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Economia

Ibovespa pode começar o dia em baixa; B3 atrasa abertura do mercado por falha técnica

A bolsa de valores de Nova York recuou, o que pode influenciar negativamente a abertura do Ibovespa nesta sexta-feira, 31. A B3 anunciou o adiamento do início das negociações nesta manhã devido a um problema técnico ocorrido ontem no pós-mercado, causando atraso na abertura do pregão de ações e outros serviços.

Ainda não há previsão para o início normal das operações, e os leilões de abertura das ações foram transferidos para depois do meio-dia.

Participantes do mercado classificam a situação como inédita, pois todo o sistema de renda variável está indisponível. Um especialista do setor, que preferiu não se identificar, comentou: “Já presenciei contratempos no final do dia que não afetaram a liquidação.”

Rubens Cittadin, especialista da Manchester Investimentos, afirmou à Broadcast que “não se recorda de um problema dessa magnitude. O futuro já teve abertura com atraso de meia hora, mas isso é uma novidade e causa estresse, pois altera a rotina operacional dos operadores”.

A postergação é vista como negativa, porque a liquidação é etapa crucial para as operações, ainda que não deva ocasionar prejuízo financeiro aos investidores, segundo o estrategista Bruno Takeo, da S4 Consultoria.

Além da situação técnica, o mercado observa fatores como a queda do minério de ferro e incertezas envolvendo a Vale após sua divulgação do balanço do segundo trimestre. A alta no preço do petróleo reacende preocupações sobre a inflação e a manutenção de juros elevados globalmente.

Há indícios de que o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC) avalia suspender indefinidamente suas operações até obter garantias de segurança de outras nações.

Em meio a esta sexta-feira com poucos indicadores econômicos, as atenções se voltam para resultados e notícias corporativas. A Vale obteve lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior e uma redução de 27% na comparação trimestral.

O Santander anunciou uma oferta pública para adquirir as ações restantes de sua unidade no Brasil, com um prêmio de 15%, resposta avaliada como reação ao desempenho fraco do segundo trimestre reportado na quarta-feira.

Rubens Cittadin destacou que o atraso na abertura da B3 pode abrir espaço para debate sobre a entrada de novas bolsas no Brasil, levantando questões de credibilidade. Ele ressaltou que falhas no funcionamento do principal serviço podem desencorajar investidores mais conservadores.

Devido ao atraso, as posições dos clientes e bancos, incluindo as compradas, estão desatualizadas, já que a liquidação das ações no mercado à vista da B3, que é realizada em D+2, ainda não ocorreu. A situação foi descrita como “meio caótica” por Cittadin.

O prolongamento do atraso pode gerar dúvidas quanto à confiança dos agentes na B3 e reduzir seu fluxo financeiro, embora não afete diretamente os clientes, destacou Cittadin. Ele acrescentou que esse evento pode comprometer a receita da bolsa brasileira.

Cittadin comentou que eventuais impactos financeiros atingiriam apenas quem opera estritamente no horário padrão da manhã.

Para Bruno Takeo, da S4 Consultoria, se os horários de abertura forem alterados com frequência, isso poderá prejudicar a reputação da B3, mas, por enquanto, isso está distante de acontecer.

Na quinta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, alcançando máxima intradia e acumulando valorização de 2,98% no mês após quatro meses de queda. No acumulado da semana, subiu 1,79%.

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Economia

Governo Lula adota pautas eleitorais já avançadas no Congresso

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À medida que as eleições se aproximam no Brasil, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem investido em incorporar agendas legislativas originalmente conduzidas por parlamentares, ao propor iniciativas que tocam temas prioritários nas urnas.

Um estudo do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, divulgado pelo jornal O Globo, demonstra essa estratégia do Planalto. Essas pautas apropriadas englobam temas tanto da base governista quanto da oposição, como o fim da escala 6×1, o projeto antifacção e a revogação da chamada “taxa das blusinhas”.

Medeiros considera que essa tática é constitucionalmente válida. Contudo, do ponto de vista político, altera a dinâmica entre os Poderes ao transferir para o Executivo parte do protagonismo inicialmente do Legislativo, o que pode aumentar tensões e a competição pelo destaque nas propostas.

Ele destaca que a apropriação de pautas independe das divisões ideológicas e envolve não apenas o conteúdo das medidas, mas também quem lidera sua aprovação. Sempre que o Congresso assume a frente na formulação de leis, o Executivo busca incorporar essas pautas ao seu programa.

Por exemplo, a redução da jornada de trabalho é uma prioridade para o governo petista e um possível tema de campanha. O projeto do Executivo veio em abril deste ano, mais de um ano após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentar uma proposta para acabar com a escala 6×1.

