Notícias
Novembro azul destaca a importância da prevenção do câncer de próstata e o direito à isenção do imposto de renda para pacientes
A campanha Novembro Azul é dedicada à saúde dos homens e enfatiza a importância do cuidado regular e da detecção precoce do câncer de próstata, que é o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil. De acordo com o INCA, estima-se que ocorram cerca de 72 mil novos casos a cada ano, e quando detectado cedo, a taxa de cura pode chegar a 90%.
Marco Túlio, imunologista do Centro Universitário Mauá, destaca que o maior desafio ainda é o preconceito que impede muitos homens de ir ao médico. “Ainda existe resistência em fazer consultas regulares. O Novembro Azul serve para acabar com esse tabu e mostrar que a prevenção salva vidas. A consulta anual e os exames de rotina são fundamentais para identificar mudanças antes mesmo dos sintomas surgirem”, afirma.
Os exames recomendados incluem o toque retal e o PSA (Antígeno Prostático Específico), indicados para homens a partir de 50 anos, ou a partir dos 45 anos se houver histórico familiar. O professor de Anatomia e Histologia, Marco Túlio, reforça que o cuidado deve ser completo. “Falar sobre a saúde masculina é olhar para o corpo de forma geral. Além do câncer, é importante cuidar das doenças cardíacas, da obesidade e da saúde mental, que muitas vezes são ignoradas. Prevenir também é uma forma de se respeitar”, complementa.
Direito garantido: isenção do imposto de renda para pacientes com câncer
O Novembro Azul também alerta para o conhecimento dos direitos de quem está enfrentando a doença. O advogado tributarista Fabrício Klein, especialista em isenções para pessoas com doenças graves, explica que aposentados, pensionistas e militares inativos diagnosticados com câncer de próstata — mesmo curados ou em remissão — têm direito à isenção do Imposto de Renda, garantida pela Lei nº 7.713/88.
“A Justiça reconhece que essas pessoas têm direito à isenção sem precisar comprovar sintomas no momento”, esclarece. Contudo, esse benefício não é automático: é preciso solicitar formalmente e apresentar documentos médicos, como biópsia e laudos que confirmem a presença do tumor.
Fabrício Klein ainda lembra que é possível pedir a restituição de valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos. “Muita gente não sabe que pode recuperar esse dinheiro. Além de ajudar financeiramente, esse direito é um reconhecimento do impacto emocional e físico que o câncer traz para a vida do paciente”, afirma.
Para ele, informação e prevenção andam juntas. “Buscar o diagnóstico precoce faz diferença no tratamento e também facilita o acesso a direitos como esse”, finaliza.
Notícias
Empresa Recife S.A.
Andreas Reckwitz afirma que as cidades criativas são locais onde signos e experiências vitais se manifestam de forma harmoniosa.
As cidades são como poemas, construídos por aglomerações urbanas formadas ao longo de processos históricos. No século XX, as cidades funcionavam como unidades claras, com funções específicas: habitar, transportar, circular e se divertir. Essas cidades vinham em duas versões: a europeia, que se estendia horizontalmente, como a parisiense idealizada por Le Corbusier; e a norte-americana, que se desenvolvia verticalmente, conforme o projeto de Frank Lloyd Wright.
Com o avanço para o século XXI, o conceito de cidade funcional deu lugar ao conceito de cidade criativa. Esse novo modelo une produção econômica, valores culturais e patrimônio histórico. Assim, as cidades criativas mantêm sua relação com o passado enquanto planejam o futuro, por meio da transformação cultural do setor terciário moderno. Isso implica uma economia que integra arte e história, adaptando o PIB de serviços a um modelo tecnológico e cultural (conforme Andreas Reckwitz, "La Invención de la Creatividad", Berlim, 2012).
Essas cidades passam a ser centros de serviços especializados, valorizando suas vocações culturais. São cidades criativas focadas em tecnologia, gastronomia, comércio, moda, cinema, esportes e literatura. Tornam-se símbolos e repositórios de saberes, refletindo a criatividade local.
