Economia
Embraer quer expandir produção global com fábricas nos EUA e Índia
A Embraer pretende ampliar sua capacidade produtiva mundial para acompanhar o aumento da demanda por aviões. O presidente da fabricante brasileira, Francisco Gomes Neto, revelou durante a apresentação dos resultados da empresa que está em discussão a implantação de uma linha de montagem na Índia, inicialmente focada no KC-390 — avião militar de transporte multimissão — com potencial de expansão para aeronaves comerciais. Há também estudos para abrir uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, dependendo do volume de novos pedidos e do sucesso das vendas no país.
Os Estados Unidos representam aproximadamente 45% das vendas de jatos comerciais e 70% dos jatos executivos da Embraer. Além disso, estão em curso negociações estratégicas para a compra do KC-390 pela Força Aérea Americana. Atualmente, a empresa possui uma linha de montagem em Melbourne, Flórida, onde produz jatos executivos das famílias Phenom e Praetor. Entretanto, a montagem de jatos comerciais e os principais centros de engenharia ainda estão concentrados no Brasil.
O portfólio de pedidos da companhia atingiu um recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, marcando o sétimo trimestre consecutivo de crescimento. A Embraer foi dispensada da tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre vários produtos brasileiros.
Francisco Gomes Neto ressaltou que a empresa está investindo em eficiência e expansão, visando alcançar até 2030 uma produção anual de 110 a 120 aviões comerciais, mais de 200 jatos executivos e mais de 10 unidades do KC-390 em território nacional. Garantiu ainda que a capacidade de produção não será um obstáculo para o crescimento futuro.
Destacaram-se as recentes encomendas do segundo trimestre: a Azorra, empresa americana de leasing e financiamento de aeronaves, solicitou 15 aeronaves E195-E2, com opção de adquirir mais 15; e os Emirados Árabes Unidos fizeram um pedido de dez aviões C-390, com possibilidade de dez adicionais.
No início de agosto, a Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) firmou contrato para a compra de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium, tornando-se o 13º país a escolher essa aeronave para modernizar sua frota militar.
Contexto geopolítico favorece setor de Defesa
Francisco Gomes Neto destacou que, em razão das tensões globais, diversos países aceleram suas aquisições de equipamentos de defesa, beneficiando a Embraer que possui um produto de destaque no segmento de transporte militar, atendendo a essa demanda crescente.
No setor de aviação comercial, o executivo enfatizou que o ambiente é favorável para os jatos da companhia. O transporte aéreo mantém alta demanda de passageiros mesmo com o aumento dos preços das passagens, o que estimula a procura por novas aeronaves. Enquanto isso, grandes concorrentes como Airbus e Boeing enfrentam longas filas de espera para produção de aviões maiores, de até uma década.
Essa limitação da concorrência abre espaço para os jatos de corpo estreito da Embraer, cujas vantagens vêm sendo mais reconhecidas pelos clientes. A combinação de um portfólio moderno com a incapacidade imediata de produção dos rivais permite ampliar a presença global da companhia tanto na defesa quanto na aviação civil.
A empresa confirmou ainda a expectativa de que o eVTOL (carro voador) desenvolvido por sua subsidiária Eve obtenha certificação e inicie operações comerciais até o final de 2028. O projeto já conta com cerca de três mil cartas de intenção de compra, com lançamentos simultâneos previstos para Brasil e Estados Unidos.
Resultados financeiros positivos
No segundo trimestre de 2026, a Embraer registrou receita recorde de R$ 11,3 bilhões, crescimento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, com o melhor volume de entregas dos últimos 16 anos. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,1 bilhão, aumento de 25% ante o ano anterior, quando o lucro foi de R$ 890,3 milhões.
Esse crescimento foi impulsionado pelos setores de Defesa e Aviação Executiva, bem como pela aceleração nas entregas e produção.
Foram entregues 65 aeronaves no segundo trimestre, representando o melhor desempenho em 16 anos e aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. A aviação executiva se destacou com 45 jatos entregues, enquanto a aviação comercial contabilizou 20 aeronaves. No primeiro semestre de 2026, o total de entregas foi de 109 aviões, o que corresponde a um aumento aproximado de 20% na comparação anual.
A expectativa para o fechamento de 2026 é entregar entre 240 e 255 aeronaves no total, incluindo de 80 a 85 no segmento comercial e de 160 a 170 jatos executivos. A previsão de receita para o ano está situada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.
Outros indicadores financeiros foram atualizados positivamente após o desempenho do segundo trimestre: a margem EBIT ajustada passou a ter previsão entre 10% e 10,6%, acima da estimativa anterior de 8,7% a 9,3%. A previsão do fluxo de caixa livre ajustado dobrou, elevando-se para US$ 400 milhões ou mais, contra a estimativa inicial de US$ 200 milhões.
Economia
Senado dá preferência a profissionais de segurança na restituição do IR
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que concede prioridade aos profissionais da segurança pública no recebimento da restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Se não houver recurso para votação no Plenário do Senado, o projeto será encaminhado para análise na Câmara dos Deputados.
A legislação atual já reserva prioridade para idosos e para contribuintes cuja principal fonte de renda é o magistério.
De acordo com o texto aprovado, os profissionais da segurança pública passarão a ser atendidos logo após esses dois grupos, ficando antes dos demais contribuintes, garantindo assim uma posição intermediária na ordem de restituição.
Essa regra começará a valer a partir do ano seguinte ao da publicação da lei, caso seja aprovada.
