Cultura
Cinderela: 35 Anos de Risos no Palco
Há 35 anos, Jeison Wallace subia ao palco do Teatro Valdemar de Oliveira, no bairro da Boa Vista, centro do Recife, para apresentar pela primeira vez uma versão de uma princesa que, normalmente, é direcionada às crianças.
Porém, a Cinderela – personagem que se tornou o nome artístico do ator – não era a clássica dos contos de fadas infantis, mas uma comédia cheia de humor local, com expressões e termos comuns ao vocabulário do pernambucano, como o famoso “Oxe, mainha!”.
“Cinderela: A História Que Sua Mãe Não Contou”, um dos espetáculos mais emblemáticos do teatro pernambucano, retornou aos palcos com sessões esgotadas no Teatro do Parque no final de semana passado, sábado (19) e domingo (20) – exatos trinta anos e meio após sua estreia, em 20 de setembro de 1991.
A estrutura que tornou a peça um sucesso permanece, com uma releitura do conto de fadas, bordões, humor e irreverência. O roteiro, contudo, foi atualizado para aproximar a narrativa do público atual.
“O espetáculo foi pensado para atingir todo o público pernambucano, não apenas um grupo específico”, destacou Jeison Wallace em entrevista à Folha de Pernambuco.
Ele recorda das risadas que a peça provocava ainda antes do início, com situações engraçadas na entrada, como incentivar o público a levar diversos itens para obter descontos, o que já gerava diversão e expectativa.
A companhia foi apelidada de Trupe do Barulho pelo jornalista e crítico teatral Valdi Coutinho em 1991, mesmo ano de estreia da peça, que era apresentada à meia-noite, no Teatro Valdemar de Oliveira, fugindo da programação convencional.
As primeiras sessões contaram com a presença de familiares e amigos, mas a divulgação boca a boca fez o espetáculo crescer em público.
Além do sucesso no teatro, a peça impulsionou a carreira de Jeison Wallace em outros meios, como televisão e rádio, tornando a personagem da Cinderela parte da vida de muitas pessoas.
O espetáculo permaneceu quase uma década em cartaz no Recife, além de encenar em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Natal, Maceió, João Pessoa, Brasília e Fortaleza.
Para os 35 anos do espetáculo, parte do elenco original retornou, incluindo Roberto Costa, Inaldo Oliveira, e Paulo de Pontes. O elenco atual conta com André Lins, Petreson Eloy, Luan Alves e Rick Thompson.
A celebração dos 35 anos segue até 30 de setembro no Shopping Tacaruna, com exposição de fotos, objetos e figurinos da peça.
Além disso, será lançado um especial no YouTube com curiosidades e histórias dos 35 anos da icônica personagem conhecida pelo bordão “Oxe, mainha!”.
Cultura
Escritora Maria Carolina Morais apresenta coleção de contos Boi Morto
Uma celebração de aniversário. Tempestade e alagamentos. Veículos, detritos e árvores levadas pelas águas. No meio desse cenário, um boi que parece morto, mas com os olhos abertos, como se ainda estivesse vivo.
Esta é a premissa do livro Boi Morto (Cepe), escrito pela escritora Maria Carolina Morais. Esta é a segunda obra da autora e a primeira lançada pela editora pernambucana. O livro contém seis contos que descrevem situações comuns, porém de maneira invulgar.
O cenário de destruição e o boi entre os objetos arrastados pela enxurrada criam uma tensão entre a experiência pessoal e a paisagem em decadência, que permeia toda a atmosfera da obra, que será lançada neste sábado (26), às 14h, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), localizada no Derby.
Contos independentes e interligados
Organizado por vozes femininas, o livro apresenta histórias autônomas mas com conexões sutis entre personagens que reaparecem e se deslocam ao longo dos textos.
“Essas narrativas de Maria Carolina Morais, construídas com independência e delicada coesão, revelam uma voz sólida em um livro profundo e surpreendente”, destaca o editor da Cepe, Diogo Guedes.
Segundo ele, a autora desenvolve uma prosa com moderação, que destaca as facetas trágicas e cômicas do cotidiano.
Experiência pessoal da autora
Maria Carolina enfatiza que as mulheres centrais das histórias refletem suas próprias experiências.
A escritora comenta que essas personagens são pessoas que ela encontrou e que, de alguma forma, ressoam dentro dela. O protagonismo feminino não foi um plano prévio, mas sim algo que surgiu naturalmente durante o processo criativo.
“Acredito ser uma expressão corporal de uma vivência que consegui externalizar”, explica.
Sobre o livro
Com 184 páginas, os primeiros textos de Boi Morto começaram a ser escritos em 2020, durante a pandemia da Covid-19.
Em 2023, os últimos contos foram finalizados.
Os contos se passam também no Recife, mencionando locais reais como a Rua Padre Lemos, em Casa Amarela, e a Praça Fleming, na Jaqueira.
Em meio a enchentes, relações familiares, violência e recordações, o livro retrata uma cidade íntima e estranha, onde os personagens buscam soluções para suas vidas.
Sobre a autora
Maria Carolina Morais é escritora, tradutora, pesquisadora e professora. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui pós-graduação pela PUC-SP.
Além disso, é mestre e doutoranda em Teoria da Literatura pela UFPE.
