Economia
Brics Defendem União Econômica e Crescimento Global Justo
Os líderes dos países que formam o Brics, incluindo Brasil, China, Rússia e Índia, concluíram neste domingo (13) uma reunião de dois dias com um chamado para fortalecer a colaboração e promover um “crescimento econômico global justo”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está concorrendo à reeleição, enviou como representante o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O anfitrião da reunião, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, convidou os participantes a trabalharem juntos, destacando que os países do grupo “representam metade da população mundial, 40% do PIB global e mais de um quarto do comércio internacional”.
“A força do Brics está na nossa diversidade e parceria”, afirmou Modi aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
“Nosso objetivo tem sido promover um crescimento global que inclua a todos”, declarou.
“Podemos ter diferentes realidades, mas podemos avançar juntos por meio da colaboração para o progresso da humanidade”, completou.
Putin disse que o grupo trabalha por uma “nova ordem mundial multipolar mais justa”.
Xi Jinping destacou que “um mundo sem regras é como um cruzamento sem semáforos: caos e desordem são inevitáveis”.
O Brics foi criado em 2009 para unir as principais economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e, depois, África do Sul), fora das instituições dominadas pelos Estados Unidos e potências ocidentais, como o G7.
Desde então, o grupo se ampliou, incluindo países como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
No sábado, os líderes superaram suas diferenças sobre a guerra no Oriente Médio e emitiram uma declaração pedindo “máxima moderação” aos envolvidos no conflito.
O domínio econômico da China, que fornece muitas exportações para os parceiros do Brics, causou tensões no grupo.
Depois de uma reunião bilateral no sábado, Modi e Xi ressaltaram a importância de resolver preocupações, incluindo o desequilíbrio no comércio entre eles.
O déficit comercial da Índia com a China chegou a US$ 112 bilhões no ano fiscal de 2025-2026.
Xi Jinping deixou a Índia no domingo, após o fim da reunião.
Na declaração conjunta, os líderes do Brics reafirmaram seu apoio a um sistema comercial multilateral, aberto, justo, transparente e baseado em regras, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) no centro.
Perto da visita planejada de Xi Jinping aos Estados Unidos, ele pediu ao grupo que rejeite o protecionismo e apoie o comércio internacional aberto.
A participação de Xi é importante porque marca sua primeira visita à Índia desde 2019 e simboliza uma melhora cautelosa nas relações entre as duas potências nucleares rivais.
A visita ocorre seis anos após um confronto militar na fronteira entre China e Índia, e as relações têm melhorado com a retomada de voos, vistos e contatos de alto nível.
Xi Jinping declarou durante encontro com Narendra Modi que, mesmo com diferenças, os dois países podem complementar-se, ajudar um ao outro e alcançar sucesso juntos.
A visita também gerou protestos de tibetanos exilados em Nova Délhi, incluindo seguidores de seu líder espiritual, o Dalai Lama, que vive na Índia desde que fugiu da China em 1959.