Mundo
Partido de ultradireita sai na frente na França; coalizão de Macron está em terceiro
O Rassemblement National (RN), de Marine Le Pen, obteve 34,2% dos votos, indicam pesquisas de boca de urna

Marine Le Pen ao votar neste domingo, 30 (AFP/AFP)
Em um primeiro turno das eleições legislativas antecipadas da França marcado comparecimento recorde neste domingo, 30, é a extrema direita francesa que celebra com as primeiras estimativas.
Os números indicam que o Rassemblement National (RN) obteve 34,2% dos votos. O grupo é capitaneado por Marine Le Pen, conhecida política francesa, e defende políticas contra a imigração. Em segundo lugar está a Nouveau Front Populaire, uma coalizão de partidos e movimentos de esquerda, com 29,1% para a Nouveau Front populaire, a NFP.
O grupo liderado pelo presidente Emmanuel Macron aparece com 21,5% dos votos.
As eleições legislativas foram atencipadas por Macron em 9 de junho, após a vitória contundente do RN nas eleições europeias na França. Agora, o presidente corre o risco de compartilhar o poder com um governo de ideologia política diferente, a menos de um mês do início dos Jogos Olímpicos de Paris.
Qual é a proposta do Rassemblement National (RN)
O partido de extrema-direita propõe Jordan Bardella, de 28 anos, como candidato a primeiro-ministro se obtiver a maioria absoluta, com um programa que busca limitar a imigração, impor “autoridade” nas escolas e reduzir as contas de luz das famílias.
Pesquisa da Ipsos, publicada na sexta-feira, 28, indicava que o grupo tinha 36% das intenções de voto, seguido pela coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP, 29%) e pela aliança de centro-direita do presidente Emmanuel Macron (20%).
O resultado após o segundo turno é, no entanto, incerto devido ao próprio sistema eleitoral: os 577 deputados são eleitos em círculos eleitorais uninominais, com sistema majoritário em dois turnos.
Risco
Na reta final, os rivais do RN tentaram alertar para o risco de chegada ao poder da extrema-direita. O grupo tem feito esforços na última década para moderar a imagem herdada de seu fundador Jean-Marie Le Pen, conhecido por seus comentários racistas.
“Ceder-lhe qualquer poder significa nada menos do que correr o risco de ver como tudo o que foi construído e conquistado ao longo de mais de dois séculos e meio se desfaça gradualmente”, alertou o jornal Le Monde.
Durante a marcha do Orgulho LGBTQIAPN+, que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Paris no sábado, muitos também carregaram faixas contra a extrema direita. “Agora é ainda mais importante combater o ódio em geral, em todas as suas formas”, disse Themis Hallin-Mallet, estudante de 19 anos.
Socialistas, comunistas e ambientalistas, aliados do partido radical A França Insubmissa (LFI) na coalizão de esquerda NFP, já avisaram que retirarão os seus candidatos no segundo turno, caso fiquem na terceira posição, para dar ao candidato oficial mais chances contra a extrema-direita.
Sob pressão para adotar uma política semelhante em relação às forças de esquerda, Macron, cuja popularidade caiu devido às eleições antecipadas e que reunirá o seu governo na segunda-feira, deu a entender que o seu slogan de voto será não votar nos “extremos” representados, na sua opinião, por RN e LFI.
EXAME
Mundo
Departamento de Justiça diz que Trump pode impedir jornalistas de entrar na Casa Branca
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos declarou na terça-feira (22) que o presidente Donald Trump possui autoridade para negar o acesso à Casa Branca aos canais CNN, MS NOW e ao site Politico, um dia antes de uma audiência judicial sobre o tema.
As três organizações de mídia recorreram à Justiça contra a ordem, emitida na sexta-feira (18) pelo presidente republicano, que proíbe sua entrada na residência presidencial como punição por divulgarem informações que ele considera falsas.
Um juiz federal americano marcou uma audiência para esta quarta-feira (23) a fim de avaliar o processo.
Em documento apresentado ao tribunal, o Departamento de Justiça argumenta que Trump tem a capacidade de controlar a entrada de jornalistas em áreas restritas da presidência, como o Salão Oval.
“O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”, acrescentou o documento.
Também foi informado que cartas explicando os motivos da proibição foram enviadas aos meios de comunicação na terça-feira, e as empresas têm até sexta-feira para contestar a decisão.
As cartas destacam diversos “incidentes de reportagem” dos veículos que, segundo o documento, colocaram em risco a segurança nacional e divulgaram inverdades.
A carta para a CNN menciona uma reportagem sobre os planos do presidente Trump para construir um bunker sob o salão de baile da Ala Leste, atualmente em reforma, revelando “detalhes ultrassecretos da construção”, além de vários artigos sobre o conflito com o Irã.
No sábado, foi instaurada a proibição do acesso para os jornalistas destes três meios, e suas credenciais foram retidas.
Em ação conjunta, CNN, MS NOW e Politico pediram ao tribunal a suspensão imediata do veto, alegando que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa.
“Esta proibição representa um ataque direto à Primeira Emenda e uma violação grave dos princípios constitucionais essenciais”, afirmaram os veículos no documento judicial.
