Mundo
Idec solicita suspensão do Grok no Brasil após geração de imagens pornográficas pela IA de Elon Musk
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) formalizou nesta quarta-feira, 14, uma denúncia junto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra o chatbot de inteligência artificial desenvolvido por Elon Musk, chamado Grok.
No documento, o Idec pede a suspensão imediata do uso dessa ferramenta no Brasil, alegando que ela possibilita a criação em massa de imagens sexualizadas não autorizadas e deepfakes pornográficos, afetando principalmente mulheres, crianças e adolescentes.
Em dezembro, usuários da rede social X perceberam que o Grok podia modificar fotos de outras pessoas na plataforma, gerando imagens sexualizadas não consentidas, inclusive de menores de idade. A ferramenta permitia inserir biquínis, tornar roupas transparentes, alterar ângulos das imagens para deixá-las sugestivas e até adicionar objetos sexuais às fotos.
Essa situação levou à investigação e, em alguns países, à restrição ou suspensão do serviço, como Indonésia, Malásia, União Europeia, Reino Unido, França e Índia. No Brasil, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) acionou a ANPD e apresentou representação ao Ministério Público Federal contra o uso do Grok.
O Idec alerta que manter uma ferramenta que cria e dissemina imagens sexualizadas envolvendo públicos vulneráveis representa violação direta da Constituição, exigindo medidas como a suspensão do serviço enquanto os riscos persistirem.
A denúncia destaca que o Grok viola o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Marco Civil da Internet. Espera-se que a ANPD atue rapidamente para proteger as vítimas cujas imagens são usadas ilegalmente em práticas abusivas.
Em resposta, a ANPD declarou que está analisando as denúncias e trabalhando em cooperação com outros órgãos públicos para apurar possíveis infrações da LGPD pela ferramenta.
A ação do Idec cita também a decisão do Supremo Tribunal Federal que responsabiliza plataformas digitais pela remoção de conteúdos ilegais, deixando claro que empresas não podem se eximir de seus deveres constitucionais mesmo com a arquitetura tecnológica favorecendo a ocorrência de danos.
O órgão destaca falhas nos mecanismos de segurança do Grok, que não solicitam consentimento dos retratados, permitem uso de fotos de menores e não bloqueiam comandos abusivos ou ilegais, priorizando o engajamento em detrimento da proteção de direitos.
A empresa dona do Grok, xAI, desativou recentemente a função de criação de imagens para usuários não pagantes, mas o Idec considera que essa medida é insuficiente para evitar danos futuros, já que riscos estruturais persistem.
Segundo análise da ONG AI Forensics com mais de 20 mil imagens, mais da metade das fotos geradas pelo Grok mostravam pessoas com pouca roupa, sendo 81% mulheres e 2% com aparência de menores.
Um estudo da consultoria Genevieve revelou que, em um período de 24 horas, o Grok produziu 6,7 mil imagens por hora com características sexualmente sugestivas ou nudez, enquanto outras principais plataformas de IA geravam em média 79 imagens por hora, com 85% das imagens do Grok contendo conteúdo sexualizado.
Julia Abad, pesquisadora do programa de telecomunicações e direitos digitais do Idec, ressaltou que ninguém deve ter sua imagem usada para humilhação ou sexualização, especialmente crianças e adolescentes, e que o serviço continua operando de forma inadequada gerando lucro para a plataforma enquanto suas políticas internas falham em impedir abusos.
O X ainda não respondeu formalmente à denúncia do Idec. Em janeiro, a plataforma afirmou estar tomando medidas contra conteúdo ilegal, especialmente pornografia infantil, removendo tais conteúdos, suspendendo contas e colaborando com autoridades locais. Elon Musk defendeu que usuários que produzirem conteúdo ilegal sofrerão consequências equivalentes às previstas na lei.
O bilionário criticou os políticos que pedem bloqueios, dizendo que esses opositores buscam suprimir a liberdade de expressão. Ao lançar o Grok, Elon Musk apresentou o chatbot como uma IA com uma inclinação para abordar questões polêmicas, buscando a verdade máxima mesmo que não fosse politicamente correto.
Julia Abad afirmou que a pressão sobre as plataformas é fundamental para garantir que cumpram suas obrigações legais e para que medidas efetivas sejam tomadas para proteger os direitos das pessoas.
Mundo
Projétil atinge navio de carga no Estreito de Ormuz, diz agência britânica
Um projétil de origem não identificada atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz, conforme informou a agência marítima britânica UKMTO na madrugada desta terça-feira (4), sem detalhar se houve feridos ou danos.
O navio, cujo nome permanece confidencial, comunicou à UKMTO que foi “atingido por um projétil desconhecido”, conforme divulgado pela organização. O incidente aconteceu a aproximadamente 37 quilômetros da cidade omanense de Al Khasab.
Na segunda-feira, o presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos estão em negociações com o Irã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, que tem afetado a passagem pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de hidrocarbonetos.
Trump afirmou que estas conversas representam a “última chance antes de uma ação severa contra” a república islâmica. Por sua vez, Teerã negou recentemente estar dialogando com Washington.
Mundo
Conselho de Paz de Trump acalma Israel sobre saída em Gaza
O Conselho de Paz do presidente Trump, responsável pela implementação da segunda fase do plano para a Faixa de Gaza, garantiu nesta segunda-feira (3) a Benjamin Netanyahu que a saída de Israel do território palestino só ocorrerá após o completo desarmamento do Hamas, mesmo diante das objeções do primeiro-ministro israelense.
