Economia
Após um ano de surpresas na economia, previsão para 2024 é de desaceleração, avalia economista

(Um Brasil/Reprodução)
A pujança da Agropecuária, somada à resiliência econômica global e ao aumento real do salário mínimo, tornou 2023 um ano atípico por surpreender, positivamente, um mercado que se mostrava cauteloso nas expectativas. Para Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria, os resultados em relação a crescimento e inflação no Brasil podem ser, sim, considerados surpreendentes.
Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da FecomercioSP —, Alessandra faz um breve balanço de 2023 e apresenta algumas perspectivas da economia brasileira para o próximo ano. “O desempenho do setor Agropecuário foi muito superior ao que se imaginava inicialmente, ainda que que já tivéssemos projeções positivas. Além do efeito direto, que é a produção maior, há impacto indireto a outros segmentos, como transporte e armazenamento, e isso explica, em certa medida, a maior resiliência da economia”, afirma. “Hoje, a projeção da Tendências é encerrarmos 2023 com um crescimento de 2,7%, bem superior ao projetado inicialmente, que era 1,5%”, completa.
Apesar de todo esse panorama positivo de 2023, Alessandra indica uma provável desaceleração já no fim deste ano, com queda no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro e no quarto trimestres — movimento que deve se manter em 2024. “O desempenho tão forte do Agro deve sair de cena. Ainda que em patamares muito altos de produção, em termos de crescimento, a contribuição do setor para a economia tende a ser menor no próximo ano”, ressalta.
A perda de dinamismo no âmbito global e os efeitos da política monetária atual são outros fatores preponderantes no ritmo de crescimento de 2024. “Por ainda ser restritiva, nossa política monetária incide na desaceleração da atividade econômica, até para garantir que a inflação se mantenha em patamares mais baixos. Esses elementos todos vão ficar cada vez mais presentes, pelo menos até primeira metade do ano que vem”, pontua.
Agenda 2024
Frente à Reforma Tributária, aprovada em 2023, Alessandra indica que a agenda do governo deve seguir avançando no tema. “Existe, ainda, a ser discutida, uma agenda tributária pesada no que diz respeito a renda e patrimônio, o que faz sentido inclusive para aliviar a tributação sobre o consumo.”
Para finalizar, Alessandra alerta sobre os riscos de flexibilizações de marcos institucionais e sua consequência para o futuro das estatais. “Os marcos dão previsibilidade e definem parâmetros, permitindo menos influência. Se essas revisões realmente acontecerem, como na Lei das Estatais, voltaremos a ter essas empresas ao sabor do governo do momento, o que significaria um retrocesso, com redução de eficiência e elevação de custos, além de aumento de percepção de risco pelo mercado”, conclui.
Economia
Anp cancela permissão da Refinaria de Manguinhos após bloqueio do Cnpj
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anulou na última sexta-feira a autorização para operação da Refinaria de Manguinhos (Refit).
Essa decisão foi tomada pela diretoria do órgão regulador depois que a Receita Federal suspendeu o CNPJ da companhia.
De acordo com a ANP, manter um CNPJ ativo é um requisito essencial para obter e conservar a autorização para funcionamento das refinarias concedida pela agência.
Essa medida ocorreu após um processo administrativo de cancelamento, durante o qual, conforme a ANP, a empresa teve assegurados os direitos de defesa e contraditório. A Refit ainda não se manifestou sobre o caso.
Na quarta-feira, na 5ª Vara Empresarial da Justiça do Rio, o governo do estado solicitou que a recuperação judicial do Grupo Manguinhos, controlador da refinaria, seja convertida em falência.
O governo estadual fundamenta o pedido alegando que a empresa perdeu sua viabilidade econômica e não cumpriu requisitos básicos durante o processo, acumulando um débito tributário superior a R$ 25,7 bilhões.
Relatórios indicam um declínio constante das operações do grupo, que, após registrar faturamento mensal superior a R$ 1 bilhão em 2025, apresentou uma queda brusca nas receitas até registrar um resultado financeiro quase nulo no início do ano corrente.
Em novembro de 2025, a Refit foi alvo da Operação Poço de Lobato, uma grande ação conjunta da Receita Federal e dos Ministérios Públicos de cinco estados para apurar um suposto esquema de fraude fiscal no setor de combustíveis.