Os ataques de Trump contra a imprensa não são recentes. O presidente republicano frequentemente critica repórteres que fazem críticas à sua administração, chegando a chamar a imprensa de “inimiga do povo”.
O veto ocorre em um momento em que sua popularidade está em baixa, e o Partido Republicano enfrenta o risco de perder a maioria no Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato de novembro.
Mundo
Líder da oposição barrada de voltar à Venezuela
O retorno da líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que estava exilada no Panamá, foi bloqueado novamente na última terça-feira (22), segundo fontes do seu partido, Vente Venezuela, que preferiram não revelar os nomes dos responsáveis.
María Corina Machado deixou a clandestinidade na Venezuela em dezembro do ano passado para ir secretamente à Noruega receber o Prêmio Nobel da Paz. Após breve passagem pelos Estados Unidos, ela se estabeleceu na Cidade do Panamá, de onde tenta regressar ao seu país.
De acordo com membros da equipe de Corina Machado, houve uma tentativa frustrada de retorno nesta terça-feira, a décima tentativa registrada, algumas delas após o terremoto duplo ocorrido em 24 de junho na Venezuela.
O impedimento ocorreu no mesmo dia em que a presidente interina, Delcy Rodríguez, se encontrou com o presidente americano, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
As tentativas de entrada de María Corina Machado foram bloqueadas devido a uma combinação de falhas técnicas, cancelamentos repentinos e restrições no espaço aéreo, como noticiado previamente pelo jornal espanhol ABC e pelo canal colombiano NTN24.
Conforme relato de uma fonte, as informações divulgadas pelos jornalistas Idania Chirinos e David Alandete sobre a viagem frustrada da líder opositora são verdadeiras.
Segundo a jornalista Chirinos, o plano inicial envolvia viajar por via marítima. Embora as autoridades migratórias tivessem carimbado seu passaporte, a saída foi cancelada devido a problemas inesperados na embarcação.
Além disso, Corina Machado tentou embarcar em aviões partindo do Panamá para Aruba e Curaçao pelo aeroporto Marcos A. Gelabert, mas nenhum voo foi autorizado.
María Corina Machado já conta sete tentativas malsucedidas de retorno.
Esta semana, a Venezuela organiza uma nova rodada de negociações entre parte da oposição e o governo interino, buscando uma transição política e eleições. A liberdade política está entre os temas discutidos.
María Corina Machado não participa deste diálogo, embora não se oponha a ele e aguarde resultados efetivos.
Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela após a remoção de Nicolás Maduro em janeiro, culminando uma ação militar liderada pelos Estados Unidos.
Mundo
Trump se encontrou com a presidente interina da Venezuela em Nova York
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou de um encontro em Nova York com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante a Assembleia Geral da ONU, conforme divulgado pelos dois governos na terça-feira (22).
Este foi o primeiro contato entre os dois líderes desde que a ex-vice-presidente Delcy assumiu o governo após a queda e captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, durante uma operação militar dos Estados Unidos realizada em janeiro.
Delcy Rodríguez governa seguindo as orientações de Washington desde então.
A líder venezuelana chamou a reunião de “histórica” em uma mensagem divulgada no Telegram. Ela compartilhou uma foto dos dois, ambos sorrindo, na qual Delcy faz o gesto de “vitória” e Trump mostra o polegar para cima.
A presidente venezuelana relatou que discutiu com o magnata republicano “o fortalecimento das relações bilaterais” e “o progresso de uma agenda de cooperação”.
“Venezuela e Estados Unidos têm uma relação histórica que, nesta nova fase, devemos guiar por meio do diálogo”, comentou, sem detalhar mais informações.
O encontro ocorreu durante uma recepção que Trump costuma oferecer aos líderes mundiais participantes do encontro anual da ONU.
O secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a chefe de gabinete Susie Wiles e o conselheiro Stephen Miller acompanharam a reunião, segundo uma fonte da Casa Branca.
Desde a captura de Nicolás Maduro, o governo dos Estados Unidos tem promovido a exploração das riquezas naturais da Venezuela, assegurando acesso privilegiado às suas reservas petrolíferas.
Washington e Caracas anunciaram em agosto que os EUA tomariam controle de reservas com capacidade estimada em 65 bilhões de barris de petróleo.
De acordo com Rubio, o objetivo oficial é estabilizar a economia venezuelana para depois promover uma transição política resultando em eleições livres e justas.
No entanto, Trump afirmou recentemente que a Venezuela ainda não está preparada para as eleições pedidas pela oposição, que também acusa o governo de manter presos políticos.
Pressionado pela guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo, Trump tem priorizado o fornecimento de combustível da Venezuela.
“O espólio pertence aos vencedores”, declarou o presidente americano na tribuna da ONU. “Somando as reservas dos Estados Unidos e da Venezuela, temos mais de 60% do petróleo mundial”, comemorou.
A participação de Delcy Rodríguez em Nova York é a primeira presença de um representante venezuelano na Assembleia Geral da ONU desde 2018.
Ela também participou, na segunda-feira, de encontros com o secretário-geral da ONU e com líderes de três grandes instituições financeiras globais.
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