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Bets Iniciam Demissões Após Proibição das Apostas Online

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Menos de 15 dias depois da publicação da Medida Provisória pelo governo federal que proibiu e bloqueou plataformas de apostas online legalizadas no Brasil, as empresas do setor começaram a reduzir seus quadros de funcionários.

Um levantamento divulgado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, aponta que cerca de 3,5 mil trabalhadores diretos já foram demitidos desde a edição da medida, o que representa 23% da força de trabalho direta das operadoras.

Além dos cortes, outras 4.167 pessoas foram colocadas em férias coletivas, na expectativa de decisões por parte do Congresso, que precisa aprovar a MP para que ela se torne lei, ou do Supremo Tribunal Federal (STF), onde as operações de apostas solicitam suspensão da medida.

Segundo o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, o setor envolve diversas empresas e, considerando toda a cadeia de fornecedores e parceiros – incluindo tecnologia, publicidade, assessoria, análise de dados e segurança -, até 60 mil empregos diretos e indiretos podem ser afetados se a MP for mantida. Ele destacou que o destino desses empregos está ligado à decisão das liminares no STF, sob relatoria do ministro Luiz Fux.

“Esse cenário reforça a urgência da análise do pedido de suspensão da MP”, afirmou Plínio. A ANJL projeta que, em 90 dias, as demissões poderão chegar a 5,6 mil trabalhadores, correspondentendo a 37% da força de trabalho do setor.

Os cortes ocorreram principalmente em empresas menores e nacionais. Pesquisa da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig) indica que 36 das 188 marcas autorizadas já realizaram demissões recentemente. Entre as companhias brasileiras afetadas estão a H2Bet, que dispensou 170 dos seus 270 colaboradores, e a Rivalo Brasil, que praticamente extinguiu sua equipe nacional, estimada em 100 profissionais. Ademais, cerca de 500 trabalhadores de call centers também foram demitidos com a paralisação das operações.

A interrupção do setor impacta também outros segmentos econômicos, como o mercado imobiliário corporativo. Pesquisa da consultoria RealtyCorp nota a devolução de espaços comerciais, especialmente em São Paulo, onde as empresas mantinham sedes ou escritórios. Além disso, companhias que utilizavam coworkings planejam desocupar esses locais.

Reginaldo Diniz, CEO da agência de marketing esportivo End to End, afirma que “o dano prático da MP é a insegurança jurídica trazida ao setor”.

Para Igor Sá, executivo de iGaming com experiências em BETesporte, Esportes da Sorte, F12 e HiperBet, as pessoas que investiram em qualificação para o ambiente regulado de apostas estão sendo prejudicadas, criando uma insegurança clara para outros segmentos emergentes no Brasil.

Prazo para Saques se Encerra

Na última segunda-feira, terminou o prazo para que os apostadores realizassem saques voluntários diretamente nas plataformas de apostas. Conforme o Ministério da Fazenda, aproximadamente R$ 1,32 bilhão permanece em contas de 26,5 milhões de usuários que não retiraram os valores a tempo.

Embora tenham perdido o prazo, os apostadores não perderam o dinheiro, pois as plataformas estão repassando os valores restantes para instituições financeiras. A previsão é que os bancos façam a restituição diretamente aos clientes entre os dias 9 e 14 de outubro de 2026.

Se houver dificuldades operacionais nesse processo, a Caixa Econômica Federal atuará como intermediária a partir de 14 de outubro.

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