Brasil
Agropecuária avança em áreas próximas à Amazônia protegida
Nos últimos anos, a expansão da agropecuária nas regiões vizinhas às áreas de preservação na Amazônia, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas, tem sido significativa. Em 2025, essa atividade já ocupava 30,5% dessas regiões protegidas.
Esses dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que monitora a cobertura e uso do solo no Brasil de 1985 a 2025.
A área total usada para agropecuária na Amazônia atingiu 65,2 milhões de hectares em 2025, sendo que 13,6 milhões de hectares encontram-se próximos às áreas em que a vegetação original é legalmente protegida.
A proximidade das estradas com essas áreas protegidas exerce uma pressão adicional, especialmente onde a vegetação nativa constitui 98% do terreno. O estudo indica que as regiões mais próximas das vias são as que apresentam maior uso para agropecuária.
Dos 157 milhões de hectares até 5 km das 618 mil km de estradas mapeadas, 40,2% estão usados para atividades agropecuárias, o que equivale a 63 milhões de hectares, representando mais de 96% da área agropecuária do bioma.
À medida que se aumenta a distância das estradas, a presença da agropecuária diminui, abrangendo 26,7% dessas áreas.
Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e integrante do time do MapBiomas Amazônia, destaca que essa expansão representa uma ameaça à conservação da Amazônia.
“As estradas facilitam o acesso a áreas com vegetação nativa, o que promove a ocupação e a mudança no uso da terra. Nas áreas protegidas e seus entornos, essa pressão pode se transformar em expansão da agropecuária, mineração e outras atividades que alteram a paisagem local”, alerta.
O estudo aponta que em 41 anos a agropecuária cresceu 561% nas regiões ao redor das áreas protegidas da Amazônia.
Metodologia
A pesquisa combinou dados da Coleção 11 do MapBiomas com informações sobre estradas fornecidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e pelo OpenStreetMap.
O total de 618 mil km inclui também vias que não são oficialmente parte da malha rodoviária.
Desmatamento
O trabalho também atualiza as estatísticas do desmatamento na Amazônia em 2025, que teve o valor mais baixo desde o início da série histórica, com 693 mil hectares desmatados.
Deste total, 639 mil hectares foram em vegetação primária, áreas intactas, e 54 mil hectares em vegetação secundária, que já haviam sido impactadas, mas mantinham capacidade de regeneração.
Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, resultando em 74,6 milhões de hectares já alterados pelo uso humano.
Nas últimas quatro décadas, a formação florestal foi a mais afetada, com uma redução de 49,7 milhões de hectares, equivalente a 14,8%.
Agropecuária e mineração
Em 2025, a agropecuária ocupava 15,5% da Amazônia, totalizando 65,3 milhões de hectares, dos quais 50,8 milhões são pastagens para pecuária (12% do bioma) e 8,6 milhões destinados à agricultura (2%).
A mineração também cresceu, ocupando 440 mil hectares em 2025, contra 32 mil hectares no início da série, ampliando a área impactada 14 vezes em 41 anos.