Mundo
Prefeito de Nova York pede celeridade nas emissões de vistos de trabalho para imigrantes

(Leandro Fonseca/Exame)
Diante da crise migratória que assola Nova York, o prefeito Eric Adams urgiu, nesta quinta-feira, 31, ao governo federal que acelere as permissões de trabalho para que os imigrantes acolhidos pela cidade possam se tornar independentes.
“O sonho americano é o direito ao trabalho, o direito a sustentar sua família”, disse o prefeito democrata em um evento em uma praça pública no sul de Manhattan, não muito longe da prefeitura, rodeado de funcionários de sua administração, donos de hostels, sindicatos, organizações de caridade e solicitantes de asilo.
“Devemos acelerar os vistos de trabalho. É de senso comum. Há milhares de trabalhos disponíveis que necessitam ser cobertos, para proporcionar os serviços que necessitamos na cidade, no estado e no país”, acrescentou.
Postos de trabalho disponíveis
Segundo Andrew Rigie, diretor executivo da Aliança de Hostels de Nova York, somente neste setor, há disponíveis mais de 10 mil postos de trabalho, para os quais “não conseguem encontrar americanos ou um número suficiente de pessoas que estejam atualmente autorizadas a trabalhar para cobri-los”.
“Isso está prejudicando as pequenas empresas”, reclamou.
“Portanto, não é apenas moralmente correto acelerar as permissões de trabalho, mas também tem um impacto poderoso para ajudar as nossas pequenas empresas que ainda tentam se recuperar da pandemia”, disse ele à AFP.
Asilos em Nova York
Desde abril do ano passado, mais de 100 mil solicitantes de asilo chegaram a Nova York, que é obrigada por lei a oferecer abrigo a todos que o solicitem. Desde então, a prefeitura da capital financeira e meca do turismo mundial de 8,5 milhões de habitantes enfrenta uma crise sem precedentes.
Em três anos, a cidade dedicará US$ 12 bilhões (quase R$ 60 bilhões) para enfrentar a crise migratória, anunciou o prefeito no início de agosto.
Atualmente, em torno de 60 mil solicitantes de asilo dependem da prefeitura para dormir, comer, se vestir e colocar seus filhos na escola. A cada semana, chegam mais centenas deles.
As autoridades nova-iorquinas tentam fazer com que o governo federal assuma a responsabilidade pela crise.
Crise imigratória
Na quarta-feira, após as reuniões de Adams em Washington, a governadora do estado, Kathy Hochul, se reuniu com membros da administração democrata para abordar uma “série de medidas imediatas e tangíveis”, entre as quais estão as permissões de trabalho, disse em um comunicado após o encontro.
Na segunda-feira, mais de 120 executivos, entre eles Jamie Dimon, do banco JPMorgan Chase, Larry Flink, do fundo de investimentos BlackRock, e Jane Fraser, do Citigroup, enviaram uma carta ao presidente Joe Biden e aos líderes do Congresso para pedir que atendam as demandas de Nova York.
Além dos vistos de trabalho, o prefeito da cidade exige de seus correligionários do governo federal que declarem estado emergência para gerir a crise na fronteira e que os solicitantes de asilo sejam distribuídos equitativamente por todas as cidades do país.
Mundo
Amazon apoia construção de grande usina a gás para dados nos EUA
A Amazon anunciou nesta sexta-feira (7) que está financiando a construção de uma grande usina privada de energia a gás no Texas. Essa usina pode se tornar a maior fonte única de emissão de gases causadores do efeito estufa nos Estados Unidos.
O projeto, chamado GW Ranch, gerará eletricidade especificamente para centros de dados de grande porte, funcionando de forma independente da rede elétrica principal. Essa abordagem tem se tornado comum entre as grandes empresas de tecnologia para suprir rapidamente a demanda crescente por energia gerada pelo avanço da inteligência artificial (IA).
Documentos indicam que a usina terá 35 turbinas e uma capacidade de geração de 7,65 gigawatts. A instalação será localizada no condado de Pecos, Texas, próximo à fronteira com o México, e está autorizada a liberar mais de 30 milhões de toneladas métricas de gases de efeito estufa por ano, o que é mais do que qualquer outra fonte nos EUA.
A Amazon explicou que, ao produzir sua própria energia, pretende evitar o aumento dos custos para os consumidores americanos, cujas contas de luz têm subido devido aos investimentos das concessionárias para suportar a expansão da IA.
Um porta-voz da Amazon declarou: “Nosso novo campus de centros de dados no condado de Pecos é um exemplo claro: ele emprega uma nova geração de energia local que não aumentará os custos de eletricidade para as famílias do Texas e foi projetado para se conectar à rede elétrica assim que as condições permitirem”.
