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Brasil

IBGE quer elevar preenchimento de vagas a 85% dos postos de trabalho disponíveis

O instituto anunciou que começará a liberar pagamentos parciais a recenseadores que alcançarem uma cobertura mínima de coleta em setores censitários

Um dos objetivos é agilizar o repasse de recursos aos temporários (IBGE/Divulgação)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que começará a liberar a partir desta terça-feira, 30, pagamentos parciais a recenseadores que alcançarem uma cobertura mínima de coleta em setores censitários.

Os recenseadores poderão pedir a antecipação de pagamento de 50% dos questionários feitos em cada setor censitário percorrido. Além disso, o órgão também melhorou o auxílio deslocamento de algumas regiões, e estuda aumentar a remuneração de questionários em locais que têm apresentado maior dificuldade que o previsto.

Um dos objetivos é agilizar o repasse de recursos aos temporários, em meio a uma mobilização de recenseadores em redes sociais por uma greve na próxima quinta-feira, 1º de setembro, contra o atraso de pagamentos.

Segundo Bruno Malheiros, coordenador de Recursos Humanos do IBGE de fato houve atraso no pagamento de auxílios prometidos aos trabalhadores temporários, especialmente os referentes ao tempo de treinamento.

Ele explica que o problema foi decorrente de uma entrada massiva e repentina de pessoas na folha de pagamentos, mas também de erros internos e externos no preenchimento dos cadastros de pagamentos.

“Pessoas com CPF irregular, CPF cancelado, pessoas com erro no cadastramento de contas e também erros no nosso cadastro mesmo”, justificou Malheiros.

As correções precisaram ser manuais. O coordenador garantiu que o problema já foi resolvido, restando apenas alguns casos pontuais. “O problema, de forma geral, foi solucionado”, disse Malheiros.

Quanto ao pagamento do trabalho de coleta, o IBGE explica que o recenseador pode pedir o pagamento dos questionários entregues após alcançar a exigência mínima do setor censitário em questão.

Em seguida, os supervisores e coordenadores de área têm dez dias corridos para checar se as informações coletadas são consistentes. Depois dessa confirmação da supervisão, a autorização de pagamento é enviada ao órgão para que seja efetivada, dando início a um novo prazo de mais cinco dias úteis até que o dinheiro chegue à conta bancária do trabalhador.

O coordenador de RH do IBGE acredita que haja um desconhecimento sobre esse trâmite de pagamento, que inclui a verificação dos dados coletados. Para ele, o recenseador acha que o pagamento está em atraso, mas a demora é parte do processo.

“Pagamento da coleta não é imediato”, disse Malheiros. “Estamos discutindo internamente reduzir esse prazo para a supervisão”, contou.

“Essa demora é consequência de um controle de qualidade, que é feito em cima do trabalho do recenseador pelo supervisor”, justificou Cimar Azeredo, diretor de Pesquisas do IBGE.

Processos internos e adiamento de prazos

O gerente técnico do Censo, Luciano Duarte, reconheceu que também houve casos de procedimentos de supervisão que demoraram a serem encaminhados para verificação.

Outra medida em estudo pelo IBGE para reduzir as queixas dos trabalhadores temporários é um aperfeiçoamento do simulador de remuneração dos recenseadores, que varia conforme o tamanho do questionário e as dificuldades de cada setor censitário.

Malheiros explica que o simulador de pagamentos por questionários disponibilizado no site do instituto tem como objetivo dar uma estimativa inicial de remuneração, mas que é preciso consultar a tabela do setor censitário para ter os valores reais a serem pagos. “Em algumas vezes vamos ter remunerações reais maiores, em outras seriam remunerações reais menores”, afirmou.

A própria tabela de remuneração está sob avaliação da direção do órgão e da equipe de gestão do Censo. Além da realocação dinâmica de recursos de áreas consideradas de cobertura mais fácil para outras que se mostram mais difíceis, está em análise a possibilidade de melhorar valores pagos em setores considerados mal remunerados.

“Tivemos mais recursos alocados agora para o auxílio locomoção. Recentemente, a gente aumentou esse valor. Esse valor estava baixo em algumas localidades”, disse Bruno Malheiros.

A demora no recebimento dos pagamentos está entre as principais queixas de recenseadores que convocam colegas nas redes sociais para uma greve nacional em 1º de setembro. O coordenador de Recursos Humanos do IBGE diz que não tem informação oficial sobre a paralisação, apenas acompanha o que tem circulado nas redes sociais. Ele afirma que não há expectativa de que a greve de fato ocorra, uma vez que os pagamentos atrasados já foram resolvidos.