No entanto, o desafio é o baixo investimento e a limitada capacidade fiscal, pois os recursos orçamentários municipais são majoritariamente destinados a pagar pessoal e manter serviços essenciais. Obras de conservação urbana são frequentemente proteladas, como a contenção de encostas, limpeza de canais e requalificação urbana. A situação do Recife assemelha-se à de outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, que enfrentam dificuldades para melhorar sua infraestrutura.
Investimentos em novos projetos dependem de operações de crédito com limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, restringindo as possibilidades de transformação econômica urbana tanto pela modesta receita própria quanto pelos limites prudenciais de endividamento.
A solução sugerida é usar a criatividade institucional para aumentar o potencial de investimento, associando capitais públicos e privados para financiar projetos com retorno econômico em áreas estratégicas do Recife. Isso inclui apoio a empresas do Porto Digital, cooperação em empreendimentos turísticos, investimentos em saúde e gestão ambiental, especialmente nas áreas litorâneas e fluviais.
A proposta é criar uma empresa de participação de capitais, a Empresa Recife S.A., que reúna investidores e empresas interessadas em crescer junto com a cidade, financiando projetos econômicos através de uma estrutura público-privada. O objetivo é expandir negócios no Porto Digital, requalificar áreas urbanas degradadas, restaurar o centro da cidade, recuperar o patrimônio histórico e fomentar um ambiente favorável à imaginação e à criatividade.
Afinal, viver na cidade é uma experiência rica, e a cidade é verdadeiramente um poema que se renova a cada passo.
Notícias
Promessa de ser o Lulinha porreta na convenção
Na convenção que o PT oficializou a candidatura do presidente Lula para a reeleição, ontem, em São Paulo, o líder petista destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo. Ele também se dirigiu ao eleitorado feminino e aos idosos, além de defender a soberania do país.
Lula iniciou seu discurso com uma autocrítica, mencionando a ausência de mulheres na programação do evento. De forma inesperada, chamou a primeira-dama, Janja da Silva, para falar antes dele: “Nós, mulheres, que preparamos a comida para nossos maridos, cuidamos da casa e chegamos tarde em casa, vamos garantir sua eleição”, afirmou Janja.
Antes da cerimônia oficial, Marina Silva, Simone Tebet e Benedita da Silva deram entrevistas ao vivo. No entanto, nos discursos oficiais, nenhuma mulher foi escalada para falar. Antes de Lula, discursaram o presidente do PT, Edinho Silva; o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad; e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lula afirmou que, para transformar o país, vai dar prioridade aos programas sociais. “Não quero ser só o presidente do Bolsa Família”, disse. Ele falou também que vai enfrentar o Legislativo em relação às emendas parlamentares.
“Vai haver conflito com emendas parlamentares. Vamos discutir o papel do Poder Legislativo”, reforçou. Com um tom descontraído, destacou que, em um eventual quarto mandato, não será um “Lulinha paz e amor”, mas sim um “Lulinha porreta”.
“Nesse quarto mandato vocês vão perceber. Não quero o Lulinha paz e amor, quero o Lulinha porreta, que fará o que ainda não foi feito, pois o básico já cuidamos”, afirmou o presidente.
Lula recordou que está participando da sua “sétima Copa do Mundo”, aludindo às eleições presidenciais desde 1989, e se mostrou confiante na conquista do quarto mandato. “Todos sabem que nossa candidatura não precisa inventar mentiras ou falsas promessas. Quem realizou, pode prometer mais; quem não realizou, não tem algo a prometer”, destacou o petista.
Cultura
Mário Hélio assume vaga na Academia Paraibana de Letras
O escritor e jornalista Mário Hélio assumiu na última sexta-feira (31) seu posto como membro da Academia Paraibana de Letras, marcando mais de quarenta anos dedicados à literatura, jornalismo cultural, história e antropologia. Ele agora ocupa a Cadeira nº 15, anteriormente de Francisco Pereira da Silva Júnior. A cerimônia foi no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa.