A proposta da deputada tramitou por 14 meses na Câmara, mobilizando sindicatos e setores empresariais, até que o governo encaminhou seu projeto ao Legislativo, adotando parte do conteúdo. O texto foi posteriormente incorporado por uma PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), aprovada na Câmara e aguardando votação no Senado, possivelmente após as eleições.

Outro caso é o Projeto de Lei Antifacção, que endurece o combate ao crime organizado, apresentado pelo Executivo em novembro do ano passado. Essa proposta amplia penas, melhora mecanismos de prisão e investigação, e restabelece ferramentas para asfixiar financeiramente as facções.

Anteriores proposições do Congresso, como a do deputado Danilo Forte (PP-CE), de março de 2025, já discutiam medidas semelhantes. O parlamentar até solicitou que o projeto do governo fosse apensado ao seu, preservando o texto mais antigo como principal.

Para Medeiros, essa forma de agir gera desgaste, pois parlamentares dedicam tempo e buscam consensos; quando a pauta ganha força, o Executivo assume a liderança em favor de interesses quase sempre eleitorais.

Ele explica que, com o fortalecimento do Congresso e sua produtividade legislativa, o governo tem mais incentivos para disputar a autoria das propostas, diferente do passado, quando o Executivo dominava a agenda quase sozinho.

No âmbito econômico, a revogação da “taxa das blusinhas” — um imposto de 20% sobre produtos importados de até US$ 50 — foi formalizada por uma Medida Provisória publicada em maio pelo governo Lula, embora já tivesse sido proposta na Câmara pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) no ano anterior.

Essa taxação trouxe desgaste à agenda governamental, afetando consumidores, pequenos empresários e pessoas impactadas pela alta carga tributária. Na prática, a medida antecipou uma decisão ao Legislativo, que perderia a oportunidade de protagonizar essa revogação.

Um caso similar ocorreu com a atualização do Microempreendedor Individual (MEI). A administração do presidente apresentou um projeto de lei complementar cinco anos depois que o senador Jayme Campos (União-MT) aprovou texto similar no Senado. Enquanto a proposta do senador tramitava na Câmara, o Executivo apresentou uma nova versão, disputando a paternidade da agenda.

A renovação das dívidas rurais também exemplifica essa estratégia. Houve um projeto de lei em 2023, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que não avançou na Câmara por conta do impacto fiscal. Em seguida, o governo lançou uma Medida Provisória sobre o mesmo tema, sinalizando sua posição e apoio ao setor agropecuário às vésperas das eleições.

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Economia

Exportação de petróleo do Brasil para Ásia mais que dobra com guerra no Irã e tarifas americanas

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As exportações de petróleo cru brasileiro apresentaram um crescimento de 11,4% até o momento neste ano, alcançando 51,1 milhões de toneladas. Quatro países asiáticos destacaram-se ao aumentar consideravelmente sua demanda pelo óleo nacional.

Este avanço, que já vinha ganhando força nos anos anteriores, foi acelerado pelo conflito no Oriente Médio. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil (Mdic), Indonésia foi o país que mais expandiu suas compras do petróleo brasileiro, registrando um aumento de 157% na primeira metade do ano.

Índia foi a segunda maior compradora, com alta de 132%. A China, maior parceiro comercial do Brasil e principal comprador do petróleo nacional, aumentou suas importações em 41%, totalizando 27,9 milhões de toneladas neste período, representando 54% de todo óleo exportado pelo país.

Cingapura também ampliou suas aquisições em 28%, atingindo 1,5 milhão de toneladas no primeiro semestre. As vendas do combustível para esses quatro países alcançaram US$ 18,7 bilhões entre janeiro e junho, um crescimento de 72% comparado ao mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela alta dos preços da commodity.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, comenta que o crescimento das exportações brasileiras para a Ásia resulta da expansão da produção nacional, da busca dos países asiáticos por fornecedores diversificados e do papel crescente da Índia como mercado importador, sem diminuir a importância da China.

Com o aumento do preço do barril devido à restrição de oferta, o valor exportado do petróleo cru subiu 28%, alcançando US$ 27,9 bilhões no primeiro semestre de 2026. O óleo cru foi o segundo produto mais exportado em valor na balança comercial brasileira, totalizando US$ 15,1 bilhões, ficando atrás apenas da soja, com US$ 20,2 bilhões.

Perspectivas de crescimento

Segundo Hamad Hussain, analista de commodities da consultoria inglesa Capital Economics, este movimento tende a se intensificar, pois boa parte da oferta adicional da produção brasileira será destinada a compradores asiáticos, onde a demanda por petróleo cresce mais rapidamente que na Europa e nos EUA.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indicam que, em maio, o Brasil produziu 5,6 milhões de barris por dia, contra 4,7 milhões um ano antes. A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que o consumo asiático de petróleo subirá de 38,9 milhões de barris por dia em 2025 para 40,7 milhões em 2030, com a Índia liderando esse crescimento.

