Economia
BC avalia risco de queda na agricultura em 2027 por El Niño
O Banco Central (BC) avalia que as previsões atuais indicam que o fenômeno El Niño pode afetar negativamente a produção agrícola em 2027. Os impactos do clima no agronegócio do Brasil apresentam variações significativas conforme a cultura e a região. Este estudo faz parte do Relatório de Política Monetária (RPM), intitulado “Efeitos dos eventos El Niño e La Niña na produtividade das principais lavouras brasileiras”, divulgado recentemente pelo BC. A análise considera um número limitado de eventos ocorridos entre 1990 e 2026.
Para o El Niño, os efeitos negativos são mais comuns em lavouras de milho, algodão e arroz, geralmente resultando em produtividades inferiores à média histórica em diversas unidades federativas, com impactos relevantes em muitos casos. Já na soja, os efeitos variam conforme o estado, tendendo a se equilibrar no total nacional.
Quanto à La Niña, os impactos climáticos são mais variados regionalmente e praticamente neutros em nível nacional, resultado de ganhos no Sul e perdas em parte do Matopiba. Observa-se efeito benéfico para a soja e adverso para o milho, especialmente na segunda safra. O relatório destaca que, embora esses fenômenos climáticos tenham uma influência importante nas variações da produtividade, grande parte das oscilações decorre de outros fatores não capturados pelos modelos analisados.
Nas culturas perenes, o BC não identifica efeitos claros do El Niño e La Niña na produção da cana-de-açúcar. O café, porém, apresenta resultados positivos associados à La Niña em nível nacional. O estudo ressalta que, apesar da contribuição significativa dos eventos climáticos para as variações produtivas, muitos outros elementos influenciam essa dinâmica.
Considerando as projeções atuais para o Índice Oceânico Niño Relativo (Relative Oceanic Niño Index – Roni), que indicam a ocorrência de El Niño até o segundo trimestre de 2027, o BC aponta possíveis impactos desfavoráveis para a produtividade nacional de grãos. Os prejuízos atingiriam principalmente milho, algodão e arroz, sendo que, para a soja, os efeitos esperados são mais restritos a determinadas regiões. Para o milho, o impacto negativo pode ser parcialmente amenizado pelo fato de que o índice Roni já estaria em queda durante períodos decisivos para a segunda safra.
O estudo também sugere que, coletivamente, esses efeitos climáticos tendem a resultar em um desempenho menos positivo da agropecuária em 2027, contribuindo para uma desaceleração do crescimento do Valor Adicionado Bruto do setor, aproximando-se de níveis estáveis. Entretanto, o BC ressalta que medir os impactos do El Niño e da La Niña na agricultura é complexo.
A pesquisadora afirma que as séries anuais são curtas e a quantidade de observações, especialmente de eventos intensos, é limitada, o que dificulta a identificação precisa dos efeitos. Portanto, é recomendada cautela na interpretação dos dados. As projeções para 2027 devem ser entendidas como indicações de risco para a produtividade agrícola e não como previsões definitivas da safra. Embora os fenômenos climáticos possam causar variações significativas em alguns casos, outras causas também explicam grande parte das oscilações produtivas observadas.