Censo Demográfico

O Censo Demográfico já contou quase 60 milhões de pessoas no País. O IBGE, porém, ainda enfrenta dificuldades de contratar os recenseadores para completar o trabalho de campo até outubro. Atualmente, 144.634 recenseadores estão nas ruas coletando informações da população, o equivalente a apenas 78,8% do total de vagas disponíveis. Mais de 9,5 mil recenseadores foram preparados para o trabalho de coleta, mas não estão em atividade seja por desistência, seja por pendência de documentos, por exemplo.

O Estado com maior déficit de recenseadores é o Mato Grosso, com apenas 51,2% do número de vagas preenchidas. Já Alagoas está com 99,6% dos postos ocupados. O gerente técnico do Censo, Luciano Duarte, avalia que o instituto esteja enfrentando mais dificuldades de preencher as vagas nos Estados onde a taxa de desemprego é mais baixa.

“A gente acredita que seja uma consequência do mercado de trabalho”, opinou Duarte. “Os Estados com maior taxa de desocupação são os que o IBGE tem maior atratividade para o trabalho do Censo. Em Estados, em municípios, onde tem situação de quase pleno emprego, a gente tem desafios”, completou.

Passados 30 dias de coleta, o percentual de recenseados equivale a aproximadamente 28% da população, proporção aquém da alcançada em 2010, quando 48% dos brasileiros já tinham sido recenseados ao fim do primeiro mês, lembrou o sindicato de servidores do IBGE. A dificuldade de preencher as vagas de recenseadores teria prejudicado a celeridade do processo. Segundo o sindicato, é necessária uma complementação orçamentária para que o Censo Demográfico assegure uma remuneração mais atraente e justa aos recenseadores.

“Nossa meta é chegar a cada uma das unidades com 85% [de vagas preenchidas], no mínimo, não na média Brasil, mas em cada uma das unidades da federação”, apontou Malheiros.

Ele diz que é comum não preencher todas as vagas existentes, que o órgão conta com o trabalho de recenseadores mais ágeis, que acabam terminando antes seu trabalho e acumulando também outros setores censitários. No entanto, o coordenador reconhece que há “problemas graves e pontuais em algumas unidades da federação”, como Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Paraná e Santa Catarina.

O IBGE encerrou na segunda-feira um processo seletivo com 6.514 vagas de recenseador e 251 vagas de agente censitário municipal e agente censitário supervisor.

“Não desconsideramos abrir novos processos seletivos. Na verdade já abriremos, assim que terminar esse”, antecipou Malheiros. “Apesar de todos os desafios, a operação até aqui tem sido um sucesso, e não tenho dúvida de que vamos conseguir cumprir essa operação com muita qualidade e, provavelmente, dentro do prazo previsto.”

Quanto aos casos de agressões e racismo contra recenseadores, Malheiros ressaltou a importância de que sejam denunciados. “São situações consideradas inaceitáveis, e a gente precisa que seja denunciado pra gente poder apurar. São situações pontuais, mas se fosse só um caso já seria gravíssimo”, concluiu.

Brasil

Militar é condenado por abuso durante ditadura

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A Justiça Federal puniu o sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, conhecido como “Camarão”, pelos crimes de cárcere privado qualificado e abuso sexual contra a historiadora e ativista política Inês Etienne Romeu, ocorridos em 1971 na Casa da Morte, um centro clandestino de tortura mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.

O réu recebeu uma sentença de 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão, podendo recorrer em liberdade. Ele nega as acusações.

As investigações foram conduzidas pelos procuradores Vanessa Seguezzi, Antonio do Passo Cabral e Sergio Suiama.

Desde o início, os procuradores requisitaram a perda do cargo público do acusado, incluindo a revogação da aposentadoria ou qualquer benefício remunerado a que ele tenha direito.

O grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal considerou que os crimes de abuso sexual e cárcere privado, realizados em um contexto de ataque sistemático do Estado, configuram crimes contra a humanidade.

Segundo o MPF, de acordo com o direito internacional e decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, tais crimes não prescrevem e não são cobertos pela Lei de Anistia de 1979.

Inês Etienne faleceu em abril de 2015, aos 72 anos, em sua residência em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro.

A ex-guerrilheira deixou um testemunho histórico ao Conselho Federal da OAB, em 1979, narrando as torturas físicas e psicológicas que sofreu na Casa da Morte em Petrópolis, um centro clandestino de desaparecimento e tortura durante a ditadura militar.

Na decisão datada de 31 de julho, a juíza federal Maria Isadora Frizao acatou o pedido do Ministério Público Federal e condenou o acusado pelos crimes de abuso sexual e cárcere privado.

Foi determinada uma pena de 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão em regime fechado, além da perda do posto militar público.

