Cultura
Kleber Mendonça Filho lança curta documentário para estrear em outubro
O diretor Kleber Mendonça Filho surpreendeu seus seguidores nesta quinta-feira (6) ao anunciar, através do Instagram, seu novo trabalho. “O projeto se chama ‘South Of Tehran’ (Sul de Teerã) e terá sua estreia no Festival de Cinema de Nova York em outubro”, afirmou em seu post.
O Festival será realizado na cidade de Nova York entre os dias 25 de setembro e 12 de outubro. Conforme informado pelo cineasta, este é um curta documental com duração de oito minutos, filmado em 16mm por Evgenia Alexandrova em outubro do ano passado, durante as viagens de divulgação do filme “O Agente Secreto”. A produção está por conta de Emilie Lesclaux, enquanto a montagem ficou a cargo de Edu Serrano.
“O protagonista do filme é Jafar Panahi, com quem convivi durante vários meses em 2025. Jafar e eu estávamos frequentemente juntos com nossos filmes ‘It Was Just An Accident’ e ‘O Agente Secreto’. Ele me sugeriu: ‘Vamos fazer um filme!’, e eu aceitei na hora”, detalha Kleber no post.
Kleber Mendonça Filho ainda acrescenta: “‘South Of Tehran’ nasceu de um desafio proposto por Dennis Lim, diretor artístico do New York Film Festival. A ideia era fazer um filme curto durante o festival, que servisse como um registro para o futuro. Em 2025, durante a exibição do filme ‘Retratos Fantasmas’ no festival, Dennis programou uma sessão especial com o filme ‘Pier Paolo Pasolini – Agnès Varda – New York 1967’, que abriu a sessão de Retratos Fantasmas. Achei essa iniciativa fantástica e foi aí que surgiu a ideia do projeto”.
Por enquanto, ‘South Of Tehran’ não tem data confirmada para ser exibido no Brasil.
Cultura
Trio Mocotó mistura samba-rock, rap e pop no Bem Brasil neste domingo
O samba-rock apresentado pelo Trio Mocotó será o foco principal do próximo episódio do programa Bem Brasil, que vai ao ar ao vivo pela TV Cultura neste domingo (9), ao meio-dia, diretamente do Sesc Itaquera, em São Paulo.
A apresentação reúne a trajetória de um grupo pioneiro na fusão de samba, soul e funk com artistas atuais da música brasileira, como a rapper Duquesa e o cantor Vitão.
Com mais de cinco décadas de carreira, João Parahyba, Nereu São José e Melvin Santhana sobem ao palco para revisitar clássicos que marcaram a história do trio.
Entre as canções que devem ser tocadas estão “Coqueiro Verde”, “Kriola”, “Voltei Amor” e “Não Adianta”. Ao longo dos anos, o grupo se consolidou como uma referência no samba-rock, tendo colaborado com artistas renomados, como Jorge Ben Jor e Dizzy Gillespie.
A rapper Duquesa representa uma nova geração que tem renovado o rap brasileiro, enquanto Vitão expande o repertório com diversas influências da música pop nacional. A participação desses convidados cria uma conexão entre o Trio Mocotó e sons mais modernos.
O programa Bem Brasil é apresentado por Wandi Doratiotto. A jornalista Laíze Câmara, do programa Vitrine, também está presente para interagir com o público durante a transmissão.
Além da exibição na TV Cultura, o show será disponibilizado nas plataformas digitais da emissora, no site sesc.tv e no canal do YouTube do Sesc São Paulo. Os moradores de São Paulo podem assistir ao espetáculo pessoalmente no Sesc Itaquera, com entrada gratuita.
Cultura
Tamara Klink pede que leitores doem ou emprestem seu livro
Tamara Klink, escritora e velejadora, fez um apelo em suas redes sociais para que as pessoas parem de comprar seu livro mais recente, “Bom Dia, Inverno” (Companhia das Letras), que é muito popular atualmente. O livro ocupa a terceira posição entre os mais vendidos na Amazon, atrás apenas de “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.
Em seu vídeo, Tamara expressa preocupação com o meio ambiente e incentiva que o livro seja preferencialmente doado ou emprestado. “Já existem muitos exemplares de ‘Bom Dia, Inverno’ circulando pelo Brasil. Se você puder, tenha acesso a uma biblioteca ou conheça pessoas da família, colegas ou do trabalho, faça o livro circular. Ele existe para isso”, explicou.
