Economia
Brasil amplia 525 mercados no agronegócio com potencial de 37,5 bilhões de dólares por ano
Em 2025, o Brasil conquistou acesso a 525 novos mercados para produtos agropecuários, expandindo a presença do país em 82 nações. Essa expansão representa um aumento potencial de US$ 37,5 bilhões nas exportações anuais brasileiras dentro de cinco anos, segundo o Ministério da Agricultura.
As proteínas animais lideram essa expansão, seguidas por material genético animal e alimentação para animais. O México foi o país com maior número de autorizações, com 24 mercados abertos para produtos brasileiros.
Essa ampliação das fronteiras comerciais se destaca pela possibilidade de exportar produtos antes bloqueados por barreiras sanitárias ou comerciais. Contudo, após a abertura, ainda é necessário cumprir processos como habilitação de empresas e negociações comerciais que podem levar até um ano para começarem a produzir resultados concretos.
O agronegócio brasileiro é fundamental para a economia nacional, representando quase metade das exportações totais em 2025, que alcançaram US$ 155,25 bilhões no período de janeiro a novembro, um crescimento estável em relação ao ano anterior.
Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, enfatiza que essa diversificação atende tanto à necessidade do Brasil quanto à demanda global por segurança alimentar e controle da inflação dos alimentos. Ele ressaltou o papel estratégico do país nesse cenário.
Destaques no setor privado incluem a liberação da carne bovina para o México após 20 anos, a exportação de algodão para o Egito, sorgo para a China e frango kosher para Israel, que é o único país autorizado a importar este tipo de carne segundo preceitos religiosos judaicos.
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, ressaltou que a abertura de novos mercados é vital para reduzir a dependência de poucos compradores e fortalecer a competitividade do setor de carne bovina no cenário internacional.
Os próximos mercados prioritários para abertura são Japão, Coreia do Sul e Turquia, com o Japão liderando as negociações devido ao seu potencial rentável.
A diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Sueme Mori, destaca a importância de ampliar também os acordos comerciais para garantir vantagens tarifárias, especialmente na Ásia, onde o Brasil ainda conta com pouca rede de acordos comerciais, à exceção de Cingapura.
Mesmo com recordes em novas aberturas de mercado, desafios como barreiras tarifárias e ambientais continuam a limitar o comércio efetivo em muitos países. A diretora da CNA alerta que negociações fitossanitárias e políticas comerciais precisam avançar conjuntamente para garantir o acesso pleno do agronegócio brasileiro em mercados estratégicos.