Embora as usinas movidas a gás sejam menos contaminantes que as usinas de carvão, elas ainda são fontes relevantes de gases responsáveis pelo aquecimento global. A extração de gás natural também causa vazamentos de metano, um gás com alto potencial para o efeito estufa.
Além disso, essas usinas liberam gases tóxicos e partículas finas, que podem causar sérios riscos à saúde pública.
Mundo
Itália mantém controle temporário na fronteira apesar de pressão da Espanha
A Itália reafirmou sua decisão de reinstaurar temporariamente os controles nas fronteiras após a chegada de milhares de migrantes ao território espanhol de Ceuta, mesmo diante das ameaças de retaliação do governo da Espanha.
Em pronunciamento nesta sexta-feira, 7, o Executivo italiano declarou que não vai ceder a ultimatos ou imposições vindas de Madrid e que continuará realizando as verificações até, pelo menos, 15 de agosto. Este posicionamento foi divulgado poucas horas depois do governo espanhol estabelecer um prazo de dois dias para que Roma revise a medida, suspenda as inspeções e trate os espanhóis como quaisquer outros cidadãos europeus.
Segundo o comunicado espanhol, caso isso não ocorra até o final do domingo, 9 de agosto, a Espanha se verá obrigada a tomar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos.
A reintrodução dos controles na fronteira com a Espanha havia sido anunciada pela Itália a partir de 1º de agosto. A primeira-ministra Giorgia Meloni descreveu a ação como uma medida extraordinária destinada a garantir a segurança nacional e prevenir possíveis consequências negativas para o país.
Na mesma sexta-feira, as autoridades espanholas revelaram que desmantelaram uma quadrilha de tráfico humano que teria facilitado a entrada de cerca de 2 mil migrantes pelo litoral sudeste e pela ilha de Ibiza.
Mundo
Investigação dos EUA sobre suposto OVNI na Bahia em 1963
Documentos do governo dos Estados Unidos divulgados recentemente revelam que autoridades norte-americanas monitoraram e investigaram, em 1963, relatos sobre um objeto voador não identificado (OVNI) que teria caído no município de Conde, na Bahia.
A história, que chegou aos EUA através de uma transmissão da Rádio Tupi, mencionava uma “grande esfera metálica” contendo um corpo humano em seu interior.
Um dos registros, datado de 8 de novembro de 1963, reproduz uma transmissão em português da rádio, no Rio de Janeiro. Conforme o relato, informações vindas de Conde indicavam que o objeto havia caído no centro da cidade, formando um buraco de quatro metros de profundidade.
A descrição detalhava que a suposta esfera possuía janelas cobertas por vidro espesso. Dentro dela, segundo a transmissão, havia “um corpo humano vestido com roupas pesadas”, com inscrições indecifráveis. A população de Conde estava intrigada e as autoridades foram notificadas.
O episódio levou representantes dos EUA no Brasil a buscar mais informações. Um segundo documento da Embaixada norte-americana no Rio de Janeiro, datado de 20 de novembro do mesmo ano, apresenta os resultados das investigações.
Esse documento mostra que os dados foram enviados ao Departamento de Estado dos EUA, com cópias destinadas também ao Departamento de Defesa, Força Aérea e NASA. A representação americana em Salvador foi igualmente acionada para verificar os fatos.
Harold Midkiff, cônsul em Salvador na época, respondeu em 14 de novembro após consultar fontes locais. Ele afirmou que a história do objeto estranho na região de Conde parecia ter sido criada no Rio de Janeiro.
Segundo Midkiff, ninguém na região viu tal objeto, conforme relatos de jornalistas e residentes que chegaram ao local antes das investigações. O secretário de Segurança Pública levantou a hipótese de que poderia se tratar de um balão meteorológico, mas não houve confirmações de avistamentos.
Além do telegrama, o consulado enviou duas reportagens de jornais baianos: uma do Diário de Noticias (9 de novembro) e outra do Jornal da Bahia (11 de novembro). Ambas confirmavam a conclusão de que não havia evidências do objeto.
Uma das reportagens mencionava a negativa categórica do Ministério da Aeronáutica quanto à presença de qualquer objeto estranho em Conde. A outra tinha como título “The Airship that wasn’t there” (A aeronave que não estava lá), conforme traduzido pelos americanos.
O documento também destaca um fato curioso relatado pelo Jornal da Bahia. O repórter enviado a Conde utilizou um transmissor antigo de código Morse para enviar um telegrama ao jornal em Salvador e recebeu uma resposta em apenas cinco minutos, demonstrando a rapidez da comunicação na época.
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