Eleito em abril, Mário Hélio ingressa na principal instituição literária da Paraíba após uma carreira de destaque nacional. Com grande parte de seu trabalho realizado em Pernambuco, mantém forte ligação com a cultura paraibana, tema central em seu recente livro “Mosaico Paraibano”, uma coletânea de ensaios sobre escritores, artistas e personalidades que ajudaram a formar a identidade cultural da Paraíba. Este livro foi lançado na própria Academia pouco antes de sua eleição, fortalecendo seus laços com a instituição.
Trajetória
Nascido em 1965 em Sapé, na Zona da Mata paraibana, Mário Hélio iniciou sua carreira literária cedo. Com menos de 20 anos, ganhou o Prêmio Literário Cidade do Recife de poesia, que resultou na publicação de seu primeiro livro, Livrório/Opus Zero, em 1995. Desde então, sua obra abrange poesia, ensaio, crítica literária e de arte, biografia, história cultural e antropologia.
Formado em Comunicação Social, mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, Mário Hélio também atua como professor, pesquisador e editor, dedicando-se especialmente às relações entre literatura, memória, religiosidade e cultura popular.
Na imprensa cultural, é uma referência importante, tendo colaborado na criação e fortalecimento de publicações renomadas como as revistas Massangana, Continente e Pernambuco, reconhecidas pela qualidade editorial e cobertura cultural.
Desempenhou cargos na administração pública cultural, incluindo diretor de Cultura da Fundaj e atualmente é superintendente de Periódicos e Projetos Especiais da Cepe, que lidera políticas públicas de edição e difusão do livro no Nordeste.
Seu trabalho intelectual inclui dezenas de publicações que transitam entre história e literatura. Obras de destaque incluem O Recife melhor do que Paris, um poema-retrato do Recife dos anos 80/90; Brasil Profundo, Espanha Negra, pesquisa sobre manifestações religiosas; Cícero Dias – Uma vida pela pintura; e A História Íntima de Gilberto Freyre, estudo profundo sobre o sociólogo.
Inclui também estudos sobre escritores como João Cabral de Melo Neto, entre outros artistas e intelectuais brasileiros, sempre com rigor documental e linguagem acessível, sendo um divulgador importante da história cultural brasileira. Participa de instituições nacionais e internacionais dedicadas à literatura, pesquisa e memória cultural.
Em 2023, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras, tornando-se um dos poucos escritores a integrar simultaneamente academias literárias de estados diferentes.
A eleição e posse foram vistas como reconhecimento de uma carreira multifacetada. Recebido pelo acadêmico Francisco de Sales Gaudêncio, da Cadeira nº 18 da APL, Mário Hélio representa a ligação entre tradições literárias da Paraíba e Pernambuco, que ao longo do século XX compartilharam projetos, revistas e movimentos culturais que construíram o Nordeste como polo intelectual nacional.
Discursos na Cerimônia
Durante a cerimônia, os discursos enfatizaram a literatura como meio de preservar e construir memória. No discurso de acolhida, Sales Gaudêncio destacou a trajetória de Mário Hélio que transcende a literatura, envolvendo pesquisa, jornalismo e preservação cultural.
Enfatizou o retorno do novo membro à Paraíba como um reencontro com suas raízes e a importância da Academia Paraibana de Letras: “Entrar nesta Casa é receber uma herança e assumir um compromisso. Cada cadeira conta uma história, cada patrono representa uma tradição e cada acadêmico integra uma comunidade que vai além do presente. Aqui convivem vivos e mortos; os escritores e aqueles que deixaram de escrever, mas continuam falando por meio de suas obras.”
Mário Hélio, por sua vez, desviou o foco da homenagem pessoal para uma reflexão sobre o tempo, símbolos e a responsabilidade coletiva ao entrar na academia: “Ao ser eleito, o novo integrante deve aceitar as responsabilidades em prol do coletivo. Sem isso, ingressar numa academia seria apenas uma confirmação de egos.”
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