Economia
Banco Central explica corte da Selic para 13,75% em ata do Copom
Banco Central apresentou detalhes na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), sobre a decisão de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, ajustando para 13,75% ao ano, reduzindo de 14%.
Desde o início do ciclo de queda dos juros, em março, o Banco Central vem aplicando este ajuste moderado diante das várias incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio, o fenômeno El Niño e as dúvidas sobre a velocidade da desaceleração econômica no país.
No comunicado divulgado após a última reunião, o Banco Central destacou a recente desaceleração da atividade econômica e da inflação no Brasil, mantendo um tom cauteloso para as próximas decisões, devido aos riscos e incertezas elevados. A próxima reunião está marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
O comunicado reforça: “O cenário atual, com aumento significativo da incerteza e riscos elevados, exige cautela na política monetária. O Comitê continuará monitorando o cenário para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida”.
O Copom ajusta a taxa Selic buscando manter a inflação dentro da meta de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Recentemente, atualizou suas projeções oficiais para a inflação (IPCA), mantendo para o curto prazo a expectativa de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, e ajustando para cima as previsões de inflação para o final de 2026 e 2027, que ultrapassam o limite da meta.
Essas estimativas consideram a trajetória da Selic conforme o Boletim Focus, apontando 13,75% no final de 2026 e 12% em 2027. Também leva em conta a taxa de câmbio iniciando em R$ 5,15 e evoluindo de acordo com o poder de compra.
Quanto à inflação, após a surpresa positiva do IPCA em agosto (-0,32%), a autoridade monetária observou que tanto a inflação geral como as medidas subjacentes desaceleraram, retornando ao intervalo da meta, embora ainda acima de 3%.
O Banco Central segue atento às expectativas de inflação, que segundo o Boletim Focus, estão projetadas em 4,9% para o fim de 2026 e 4,3% para o fim de 2027.
Em relação à economia, o Banco Central manifestou maior confiança na desaceleração, indicando que os indicadores econômicos recentes mostram uma moderação gradual da atividade, refletida no crescimento do PIB de 0,5% no segundo trimestre de 2024 e em setores mais sensíveis à política monetária apresentando maior fraqueza.
O Copom também ressaltou que acompanha os desdobramentos da política fiscal nacional e seu impacto na política monetária e nos mercados financeiros, mantendo uma postura prudente diante do cenário incerto. Além disso, não alterou sua análise do cenário internacional, mesmo após o início da alta de juros nos Estados Unidos.