Notícias
PGR quer que Buzzi perca cargo de ministro do STJ por assédio
A Procuradoria-Geral da República reforçou nesta quinta-feira a solicitação para que o ministro Marco Buzzi seja responsabilizado por assédio e importunação sexual. No julgamento realizado nesta manhã, o órgão pediu que o Superior Tribunal de Justiça aplique a pena de indisponibilidade com perda do cargo, o que poderá fazer com que Buzzi seja o primeiro magistrado a ser removido da magistratura após o término da aposentadoria compulsória.
Conforme reportado pelo Globo, a Comissão da Sindicância que avaliou o caso sugeriu ao pleno do STJ que seja aplicada a pena máxima permitida na magistratura, incluindo a possível perda do cargo. Espera-se que a maioria do pleno do STJ siga essa recomendação, embora a condenação não seja unânime, com poucos votos de apoio a Buzzi.
Inicialmente, a PGR havia solicitado para que Buzzi fosse punido com aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais, antiga sanção máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura. A alteração na penalidade decorre de norma recente do Conselho Nacional de Justiça que regulamenta o fim da aposentadoria sanção, conforme decisão do STF.
No julgamento, participaram 28 dos 33 ministros que compõem a Corte. Ausentaram-se a ministra Isabel Gallotti, por suspeição no processo; o ministro Og Fernandes, diagnosticado com Covid-19; e o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. A outra ausência se deve à vaga aberta após a aposentadoria do ministro Antônio Saldanha Palheiro em maio.
O foco do julgamento são duas denúncias: uma jovem que afirma ter sofrido importunação sexual em uma viagem ao litoral de Santa Catarina, e uma ex-servidora do gabinete do ministro, que o acusa de assédio sexual. Buzzi nega as alegações e afirma sua inocência.
Se o STJ aplicar a pena máxima em Buzzi, o processo será encaminhado à Advocacia-Geral da União para que, em até 30 dias, proponha ação de perda do cargo contra o ministro no Supremo Tribunal Federal. Imediatamente, o cargo de ministro no STJ será declarado vago, abrindo a possibilidade para uma nova nomeação para a Corte superior.
Espera-se que a escolha do sucessor de Buzzi ocorra em conjunto com as sucessões dos ministros Paulo Saldanha, aposentado em maio, e Og Fernandes, com aposentadoria prevista para novembro. Assim, no final do ano, poderão estar abertas três vagas na Corte, potencialmente resultando na elaboração de uma lista sêxtupla para preenchimento dos cargos.
Esporte
Everton Ribeiro se submete a infiltração na coluna e fica fora do Bahia por 3 semanas
A ausência do experiente Everton Ribeiro nos jogos do Bahia desde o retorno da Copa do Mundo chamou atenção. Na quinta-feira, o clube confirmou que o meia de 37 anos estava enfrentando dores intensas na coluna e precisou realizar uma infiltração para aliviar o problema.
O Esporte Clube Bahia SAF comunicou que o atleta passou por um procedimento na região sacroilíaca. Desde maio, ele vinha sentindo um agravamento nas dores crônicas na região lombar.
Devido ao tratamento, o jogador deve permanecer afastado por cerca de três semanas. Durante a pausa para a Copa do Mundo, entre junho e julho, foi feita uma programação especial de atividades para ele, que não participou dos amistosos da intertemporada, mas as dores não melhoraram.
Considerando a situação, o clube decidiu encaminhar Everton Ribeiro para avaliação com um especialista em coluna em São Paulo, acompanhado por um profissional do departamento médico. O atleta foi submetido ao procedimento na quinta-feira.
No ano anterior, Everton já havia ficado afastado por um período após ser diagnosticado com câncer na tireoide. Ele celebrou a recuperação bem-sucedida e retornou em plena forma.
O jogador começará a recuperação no CT Evaristo de Macedo no início da próxima semana. Seu contrato com o clube vai até dezembro de 2026, e até o momento não existem negociações para renovação.
Esporte
Dan O’Toole: Confiança de Infantino para Vender a Copa
O plano da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma divisão comercial destinada a vender participações da Copa do Mundo a investidores, foi elaborado por Dan O’Toole, diretor do escritório executivo da entidade. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Times.
Segundo a publicação, O’Toole é um dos principais aliados de Gianni Infantino, presidente da Fifa, e desempenhou papel fundamental na criação da FFE. Ele participou de um grupo seleto de dirigentes que dedicou meses ao desenvolvimento da proposta antes de divulgá-la.
“Infantino utilizou um pequeno grupo de dirigentes para montar o plano, muitos dos quais tinham pouca experiência ou receio de denunciar que ele estava, de certa forma, comprometendo o futebol por interesses financeiros”.
O New York Times revelou que Dan O’Toole foi um dos três dirigentes que aprovaram o acordo antes do prazo, enquanto outros dois não deram seu aval. Além dele, participaram da decisão o secretário-geral Mattias Grafström e o diretor jurídico Emilio Garcia. O diretor de operações Kevin Lamour e o diretor financeiro Thomas Peyer recusaram apoiar a proposta.