Países como Mianmar e Filipinas também mostraram um novo interesse pelo petróleo brasileiro, importando quantidades significativas em 2026 após longos períodos sem adquirir o produto.

Fatores geopolíticos e econômicos

O conflito no Golfo Pérsico, região que abastecia 40% do petróleo consumido pelos asiáticos, e as tarifas impostas pelos Estados Unidos impulsionaram os países da Ásia a diversificar seus fornecedores. Conforme avalia Bruno Cordeiro, analista da StoneX, este cenário ampliou a importância do mercado asiático para as exportações brasileiras.

Além disso, as compras dos EUA caíram 42,8% no primeiro semestre, sendo superados pela Índia como segundo maior destino do petróleo brasileiro. As tarifas americanas criam um ambiente regulatório incerto, incentivando os produtores brasileiros a buscar contratos estáveis e previsíveis na Ásia e Europa.

Crescimento na Europa

O aumento das exportações brasileiras não se limitou à Ásia. França e Itália também ampliaram significativamente suas importações de petróleo cru brasileiro. A França quase triplicou suas compras, com acréscimo de 180%, enquanto a Itália registrou alta próxima a 50%.

Pedro Rodrigues atribui o crescimento comercial com a Europa a fatores como condições de mercado, demanda das refinarias e fluxos de comércio internacional.

De acordo com a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, o forte crescimento das exportações contribuiu para um superávit recorde da balança comercial brasileira em junho, que atingiu US$ 8,8 bilhões, o maior valor para este mês registrado até hoje.

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Economia

Viciados em trabalho têm dificuldade para trabalhar em grupo, dizem especialistas

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Algumas pessoas gostam de dividir seu conhecimento com quem está ao redor e sentem satisfação ao saber que ajudaram alguém a aprender algo novo através de uma conversa ou na resolução de um problema.

No entanto, existem aqueles que preferem lidar com tudo de forma independente, evitando contato com os colegas quando se trata de compartilhar ideias para o progresso de um projeto, dedicando horas diante do computador ou trabalhando até mesmo em seu tempo livre.

A psicologia estudou os “viciados em trabalho”, que apresentam uma necessidade obsessiva e incontrolável de se sobrecarregar, negligenciando a saúde, o descanso e a vida pessoal.

Especialistas verificaram que essas pessoas não só pensam constantemente no trabalho, mas também enfrentam maiores dificuldades para colaborar em equipe.

O vício em trabalho é entendido na psicologia como um comportamento compulsivo, caracterizado pela necessidade constante e incontrolável de estar ocupado com o trabalho.

Segundo estudiosos, esses indivíduos frequentemente têm problemas para trabalhar em grupo devido à dificuldade em delegar tarefas, tendência ao isolamento e controle excessivo sobre as atividades.

A psicóloga Wendy L. Patrick comentou na revista Psychology Today que “os viciados em trabalho costumam assumir tarefas desnecessárias, prejudicando o trabalho coletivo” e que “eles apresentam melhor desempenho em tarefas autônomas e especializadas do que em trabalhos colaborativos”.

Essa conclusão também está respaldada na pesquisa de Guido Alessandri et al. (2020) intitulada “Os Custos do Excesso de Trabalho”, que descreve esses profissionais como incansáveis, porém não necessariamente inteligentes, capazes de trabalhar além do esperado e demonstrando uma preocupação obsessiva com suas atividades.

Um estudo da Universidade da Corunha, na Espanha, analisando “O impacto do vício em trabalho nas organizações: causas e consequências no bem-estar dos trabalhadores”, revela que o vício causa danos psicossociais, como desconforto psicológico, estresse e irritabilidade, além de dificultar o trabalho em equipe, gerando tensão no ambiente.

Os especialistas ressaltam certas características típicas dos viciados em trabalho:

  • Desconfiança nos demais: acreditam que ninguém executa tarefas com a mesma qualidade, assumindo toda a responsabilidade.
  • Controle rigoroso e microgerenciamento: interferem no trabalho dos colegas, criando um clima tenso.
  • Impaciência e irritabilidade: veem os intervalos de descanso ou ritmo dos colegas como lentos, acusando-os de preguiça.
  • Desejo de destaque: buscam o controle total dos projetos para obter validação pessoal pelo desempenho.

Quanto ao impacto no ambiente profissional, os psicólogos concordam que:

  • Trabalham isoladamente, pois os colegas evitam colaborar com eles por se sentirem desvalorizados ou vigiados.
  • Ambiente hostil: suas exigências elevadas se manifestam em críticas severas, impaciência e comunicação precária, prejudicando a união do grupo.
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