Informações do lançamento
O lançamento do livro acontecerá no sábado (26), às 14h, na Fundaj (Derby), localizada na Rua Henrique Dias, 609.
O exemplar estará à venda por R$ 70 no evento.
Cultura
Como nasce um perfume? Perfumista Veronica Kato explica o processo criativo
Anualmente, no dia 21 de setembro, comemoramos o Dia do Perfumista. Este profissional, também chamado de “nez” (que significa nariz em francês), possui uma habilidade única para identificar diferentes notas aromáticas. Ele é o responsável por criar as fragrâncias diversas que tornam uma marca ou pessoa reconhecível pelo cheiro.
Quantas vezes você já associou uma lembrança a um aroma particular? O perfume é mais que um simples produto; é uma marca sensorial.
Conversamos exclusivamente com Veronica Kato, a perfumista chefe da Natura há 20 anos, que é a mente por trás das fragrâncias da empresa durante essas duas décadas. Aqui estão algumas curiosidades sobre sua profissão e sobre a criação dos cerca de 40 aromas lançados por ano pela grande empresa de perfumaria brasileira.
Kato é formada em farmácia bioquímica e destaca que a criação de um perfume pode partir tanto das qualidades das matérias-primas quanto da intenção de despertar sensações específicas.
Ela também ressalta que a Natura foi a primeira empresa brasileira a usar a ‘oud’, uma madeira rara árabe, que está muito em alta na perfumaria mundial desde cerca de 2017.
Início do processo de criação
“A inspiração geralmente vem de um conceito ou tema que queremos transmitir na nova fragrância. Às vezes, esse impulso nasce de um ingrediente. Por exemplo, recentemente combinamos ingredientes da Amazônia com os do Nordeste, misturando baunilha amazônica, brasileira e de Madagascar.”
Tendências na perfumaria
“Observamos a tendência gourmet, onde a baunilha é protagonista, misturando notas doces com salgadas, além do uso crescente de diferentes castanhas, como pistache e castanhas brasileiras.
Também há o retorno das flores, mas de maneira mais abstrata e criativa. Criamos perfumes que misturam, por exemplo, gardênia brasileira, jasmim da Índia, peônia dos EUA, flor do mel do México e paramela da Patagônia, uma combinação bastante inusitada.”
Criando fragrâncias para despertar emoções
“Sim, criamos fragrâncias pensando em provocar emoções específicas. Este ano, lançamos três perfumes da marca Humor chamados Amor Mood Booster, que querem estimular sentimentos como ânimo, confiança e boas energias. Usamos ingredientes cítricos como mexerica, bergamota, grapefruit, limão, além de rosa e notas amadeiradas.”
Testes das essências
“Fazemos testes às cegas em São Paulo e Pernambuco, utilizando um aparelho que capta a sensação imediata do usuário assim que ele sente o perfume, sem que ele tenha tempo de pensar muito. A primeira impressão é sempre a mais verdadeira.”
Dica da perfumista
Evite esfregar os pulsos ao aplicar o perfume, pois isso pode quebrar as moléculas da fragrância e alterar sua alquimia cuidadosamente planejada.
O que é preciso para ser perfumista
“O perfumista é treinado para memorizar milhares de aromas e acordes olfativos. Mesmo quando o olfato não está perfeito, ele consegue trabalhar por causa da experiência. No aprendizado, o perfumista estuda os clássicos e investiga as sensações que cada ingrediente pode transmitir, como notas florais, amadeiradas e frutadas.”
A evolução do perfume no corpo
“O perfume muda ao longo do dia no contato com a pele, pois suas notas aparecem em três fases: saída, corpo e fundo. É um processo de alquimia olfativa que evolui com o tempo.”
Cultura
Força Aérea Brasileira procura helicóptero sumido em Santa Catarina com cantor Rick a bordo
A Força Aérea Brasileira (FAB), a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina estão realizando buscas para localizar um helicóptero que possivelmente caiu na noite desta segunda-feira (21) na região de Urubici, na Serra do Estado.
As buscas estão concentradas na última localização conhecida do telefone celular de um dos passageiros. A equipe de comunicação da dupla Rick e Renner confirmou ao Estadão que o cantor Rick estava na aeronave, acompanhado pelo empresário Bruno Avelar, por um cinegrafista da equipe de Avelar e pelo piloto.
Segundo a assessoria, o contato com o helicóptero foi perdido no início da tarde. As operações de busca estão concentradas na localidade de Vacas Gordas, onde os bombeiros receberam o alerta do desaparecimento.
Cerca de 20 bombeiros militares participam da missão, apoiados por veículos com tração nas quatro rodas para superar o terreno acidentado. As atividades enfrentam dificuldades devido às condições climáticas adversas em Santa Catarina.
A Força Aérea Brasileira, via Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), foi acionada para auxiliar na busca pela aeronave que partiu de Porto Belo (SC) e não chegou ao destino previsto.
O Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (ARCC-CW), conhecido como Salvaero Curitiba, está conduzindo as investigações e o planejamento para delimitar a área com maior possibilidade de encontrar o helicóptero.
Duas aeronaves especializadas em operações de busca e resgate, o Black Hawk (H-60) e o SC-105 Amazonas, estão engajadas na missão.
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