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Segurança no Oriente Médio deve ser decidida pela própria região, afirma Araghchi

Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, destacou que a estabilidade duradoura do Oriente Médio deve ser determinada internamente, sem interferência externa. Segundo ele, quando o Direito Internacional é desrespeitado para atender interesses de potências globais, não se pode falar em Estado de Direito.

De acordo com Araghchi, a segurança autossustentável do Oriente Médio deve ser responsabilidade dos países da região, que precisam dialogar sobre segurança, desenvolvimento e futuro coletivo, sem imposições de forças estrangeiras. Ele proferiu tais declarações durante sua participação virtual no evento Global Town Hall 2026, ocorrido na Indonésia.

O ministro salientou que o mundo necessita urgentemente de uma grande transformação, uma vez que conflitos, intervenções, sanções e uso da força tornaram-se comuns nas relações internacionais. Ele observou que a guerra foi institucionalizada como um meio político, evidenciando que décadas de intervenção militar, sanções e conflitos prolongados na região não trouxeram segurança ou paz duradoura.

Araghchi ainda apontou que o atual cenário em Gaza transcende uma simples tragédia humanitária; ele representa um exame à responsabilidade e consciência coletiva global. O ministro denunciou ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, os quais, segundo ele, integram uma série de ações agressivas impunes, incluindo assassinatos seletivos de autoridades iranianas, ameaças, violações de soberania e ausência de punição para agressões.

Ele advertiu que a falta de uma resposta internacional eficaz poderia enfraquecer ainda mais os limites estabelecidos pelo Direito Internacional. Para ele, o momento exige um verdadeiro multilateralismo e uma nova abordagem que integre o desenvolvimento à segurança, respeite a soberania dos Estados, e aplique as leis internacionais de maneira imparcial sem prioridade a interesses político-estratégicos.

Araghchi concluiu afirmando que a paz está ao alcance por meio do diálogo, da construção de confiança, da cooperação e do respeito mútuo entre os países da região, e não pela presença militar estrangeira ou pela imposição de vontades externas.

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Brasil e EUA: relações e tensões pós alerta eleitoral

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório apontando um possível risco de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento, de caráter reservado, também destaca uma crescente pressão dos EUA sobre o Brasil, considerando interesses estratégicos na região.

O relatório foi enviado no final de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Conforme a avaliação da inteligência brasileira, existe uma preocupação com a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina, sendo essa prioridade do segundo governo do então presidente americano Donald Trump. A intenção seria afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos e recursos naturais na região.

Nos últimos meses, intensificaram-se as ações dos EUA em relação ao Brasil, não só no âmbito eleitoral, mas também através de medidas econômicas e políticas que têm afetado os interesses nacionais brasileiros.

Apesar disso, o governo brasileiro tenta manter um relacionamento diplomático e comercial equilibrado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado publicamente que mantém uma boa relação pessoal com Donald Trump, mesmo em meio às divergências.

Histórico das relações recentes

O contato amistoso entre Lula e Trump começou durante a Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025, onde ambos demonstraram boa sintonia. Contudo, essa aproximação não impediu dificuldades para a diplomacia e economia brasileiras.

Desde abril de 2025, os EUA aplicaram tarifas de 10% sobre produtos exportados por diversos países, incluindo o Brasil. Posteriormente, em julho, Trump elevou essas tarifas para 50%, considerando o Brasil uma ameaça à segurança nacional dos EUA, especialmente devido a ações brasileiras que limitaram redes sociais como Rumble e X (antigo Twitter), associadas a seus apoiadores.

Além disso, o governo americano reagiu à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, interpretando-a como perseguição política e intimidação contra opositores.

Impactos das tarifas e sanções

Junto às tarifas, os EUA aplicaram a Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (Alexandre de Moraes) e a sua esposa, impondo bloqueios financeiros e restrições. Outros ministros do STF também tiveram vistos cancelados, mas em dezembro de 2025 alguns foram removidos da lista de sanções.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro apoiou publicamente essas medidas e acabou denunciado por coação, além de ter seu mandato perdido após condenação pelo STF.

Em 2026, a Suprema Corte dos EUA limitou o poder do presidente americano em impor tarifas, forçando devolução de valores arrecadados. No entanto, os Estados Unidos continuaram a aplicar sobretaxas à exportação brasileira, alegando práticas desleais, como o uso do sistema PIX e questões ambientais.

Designação das facções criminosas e medidas diplomáticas

Em maio de 2026, os EUA classificaram as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, elevando tensões e preocupações por parte do governo brasileiro sobre possíveis consequências econômicas e militares.

Em agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora do Brasil Maria Luiza Ribeiro Viotti, justificando atraso na aprovação diplomática de seu indicado para o país. O Brasil contestou a ação, alegando violação da Convenção de Viena.

Diálogo e negociações entre Brasil e EUA

Apesar dos conflitos, Lula e Trump mantiveram encontros, como na ONU, em Malásia e em Washington, buscando esclarecer divergências e negociar relações comerciais. Um acordo bilateral para combater o tráfico de armas e drogas foi anunciado em abril de 2026.

Conversas telefônicas frequentes também mostraram empenho em retomar negociações e discutir conflitos internacionais.

Ambos os líderes se encontrarão novamente na 81ª Assembleia Geral da ONU, onde Lula abrirá o Debate Geral seguido pelo discurso do presidente americano. Contudo, não está previsto encontro bilateral entre eles.

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Israel prende suspeito de ataque na Cisjordânia

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O Exército de Israel informou neste domingo (20) que prendeu o possível responsável por um ataque ocorrido na Cisjordânia, que resultou na morte de um colono.