A sentença também reconheceu o estupro cometido nesse período como crime contra a humanidade, o que o torna imprescritível e não sujeito à Lei de Anistia.

A magistrada ainda condenou o réu ao pagamento das despesas processuais e ordenou que o Ministério da Defesa seja informado sobre a sentença de perda do cargo público aplicada ao militar.

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Brasil

Lito Sousa fala sobre câncer de próstata, inflamação no cérebro e perda de movimento no braço

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Lito Sousa, youtuber do canal Aviões e Músicas, revelou em vídeo que foi diagnosticado com câncer de próstata e uma inflamação cerebral que afetou os movimentos do seu braço esquerdo.

No vídeo publicado no domingo (2), ele detalha o diagnóstico e seu estado atual de saúde.

Há cerca de três meses, Lito soube do câncer de próstata após uma alteração no PSA em exames de rotina. Ressonância magnética e biópsia confirmaram um tumor classificado como nível 3.

Segundo ele, esse nível indica um câncer intermediário e não emergencial, mas que precisa de tratamento.

Lito optou por uma prostatectomia, remoção completa da próstata, visando cura total, já que outros tratamentos não garantiriam 100% de cura.

Perda de movimento no braço esquerdo

Durante o acompanhamento, começou a perder o controle e movimentos da mão e braço esquerdo, além de sentir dormência.

Exames neurológicos mostraram assimetria entre os hemisférios cerebrais.

Mesmo com o sintoma, manteve viagem aos Estados Unidos após orientação médica.

O uso de corticoide para tratamento, aliado ao diabetes tipo 2, agravou seu quadro, aumentando a dormência e perda de controle motora.

No aeroporto dos Estados Unidos, sua esposa Mila Seidl percebeu que Lito estava andando de forma alterada, levando à antecipação do retorno e internação em São Paulo.

Exames confirmaram inflamação no lado direito do cérebro.

Tratamento e recuperação

Após tratamento com corticoides e imunoglobulina, sofreu perda de peso de 7 kg, consequência do tratamento e uso temporário de insulina.

O foco atual é na recuperação neurológica com fisioterapia, terapia ocupacional e exercícios físicos intensos.

Lito demonstra determinação em se recuperar e continuar produzindo conteúdo para seu canal.

Importância da prevenção

Lito Sousa ressalta a importância dos exames preventivos para detecção precoce, que pode garantir mais de 99% de chance de sobrevida em 5 anos.

Ele enfatiza que o câncer de próstata pode atingir qualquer pessoa, independente dos cuidados com a saúde, e que o exame de rotina foi crucial para seu diagnóstico e tratamento precoce.

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Brasil

Milei agrava tensão com Lula e atrasa retorno do embaixador do Brasil à Argentina

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O presidente argentino, Javier Milei, intensificou recentemente suas críticas ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em uma entrevista para o canal LN+, dificultando o progresso para um acordo diplomático e atrasando o retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli a Buenos Aires. A retomada das relações diplomáticas dependia de sinais de acalmia.

Em 2 de abril, Milei reafirmou, em entrevista, declarações feitas anteriormente no Brasil, durante evento que marcou a candidatura presidencial do senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nesta ocasião, o presidente argentino defendeu ter chamado o petista de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”.

“Eu menti?”, questionou-se Milei na TV, acrescentando: “Ele é ladrão, corrupto. Foi condenado por crimes de corrupção e esteve preso, por isso é correto chamá-lo assim. Foi solto por um erro processual, não por inocência.”

Até o dia 31, o Itamaraty mantinha uma postura de espera por sinais positivos para a normalização e monitorava a situação política na Argentina por meio do trabalho diplomático a distância. A embaixada continuava operando sem o embaixador.

Julio Bitelli foi chamado a Brasília para consultas, uma resposta diplomática ao gesto de Milei na convenção bolsonarista. Após reuniões com o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, o embaixador recebeu orientação para permanecer no Brasil até que a situação política permita uma nova avaliação.

O governo brasileiro não deseja diminuir sua representação diplomática, desativar a embaixada ou romper relações, mas está adotando uma postura cautelosa. As recentes declarações de Milei vão na contramão das expectativas até então.

Diplomatas envolvidos nas reuniões do Itamaraty consideraram positiva, para o contexto do governo Milei, a fala do chanceler argentino Pablo Quirno, em 29 de março, na rádio Mitre, indicando que não há intenção de romper relações com o Brasil.

Bitelli permanece em Brasília, tendo realizado três encontros com membros do governo federal, duas vezes com o presidente Lula e uma última reunião somente com o ministro Mauro Vieira no dia 31 de março.

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