De acordo com a mesma fonte, O’Toole, que possui perfil mais jovem, foi escolhido pessoalmente por Infantino para gerenciar as negociações com bancos durante a formulação do projeto. O presidente da Fifa manteve o projeto restrito a um pequeno grupo de dirigentes, mesmo durante conversas para vender ações à JP Morgan e à Thrive Capital, firma de private equity de Josh Kushner, genro de Donald Trump.
O plano foi revelado após reportagem do The Times, em 28 de julho, e a Fifa respondeu no mesmo dia explicando que pretendia vender entre 20% e 30% das ações a investidores privados. Para convencer as 211 federações filiadas, a Fifa havia preparado um programa chamado Fifa Fast-Forward (FFFP), que previa repasses financeiros iniciais. Para financiar essa etapa, a FFE visava captar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) no mercado.
As federações, lideradas pela Uefa, demonstraram preocupação com a falta de transparência no processo. Em 31 de julho, a Fifa desistiu do projeto e, dias depois, enviou uma carta às filiadas pedindo desculpas pela ausência de diálogo e garantindo que não seguiria com a proposta.
No entanto, o impacto já estava causado. A pressão das confederações por uma saída digna do presidente ítalo-suíço é intensa. Infantino não quer deixar o cargo e conta com o apoio da Conmebol, da Confederação Africana, além de algumas federações da Ásia e da Concacaf, como o México. A Uefa, que ameaça boicotar a Copa do Mundo caso ele permaneça, atua nos bastidores para encontrar um sucessor antes da eleição de março de 2027.
Mundo
Milionário pró-Trump assume Presidência da Colômbia
Abelardo de la Espriella, conhecido por seu estilo excêntrico e falastrão, tornou-se na última sexta-feira o novo presidente da Colômbia. Apelidado de “El Tigre”, ele derrotou a esquerda com um discurso antissistema e o compromisso de enfrentar o narcotráfico crescente.
Com 48 anos, este outsider apoiado por Donald Trump abandonou uma vida luxuosa na Itália para ingressar na política, conquistando sua primeira vitória.
Em um segundo turno disputado, venceu o senador Iván Cepeda, aliado do então presidente Gustavo Petro, que encerrou seu mandato como o primeiro líder de esquerda da história colombiana.
Antes da posse, de la Espriella declarou que o país estava deixando para trás uma fase difícil e que a democracia havia decidido por ordem, autoridade e esperança.
Um líder caribenho, ultradireitista e católico
Ele representa o descontentamento de uma parte da população contra partidos tradicionais, a esquerda e a insegurança. Em suas aparições públicas, marcadas por fogos e gritos de tigre, prometeu restaurar a República e defender a democracia, se necessário, pela força.
Adotando um tom antissistema distinto da direita tradicional, ameaçou enfrentar e punir o que chama de máfia que controla o país.
De la Espriella acredita que pode transformar o Estado em uma organização eficiente, inspirando-se em líderes como Javier Milei, Nayib Bukele e o próprio Donald Trump.
Além de advogado, ele é cantor amador de ópera e tem um estilo peculiar, usando ternos sem gravata e roupas que remetem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sua campanha enfrentou críticas por declarações tidas como machistas e homofóbicas, mas sua popularidade permaneceu intacta.
Vida de luxo e questionamentos
Com dupla cidadania colombiana e americana, de la Espriella é frequentemente questionado sobre sua fortuna e seus laços antigos como advogado.
Antes da política, mostrava em redes sociais seu estilo de vida luxuoso, com viagens em jatos particulares e roupas de grife.
Ele circula protegido por uma equipe de segurança devido a ameaças que recebeu.
Pai de quatro filhos, se diz preparado para governar com determinação o país que é o maior produtor mundial de cocaína e vive um conflito armado há mais de 60 anos.
Promete eliminar criminosos que não se entregarem à Justiça e planeja firmar alianças militares com Estados Unidos e Israel para combater as organizações criminosas.
Propõe também o fim do tribunal estabelecido pelo acordo de paz com as Farc, que julga os crimes do conflito armado.
Diz ter deixado uma vida confortável em Florença para se sacrificar pela nação.
Estilo e controvérsias
Seu jeito irreverente já gerou polêmicas, como ao pedir para “estripar” a esquerda — declaração pela qual pediu desculpas depois.
Costuma ser representado como um tigre feroz em suas aparições públicas, cria sua própria marca de roupas e promove seus negócios de vinhos e runs nas redes sociais.
Defende o direito ao porte de armas, a redução do tamanho do Estado em 40% e a construção de presídios subterrâneos com condições mínimas.
Apesar de criticar políticos tradicionais, seu governo conta com figuras conservadoras conhecidas.
De la Espriella afirma seguir princípios judaico-cristãos, embora tenha sido ateu no passado.
Cresceu em uma família de pecuaristas na região caribenha da Colômbia, vivenciando uma infância simples, entre pescarias e brincadeiras ao ar livre, semelhante à juventude de Tom Sawyer.
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