A autora lamenta que livros fiquem em bibliotecas e sejam lidos uma única vez, ressaltando o desperdício de papel e energia natural empregados na produção da obra.
Tamara reforça seu pedido para que o livro seja compartilhado via doação ou empréstimo e incentiva seguidores a indicar bibliotecas que ainda não disponham da obra. “O mais valioso no livro, e em qualquer objeto — como quem já leu sabe — é que ele circule e cumpra sua função pelo maior tempo possível, valorizando os recursos naturais que foram usados para produzi-lo”, declarou.
Por fim, ela agradeceu a todos que adquiriram “Bom Dia, Inverno”. O livro foi lançado em maio e traz o relato da preparação e dos oito meses que Tamara Klink passou isolada em um veleiro no Ártico, navegando pelo mar congelado da Groenlândia, entre outubro de 2023 e maio de 2024, mantendo comunicação mínima com o mundo exterior.
Cultura
Dia da Cerveja: Pernambuco e a origem da bebida nas Américas
Cadeira de plástico, Reginaldo Rossi ao fundo, calor, tira-gosto… O que falta? Uma cerveja gelada. Presente em bares, festas e encontros, esta bebida atravessou séculos para se tornar uma das maiores paixões do Brasil. Na última sexta-feira (7), quando comemoramos o Dia Internacional da Cerveja, também lembramos que foi em Pernambuco que essa história começou para as Américas.
Os registros históricos indicam que a cerveja surgiu originalmente na Mesopotâmia, antes de chegar à Europa.
No período em que Maurício de Nassau governou Pernambuco, entre 1637 e 1644, durante a invasão holandesa, chegou ao Recife uma tripulação que incluía cientistas, artistas, cartógrafos e o mestre cervejeiro Dirck Dicx. Essa etapa marcou o início da primeira cervejaria do Brasil e, por consequência, a produção da primeira cerveja nas Américas.
Em 1641, Dirck Dicx iniciou a fabricação da bebida na “La Fontaine” – que significa “A Fonte” em francês – utilizando equipamentos holandeses e ingredientes como cevada e açúcar produzido em Pernambuco, que na época era a principal riqueza econômica da região. Apesar de pioneira, a cerveja daquela época estava longe de ser clara e translúcida, muito menos popularizada.
Segundo o sommelier de cervejas Ângelo Nunes, “o Brasil não tinha acesso aos principais ingredientes atuais para a produção da cerveja, como o malte e o lúpulo”. Isso fazia com que o sabor fosse mais forte.
Além disso, durante o período colonial, a Coroa Portuguesa tinha grande interesse econômico no vinho importado de Portugal. A cerveja, por ser mais barata e menos lucrativa, ficou em segundo plano.
Quem consumia a cerveja?
Ângelo Nunes comenta que a cerveja chegou ao Brasil principalmente para atender ao consumo pessoal de Maurício de Nassau, não sendo uma bebida popularizada inicialmente. Ele trouxe um mestre cervejeiro e montou a cervejaria para seu próprio uso.
Somente em 1808, com a abertura dos portos pelo Dom João VI, a cerveja começou a ser consumida em todo o país. No século XIX, a imigração alemã impulsionou a criação de fábricas e popularizou estilos mais leves e claros, como a Pilsen.
A cerveja no Brasil atual
Hoje em dia, é difícil imaginar o Brasil sem a cerveja. O país é o terceiro maior produtor mundial, abrigando 1.954 cervejarias, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).
Pernambuco mantém seu papel importante na história da cerveja, com uma crescente cena de cervejarias artesanais. A Associação Pernambucana das Cervejarias Artesanais (Apecerva) informa que o estado possui 13 cervejarias produzindo mais de 200 mil litros por mês. Recife chegou a ser chamada de “capital da cerveja artesanal” pela Revista Veja.
O desafio do setor artesanal é oferecer sabores diferentes da tradicional cerveja gelada e clara, a Pilsen. O presidente da Apecerva, Sidney Wanderley, destaca que as marcas comerciais com sabores mais marcantes ajudaram a educar o paladar e a introduzir novos estilos, como Bock e Pale Ale.
Quase quatro séculos após a primeira produção de cerveja em Recife por Dirck Dicx, a bebida chegou ao Brasil pelas mãos dos holandeses e atravessou diversos momentos da história, ganhando seus próprios estilos, sotaques e receitas.
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