O desarmamento do grupo islamista, que controla Gaza desde 2007, é um dos principais desafios para a resolução do conflito com Israel, após o cessar-fogo prorrogado para outubro de 2025.
“Confirmamos que a retirada de Israel além da Linha Amarela será feita apenas depois do desarmamento total, conforme compromisso do Hamas com os mediadores”, declarou o Conselho na rede X, referindo-se à linha que delimita as áreas sob controle do Hamas e de Israel.
Nikolai Mladenov, representante sênior para Gaza no Conselho, reuniu-se hoje com Netanyahu numa reunião que descreveu como complexa, mas afirmou que foi alcançado um consenso sobre os objetivos comuns com Israel.
Israel havia mostrado discordância ao texto publicado pelo Conselho na última quinta-feira, que sugeria uma retirada gradual no território palestino e a cessação imediata dos ataques israelenses em Gaza.
Um porta-voz de Netanyahu informou à AFP que “Israel expressou preocupações sobre a proposta apresentada”, evidenciando tensões entre os aliados apesar do encontro recente entre o primeiro-ministro israelense e Trump em Washington.
O porta-voz, Doron Spielman, complementou que “a versão pública não representa a posição de Israel”. O Hamas confirmou na sexta-feira que aceitou o plano elaborado pelo Conselho.
A proposta prevê a cessação das operações militares por ambas as partes e o desmantelamento das armas do Hamas, as quais seriam confiadas ao Comitê Nacional para Administração de Gaza (NCAG), órgão técnico palestino que administraria o território em fase de transição.
Esse processo de desarmamento estaria ligado a uma retirada gradual das forças israelenses. A Força Internacional de Estabilização (ISF), em formação, será ativada para separar os militares israelenses das áreas sob controle do NCAG.
No entanto, Israel reafirmou que não pretende se retirar e continuará neutralizando ameaças, conforme fonte política local.
Após o anúncio do acordo, Israel continuou com seus bombardeios na faixa de Gaza, somando mais de dez ataques aéreos desde domingo, que resultaram em 19 mortes, segundo fontes de segurança locais.
Hoje, um ataque israelense atingiu um veículo no oeste da cidade de Gaza, matando dois palestinos e ferindo outros, conforme informado por Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil. O exército israelense declarou que o alvo eram dois indivíduos específicos.
Violações contínuas
Os países mediadores, Catar, Egito e Turquia, condenaram Israel por suas recentes ações, chamando-as de violações graves do direito internacional e humanitário na região palestina.
Desde outubro, mais de 1.200 palestinos morreram em Gaza, de acordo com as autoridades locais, enquanto Israel registrou a perda de cinco soldados e um empreiteiro civil no mesmo período.
Trump descreveu essa fase do plano como um avanço significativo para encerrar o conflito iniciado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Doron Spielman declarou que a inteligência israelense confirmou que o Hamas se rearmou e recrutou novas pessoas desde o cessar-fogo, sinalizando preparação para ataques futuros semelhantes aos de 7 de outubro.
“A etapa inicial essencial para um acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e definitiva do Hamas”, afirmou. “Qualquer ação que não garanta a desmilitarização completa permitirá que o grupo volte a ameaçar Israel.”
O Hamas defende há tempos o desarmamento gradual, com a entrega das armas a um órgão independente após os acordos de paz, ao invés de uma rendição imediata e unilateral.
Mundo
Drones da Ucrânia atacam praia na Rússia e matam sete, incluindo três crianças
Um ataque com drones realizado pela Ucrânia causou a morte de sete pessoas, entre elas três crianças, em um resort de praia na cidade de Gelendzhik, segundo informações do governo russo. Quarenta pessoas ficaram feridas no incidente, ocorrido às margens do Mar Negro.
Vídeos compartilhados nas redes sociais exibem o momento em que um drone parece colidir com uma área movimentada da praia em Gelendzhik, seguido por uma forte explosão. Essas imagens foram verificadas pela agência Reuters.
Até o momento, o governo ucraniano não emitiu nenhum comentário sobre o ocorrido. Tanto a Ucrânia quanto a Rússia já declararam anteriormente que evitam ataques contra civis na guerra entre os países, iniciada em fevereiro de 2022.
Veniamin Kondratyev, governador da região de Krasnodar, onde fica Gelendzhik, declarou nas redes sociais: “O que aconteceu hoje configura um ataque intencional do regime de Kiev contra civis, sem relação com infraestrutura militar. Um ato terrorista cruel e desumano contra crianças não pode ser justificado.”
Kondratyev também informou que 17 dos feridos estão recebendo atendimento médico e ofereceu condolências às famílias das vítimas, assegurando assistência completa.
O governador mencionou inicialmente a queda de fragmentos do drone, uma expressão usualmente utilizada quando as defesas aéreas russas derrubam uma aeronave inimiga. Não está claro se foram usadas interferências eletrônicas ou outros métodos para desviar o drone antes do impacto na praia.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de terrorismo, conforme reportado pela agência estatal Tass.
Em julho, a Rússia acusou forças ucranianas de atacarem um acampamento de férias na região de Zaporizhzhia, controlada pelos russos, resultando em 11 mortes, incluindo quatro crianças.
Nos últimos meses, a Rússia aumentou seus ataques a centros urbanos ucranianos, tornando junho o mês mais fatal para civis desde abril de 2022, segundo a ONU, devido ao incremento dos bombardeios de longo alcance.
Paralelamente, a Ucrânia intensificou ataques profundos na Rússia, mirando principalmente refinarias e depósitos comerciais. As forças armadas ucranianas afirmam que a estratégia visa fazer os russos sentirem os impactos da guerra.
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