O projeto abrange os profissionais de segurança pública mencionados na Constituição e na legislação do Sistema Único de Segurança Pública, incluindo também os agentes do sistema socioeducativo.
Uma emenda aprovada anteriormente na Comissão de Segurança Pública (CSP), apresentada pelo senador Sergio Moro (PL-PR), ampliou a proposta para incluir os guardas portuários. Essa alteração foi incorporada ao texto final pelo relator, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), com uma modificação na redação.
Segundo o relator, a mudança na ordem dos pagamentos não gera impacto orçamentário ou financeiro para o Tesouro Nacional, pois altera apenas a sequência dos pagamentos e não o montante total das restituições.
Economia
Estudo da Sudene mostra benefícios da conclusão da Transnordestina até Suape
O superintendente do Desenvolvimento do Nordeste, Francisco Alexandre, encontrou-se na tarde desta terça-feira (11) com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, que é o responsável pelo processo que trata da retomada das obras do trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro, localizado no Sertão de Pernambuco, e o Porto de Suape, no litoral do estado. Durante o encontro, o superintendente apresentou um estudo realizado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) que destaca os impactos econômicos e sociais relacionados à finalização da ferrovia.
Também estiveram presentes na reunião o segundo vice-presidente do Senado Federal, Humberto Costa (PT), e o coordenador da bancada de Pernambuco no Congresso Nacional, Augusto Coutinho (Republicanos).
Baseado na metodologia de Análise Custo-Benefício (ACB) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo calcula um Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. A avaliação também indica que a implantação do trecho pode gerar um impacto aproximado de R$ 8,23 bilhões no Valor Adicionado Bruto (VAB). Além disso, durante a fase de operação, estima-se que cerca de R$ 910 milhões por ano serão incorporados à economia regional.
De acordo com Francisco Alexandre, os dados evidenciam que a conclusão do trecho entre Salgueiro e Suape pode proporcionar benefícios que vão além da rentabilidade financeira do projeto. “Nosso propósito é fornecer dados técnicos, fundamentados em informações atualizadas e alinhados ao interesse público”, declarou após o encontro.
O VSPL avalia os efeitos de um empreendimento para a sociedade, contemplando aspectos que não são necessariamente refletidos em sua rentabilidade financeira. No caso da ferrovia, a análise inclui a redução dos custos logísticos, a diminuição do número de acidentes rodoviários, a redução das emissões de gases de efeito estufa, a economia de despesas públicas relacionadas à infraestrutura rodoviária, além do fortalecimento da integração produtiva do Nordeste, gerando impactos no desenvolvimento regional.
Para Humberto Costa, a reunião foi produtiva e há expectativa de avanço no processo após o envio de documentos adicionais pela Infra S.A. “O encontro foi muito positivo, o ministro Jhonatan de Jesus está atento à causa e estamos esperançosos que novos documentos serão apresentados pela Infra S.A. para que o processo seja retomado para análise. Estamos confiantes de que, em breve, as obras serão autorizadas. O governo do presidente Lula está totalmente comprometido com essa pauta e tenho certeza de que em breve teremos um desfecho favorável para a retomada da Transnordestina”, afirmou.
Em julho, foi assinado o contrato para a elaboração do projeto executivo de engenharia e a execução dos serviços de infraestrutura remanescentes do lote SPS 04 da Ferrovia Transnordestina, envolvendo os municípios de Custódia e Arcoverde, em Pernambuco. O contrato, celebrado entre a Infra S.A. e o Consórcio ACA Transnordestina, tem valor de R$ 312,8 milhões e abrange 73,32 quilômetros da ferrovia. O escopo inclui a construção de obras de arte especiais, e o prazo previsto para execução é de 57 meses.
Economia
Governo quer que Alcolumbre crie comissão para analisar MP das blusinhas
O governo federal comunicou que solicitará oficialmente, nesta terça-feira (11), ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que determine a formação da comissão mista para examinar a medida provisória (MP) referente à “taxa das blusinhas”, que eliminou o Imposto de Importação de 20% sobre compras pela internet de até US$ 50.
A MP 1357 de 2026, publicada em maio, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até 8 de setembro, sob pena de perder validade.
Com sessões concentradas marcadas pelo Congresso em apenas duas semanas antes das eleições, sendo a última entre 31 de julho e 4 de setembro, há preocupação quanto à validade da MP devido à possível demora na instalação da comissão para sua análise.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, informou que solicitará a Alcolumbre a criação de todas as comissões mistas necessárias para a análise das MPs do governo, ressaltando a prioridade da que trata da “taxa das blusinhas”.
“A prioridade é a criação da comissão mista e trabalhar para sua aprovação rápida, garantindo a validade da Medida Provisória assinada pelo presidente Lula”, afirmou em redes sociais.
A assessoria do senador Davi Alcolumbre não comentou sobre a possível criação da comissão para examinar a MP em questão.
O ministro José Guimarães também mencionou que o governo empenha esforços para impedir a aprovação de projetos que prejudiquem as finanças públicas e está em negociação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114 de 2026, que tem prioridade no Executivo. Esse projeto estabelece regras para renúncias fiscais visando atenuar os efeitos do aumento dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio.
Setores empresariais criticam a MP, alegando que favorece concorrentes estrangeiros. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) argumentando que a MP viola princípios constitucionais como a proteção do mercado interno.
Segundo comunicado da CNI, a medida concede vantagem às indústrias estrangeiras em detrimento da indústria nacional.
Para o governo, a MP favorece o consumo da população. O Ministério da Fazenda destacou que a medida foi possível após implementar ações contra o contrabando e para melhorar a regulação das compras internacionais online.
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