre os conflitos atuais, principalmente na Faixa de Gaza, o presidente ressaltou que o mundo investe trilhões na indústria bélica em vez de direcionar recursos para saúde e educação.
Lula destacou que a prioridade principal deveria ser erradicar a fome globalmente. Para ele, a falta de capacidade das lideranças mundiais para solucionar disputas vem desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
“É necessário dar mais legitimidade e representatividade para a ONU, pois atualmente ela perdeu credibilidade. O Conselho de Segurança não funciona, assim como a Organização Mundial do Comércio.
A ONU não detém poder suficiente para evitar conflitos. O que faremos com essa instituição, criada após a Segunda Guerra Mundial e de enorme importância? O que os líderes estão fazendo? Nada”, criticou o petista.
Crise política na Venezuela
Questionado sobre a situação na Venezuela, Lula criticou a postura dos Estados Unidos, dizendo que eles aparentam governar o país sul-americano e controlar a presidente interina, Delcy Rodriguez.
“Os EUA dão a impressão de que estão comandando a Venezuela. Essa é a mensagem que passam. Em todos os documentos e acordos consultados, parecem ser os verdadeiros líderes da Venezuela”, afirmou Lula.
O presidente mencionou também declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o controle do setor petrolífero venezuelano.
Referindo-se ao ex-presidente deposto Nicolás Maduro, detido desde janeiro após intervenção militar americana em Caracas, Lula destacou que ele deve ser julgado com base em uma investigação rigorosa.
“Trump gosta de afirmar que controla o petróleo venezuelano para os EUA, que pagam pouco à Venezuela e que tudo está sob controle. Essa não é uma forma adequada de conduzir relações internacionais.
Se Maduro cometeu algum erro, ele precisa ser julgado com apuração séria dos fatos. É necessária uma investigação, pois um país não pode simplesmente acusar outro”, concluiu Lula para a CNN Internacional.
Mundo
Lula afirma que Trump garantiu a interlocutores que não vai interferir na eleição do Brasil
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou em entrevista à CNN Internacional, na segunda-feira (21), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a interlocutores que não pretende se envolver nas eleições brasileiras.
Lula considerou essa postura positiva, ressaltando que o processo eleitoral é uma questão interna que não deve sofrer influência da Casa Branca.
“Ele já afirmou para muitas pessoas que não interferirá nas eleições do Brasil. E é importante que ele tenha feito essa afirmação. Espero que ele aja dessa forma, pois esse é o papel adequado de um presidente”, afirmou Lula em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, em Nova York.
A entrevista foi realizada pela manhã e transmitida à tarde da mesma segunda-feira.
No entanto, o presidente brasileiro mencionou que o país identificou alguns sinais de tentativa de interferência, por meio da utilização de inteligência artificial, sem entrar em detalhes específicos.
“Não desejo que os Estados Unidos atuem em qualquer tipo de interferência. Há certas indicações de interferência usando inteligência artificial”, declarou Lula.
Crítica ao negacionismo
Ao comentar sobre o pleito eleitoral, Lula qualificou o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), como representante do negacionismo, enquanto ele próprio se define como um governante comprometido com o cuidado dos mais necessitados.
“O negacionismo no Brasil pode prevalecer nas próximas eleições. Entretanto, o negacionismo não deve prosperar em nenhum lugar do mundo.
O que funciona é uma política focada no bem-estar das pessoas, não para os governos, mas para a população. E sabemos realizar isso com sabedoria e dedicação”, declarou Lula.
Democracia versus barbaridade
Lula levou para o noticiário internacional o discurso presente em seus comícios de que a eleição representará uma escolha entre democracia e barbárie.
“A realidade é que a decisão no Brasil hoje não é simplesmente entre candidatos ou partidos. Trata-se de optar entre manter a democracia ou sucumbir à barbárie.
Ou abraçamos políticas que preservem o meio ambiente ou assistimos ao desmatamento; políticas que promovam inclusão social ou a marginalização dos pobres; o fortalecimento da cultura ou seu desaparecimento. É essa a verdadeira questão”, disse Lula.