Foram cumpridos 126 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas associadas ao grupo, dono da antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio, e outras empresas do segmento.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, as apurações indicam um esquema estruturado para fraudes fiscais que teria causado mais de R$ 26 bilhões em débitos inscritos na dívida ativa. Os investigados enfrentam acusações relacionadas a crimes contra a ordem econômica e tributária, lavagem de dinheiro e outras infrações.
Durante a operação, bens avaliados em R$ 10,2 bilhões dos membros do grupo foram bloqueados, incluindo imóveis e veículos. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional também adotou medidas judiciais visando congelar outros R$ 1,2 bilhão ligados à empresa.
As investigações revelam que as empresas associadas ao grupo Refit utilizaram estruturas societárias complexas e operações interestaduais de combustíveis para evitar o pagamento do ICMS e dificultar a responsabilização dos envolvidos.
Economia
CNJ estima pagar R$ 1,1 bilhão a 782 juízes por penduricalhos atrasados
A Corregedoria-Geral de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira os primeiros valores devidos a magistrados referentes a verbas reconhecidas antes da imposição do teto para os chamados penduricalhos.
De acordo com a auditoria, 782 juízes poderão receber R$ 1,1 bilhão, dependendo da autorização do STF. O juiz com o maior saldo a receber tem direito a R$ 3,9 milhões.
Os beneficiários incluem magistrados do Superior Tribunal de Justiça, Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Tribunal Regional Federal da 3ª Região e Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A liberação dos pagamentos ainda depende da decisão do STF.
Esses valores fazem parte da primeira fase de passivos auditados pelo CNJ, com pagamentos suspensos desde fevereiro, após decisão da Corte sobre os limites dos penduricalhos.
Quando a Suprema Corte definiu quais verbas indenizatórias seriam permitidas no Judiciário e estabeleceu um teto para os pagamentos, indicou que os desembolsos retroativos poderiam ser liberados a partir de agosto, desde que fossem previamente avaliados pela Corregedoria Nacional de Justiça, liderada pelo ministro Mauro Campbell Marques.
O ministro e sua equipe analisaram minuciosamente os dados enviados pelos tribunais de todo o país, confirmando a validade e forma de cálculo das verbas.
Agora, os primeiros saldos foram encaminhados ao STF para deliberação sobre sua liberação.
A auditoria incide especificamente sobre o Adicional por Tempo de Serviço (ATS), conhecido como quinquênio, destinado a magistrados que ingressaram no Judiciário antes de 2006.
Ao todo, 62 tribunais remeteram valores referentes ao ATS a pagar aos juízes, porém o CNJ validou somente os montantes de quatro tribunais, pois diversos cálculos apresentados estavam incorretos.
No relatório encaminhado ao STF, a Corregedoria ressaltou que o total de R$ 1,1 bilhão validado não representa a dimensão total nacional dos débitos.
Mauro Campbell afirmou no documento que qualquer tentativa de estimar o passivo nacional com base nestes números seria inadequada.
Entre os quatro tribunais validados, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal detém o maior saldo, com R$ 455 milhões, seguido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo com R$ 331 milhões, Tribunal Regional Federal da 3ª Região com R$ 283 milhões, e por último o Superior Tribunal de Justiça cuja soma validada é menor.
Economia
Banco do Brasil quita R$ 100 milhões da dívida com a União em novo acordo
O Banco do Brasil realizou o pagamento à União da parcela de R$ 100 milhões conforme o novo acordo para quitar o Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD).
Este pagamento é o primeiro desde que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a revisão dos prazos, que agora vão até 2029.
No momento da decisão, o BB ainda possuía um saldo de R$ 4,1 bilhões do IHCD, de um total original de R$ 8,1 bilhões.
Segundo o plano, o banco concordou em quitar o valor restante em parcelas escalonadas: duas anuais de R$ 100 milhões, em julho de 2026 e julho de 2027; uma de R$ 1 bilhão em julho de 2028; e uma última de R$ 2,9 bilhões em julho de 2029.
O IHCD, contratada em 2012, foi um mecanismo para o Banco do Brasil captar recursos junto ao Tesouro, com características tanto de dívida quanto de capital, fortalecendo o capital regulatório da instituição.
Em fevereiro, o banco solicitou uma revisão do cronograma de pagamentos. Em entrevista ao programa Roda Vida da TV Cultura, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, explicou que essa solicitação é uma prática comum. Segundo ela, a questão principal não é o pedido em si, mas sua divulgação pública, sendo uma estratégia prudente adotada também por outras instituições financeiras.
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