Antes do comunicado oficial, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou o que chamou de “ataque fatal” e afirmou que as forças de segurança já estavam atrás do suspeito.

O Exército também relatou outra tentativa de ataque próxima a Jenin, na mesma região. Lá, soldados reagiram e mataram um homem que tentou atingir os militares com um veículo.

Esses incidentes ocorreram poucas horas antes do início do Yom Kipur, a principal celebração do judaísmo, e pouco mais de um mês antes das eleições legislativas em Israel, consideradas bastante acirradas.

O ataque que causou a morte ocorreu na colônia Nevé Tzouf, perto da cidade de Ramallah.

O Magen David Adom, serviço equivalente à Cruz Vermelha em Israel, comunicou inicialmente sobre um homem na casa dos 30 anos que estava ferido por tiros e inconsciente.

O hospital Beilinson, localizado em Petah Tikva, no centro do país, confirmou posteriormente o óbito da vítima.

Segundo Israel Gantz, presidente da principal associação dos moradores dos assentamentos na Cisjordânia, a vítima era um colono.

O Exército detalhou que a prisão do suspeito ocorreu em um hospital próximo ao local do ataque, depois dele ter sido ferido a tiros por um soldado durante o atentado. Fontes palestinas indicaram que o hospital fica em Ramallah.

Em nota, o presidente de Israel, Isaac Herzog, declarou: “Na véspera de uma data sagrada, precisamos deixar claro que o terrorismo não nos vencerá”.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Existem mais de 500 mil israelenses vivendo em assentamentos considerados ilegais pela comunidade internacional, convivendo lado a lado com quase três milhões de palestinos.

A situação de violência na Cisjordânia tem se intensificado desde o início do conflito em Gaza, iniciado com o ataque do grupo islamista Hamas em outubro de 2023.

Atos de agressão de colonos contra localidades palestinas são frequentes, ocorrendo quase diariamente.

De acordo com dados palestinos e levantamentos da AFP, desde o início do conflito, mais de 1.100 palestinos morreram em confrontos com o Exército e colonos.

Do lado israelense, ao menos 49 pessoas, entre civis e membros das forças de segurança, perderam a vida em ataques ou operações militares palestinas.

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Eleições locais na Alemanha ameaçam governo de Merz

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Os alemães votam neste domingo (20) em dois estados regionais, onde o avanço da extrema direita e da extrema esquerda pode comprometer a administração já frágil do chanceler Friedrich Merz.

Merz, de 70 anos, convocou uma reunião urgente com líderes de seu partido, a CDU (centro-direita), para avaliar os resultados das eleições em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Quase quatro milhões de eleitores têm até as 18h00 (13h00 de Brasília) para escolher seus representantes nessas duas áreas.

O chanceler, em exercício há 16 meses, cancelou uma viagem à Assembleia Geral da ONU para lidar com as possíveis consequências dessas votações.

Recentemente, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, mostrou força ao derrotar a CDU no estado de Saxônia-Anhalt há apenas duas semanas.

A derrota veio acompanhada por uma queda significativa na popularidade do chanceler, que enfrenta obstáculos para aprovar suas reformas econômicas e sociais em parceria com os social-democratas do SPD.

Pesquisas indicam que a AfD deve sair fortalecida neste domingo, mas provavelmente não governará em nenhuma das duas regiões, diferente do que ocorreu em Saxônia-Anhalt, onde quase alcançou a maioria absoluta.

Merz recebeu apoio na última quarta-feira dos governadores de oito estados, todos da CDU, que afirmaram que a Alemanha necessita de “estabilidade, agora mais do que nunca”.

Disputas apertadas

Neste domingo, a CDU enfrenta desafios diferentes em cada região.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste, a CDU de Merz é apenas coadjuvante na corrida entre o SPD, liderado pela popular governadora Manuela Schwesig, e a AfD.

Uma pesquisa da rede pública ZDF indica que a AfD tem 36% das intenções de voto, o SPD 37% e a CDU apenas 6%.

Já na cidade-estado de Berlim, a CDU concorre com o Die Linke, partido de esquerda radical, que propõe medidas fortes para enfrentar a crise habitacional e possui amplo apoio entre os jovens.

Quando assumiu há quase um ano, Merz prometeu revigorar a economia debilitada, reconstruir as Forças Armadas como forma de dissuasão contra a Rússia e reduzir a imigração irregular para acalmar os eleitores preocupados e evitar que eles migrassem para a AfD.

Atualmente, a AfD lidera as pesquisas nacionais e a aprovação de Merz está pouco acima de 10%.

Popularidade em queda

“Pessoalmente, a situação é bastante crítica para Merz“, afirmou o pesquisador Roland Abold, do instituto Infratest Dimap.

“Na nossa pesquisa mais recente de setembro, apenas 13% demonstram satisfação com seu desempenho político. É o índice mais baixo já registrado para um chanceler em exercício”, disse Abold.

Especialistas acreditam que muitos dos problemas enfrentados por Merz têm origem internacional, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que causaram aumento nos preços dos combustíveis e pressionaram a inflação.

Além disso, o crescimento econômico da China transforma este tradicional mercado para as exportações alemãs em um rival industrial de peso.

Para o economista-chefe do banco Berenberg, Holger Schmieding, o recente aumento nos preços do petróleo e o debate público sobre sua sustentabilidade agravaram as dificuldades do chanceler.

No entanto, Schmieding acredita que é provável que Merz supere a atual crise política e complete seu mandato até 2029.

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