Confiança na vitória e preocupação com o processo eleitoral
Ao ser questionado sobre a concorrência acirrada contra Flávio Bolsonaro, evidenciada pelas pesquisas, o presidente mostrou confiança na vitória, mas admitiu apreensão quanto à condução do pleito.
“Tenho convicção de que sairei vencedor, porque o Brasil necessita de democracia. Venceremos pois implementamos políticas essenciais em inclusão social, educação e saúde, áreas nas quais ninguém fez mais do que nós. Agora cabe ao povo decidir”, afirmou.
Elogios às urnas eletrônicas
Lula também enalteceu o sistema eletrônico de votação brasileiro.
“Nenhum outro país consegue realizar esse processo. Os resultados eleitorais aqui não são contestados”, declarou.
Posição sobre as políticas comerciais de Trump
Na mesma entrevista, Lula criticou a postura unilateral adotada por Donald Trump nas relações comerciais, descrevendo-o como “um imperador”. Defendeu o multilateralismo para garantir equilíbrio nas relações entre os países.
“O comportamento do presidente Trump tem um forte viés unilateral, algo que considero perigoso”, disse. “Essa abordagem promove uma relação baseada em quem é o mais forte ou quem possui mais arsenal.”
“O comércio deve ser equilibrado”, defendeu Lula.
Apesar de em tom de brincadeira, Lula reafirmou: “Ele age como um imperador”, e depois acrescentou, mais sério: “Não concordo com esse estilo de governar. É um modo que se resume: ‘Eu sou o mais forte.’”
Críticas ao aumento tarifário e busca de novos parceiros
Lula mencionou que o Brasil está empenhado em encontrar novos parceiros comerciais e criticou o aumento das tarifas imposto pelos Estados Unidos.
Ele também destacou que pretende continuar as negociações com os EUA e que é cauteloso na aplicação da Lei de Reciprocidade, não planejando utilizá-la enquanto conversas estiverem em andamento.
“Não temos intenção de confrontar ou desafiar o presidente Trump, nem de interferir nos assuntos internos dos Estados Unidos, mas o governo americano não pode governar outros países. Gosto de respeitar e ser respeitado”, assegurou Lula.
Lula chegou a Nova York no domingo (20) para participar da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para terça-feira (22). Ainda não há confirmação de encontro bilateral com Donald Trump.
Os EUA mantêm uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, implementada como punição por práticas comerciais consideradas desleais, após investigações que envolveram temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.
Em resposta, Donald Trump estabeleceu uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada à investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA sobre produtos fabricados com trabalho forçado.
O Brasil contestou as medidas junto à Organização Mundial do Comércio, argumentando que as tarifas americanas contrariam as normas internacionais do comércio, além de questionar a base das investigações que as justificam.
Mundo
EUA, Dinamarca e Groenlândia firmam acordo de segurança sobre a ilha
Os Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia irão oficializar um acordo referente à segurança da ilha na próxima terça-feira (22) durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, conforme comunicado pelo gabinete da primeira-ministra dinamarquesa nesta segunda-feira (21).
No início deste ano, o presidente americano Donald Trump causou uma tensão com seus aliados europeus ao mencionar a possibilidade de anexar este território autônomo dinamarquês localizado no Ártico, uma região estratégica e rica em recursos naturais.
O acordo, que foi anunciado recentemente, ainda não teve seu conteúdo detalhado divulgado.
Ele será assinado pelo presidente Donald Trump, pelo primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e pela primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, no edifício da ONU às 10h30, no horário local (11h30 no horário de Brasília).
Donald Trump declarou na sexta-feira que o documento garante aos Estados Unidos o “controle permanente” da segurança da Groenlândia, e o Departamento de Estado ressaltou que o acordo impede a instalação de bases russas e chinesas na ilha.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou à imprensa de seu país nesta segunda-feira que o pacto reconhece a soberania do reino e respeita o direito do povo da Groenlândia à autodeterminação.
Ela destacou, em entrevista para a rádio DR em Nova York, que esse é um acordo positivo para a Dinamarca e que traz benefícios para os países nórdicos, para a segurança na região do Ártico, além de ser vantajoso para a Otan e para a Europa.
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